Sindicalista vem credenciada pelos 356 mil votos que recebeu na corrida ao Senado em 2022
Por Orlando Pontes (repórter e editor do jornal Brasília Capital)
Após a decisão da deputada federal Erika Kokay, no dia 24 de fevereiro, de que pretende concorrer a uma das duas vagas ao Senado em 2026, outras peças passaram a se movimentar no campo político da esquerda do Distrito Federal. Uma delas é a sindicalista Rosilene Corrêa, que em 2022 foi candidata a senadora e obteve mais de 356 mil votos. Ela confirmou ao Brasília Capital que colocará seu nome como pré-candidata à Câmara Federal no próximo ano.
“Nossa votação na última eleição nos credencia a postular uma vaga em 2026. Meu posicionamento, hoje, é como pré-candidata a deputada federal. Para isto, estamos negociando, primeiramente, com nossos apoiadores e dentro do nosso partido, que é o PT, para depois submeter esta postulação às demais legendas que integrarão nossa coligação”, disse Rosilene Corrêa.
A saída de Erika Kokay abre uma “vaga cativa” que ela ocupa nas disputas proporcionais há mais de duas décadas. Kokay vai completar 16 anos como deputada federal – foi eleita em 2010 e reeleita, sucessivamente, em 2014, 2018 e 2022. Isto depois de cumprir dois mandatos de distrital de 2003 a 2010.
“Assumo essa missão [de concorrer ao Senado] com um compromisso inegociável com a defesa da democracia e a construção de um Distrito Federal mais justo para todas e todos”, afirmou Erika Kokay após a reunião do diretório regional do PT naquela data.
PT – Enquanto define o caminho que quer seguir nas urnas, Rosilene descarta a possibilidade de concorrer à presidência regional do Partido dos Trabalhadores, do qual atualmente é vice-presidente no DF. “Não está em nosso projeto dirigir o partido, mesmo com a decisão do companheiro Jacy Afonso de não buscar a reeleição. Mas o PT saberá construir um acordo para encontrarmos um nome que nos conduzirá à vitória”, aposta ela.
Magela – Mas nem tudo é festa no PT-DF. O ex-deputado Geraldo Magela, pré-candidato a governador, sofreu um revés nas instâncias partidárias. A corrente Movimento PT, da qual ele é o principal expoente local, foi substituída na Coordenação Regional. A decisão foi comunicada pelo seu próprio irmão, Romênio Pereira, ao presidente Jacy Afonso.
Romênio é secretário nacional de relações internacionais do PT e candidato à presidência do partido. E retaliou o irmão, que declarou apoio ao ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva. Magela e seus aliados podem criar uma nova corrente interna, que vem sendo chamada de Movimento Ético e Democrático, “em defesa da liberdade de opinião e da democracia partidária”.
Tarciana – Outra especulação surgida nas hostes petistas locais é de uma possível candidatura da atual presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, à Câmara Federal. Seus apoiadores entendem que ela seria a substituta de Erika na Casa, por ser bancária e atuar nos movimentos sociais, especialmente no segmento LGBTQIA+.
No entanto, o presidente Jacy Afonso, que também é bancário, diz desconhecer essa possibilidade. O presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo, descarta fazer campanha para Tarciana: “Ela pode ter apoio da diretoria do banco. Mas não da base. Nós concentraremos todos os esforços para eleger Erika para o Senado”, garante.
A movimentação interna no PT passou a acontecer em contraponto à pré-candidatura do presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli (PSB), que se lançou pré-candidato a governador. Ele adotou a estratégia de morar uma semana por mês [esta semana está na Cidade Estrutural], usando transporte coletivo, “para conhecer a realidade da população do DF”.
Outros postulantes passaram a se movimentar nos bastidores. Além de Erika (Senado) e Magela (governador), ambos pelo PT, também ‘colocaram o bloco na rua’ Leandro Grass (PV), o senador Izalci Lucas (PL) e até o ex-governador José Roberto Arruda, ainda filiado ao PL, mas que está à procura de uma legenda que encampe sua pretensão de retornar à política 16 anos após o escândalo da Operação Caixa de Pandora, em 2010. Todos estão de olho na cadeira de Ibaneis Rocha (MDB), que já trabalha para entregá-la à sua vice, Celina Leão (PP).