Por Kelly Jenyfer – @kellyjenyferjornalista

Estreando a temporada de 2025, o programa Quilombo de Wal apresentado por Waleska Barbosa, recebeu Brenna Vilanova para compartilhar sua trajetória de vida. Ela é graduanda em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora nas áreas de escravidão contemporânea e novas formas de trabalho, com foco nas plataformas digitais. O programa ao vivo foi transmitido na segunda-feira, dia 17 de março.

A estudante Brenna Vilanova também é militante e ativista do Movimento Negro, sendo filiada ao Movimento Negro Unificado (MNU), onde atua como coordenadora de Comunicação. Ela explica que a filiação ao Movimento está sempre aberta e que existem períodos de formação. “É muito emocionante, porque há pessoas que chegam e estamos naquele momento de formar e eu entendo que minha pouca experiência já é suficiente para compartilharmos conhecimentos e vivências dentro do Movimento”, pontua.

Brenna destaca que as organizações e o Movimento representam esperanças para as pessoas. “De todas as formas, temos que nos fortalecer e acreditar que cada dia é um recomeço, onde vamos enfrentar desafios e vencer em algum momento”, afirma. “Militar no MNU é uma experiência muito enriquecedora e inexplicável para mim. É, de fato, uma formação não apenas sobre o que significa ser negro, mas também sobre como essa identidade se mantém e se vive”, completa.

A convidada da edição relembra que, quando a pandemia começou em 2020 — ano em que ela ingressou na Universidade — teve a oportunidade de conhecer pessoas do MNU. “Entrei em contato com a coordenadora, demonstrando interesse em participar e hoje faço parte dessa luta dentro do Movimento Negro Unificado e eu tenho essa necessidade de formar pessoas dentro do MNU”, ressalta.

Brenna Vilanova compartilha que seus familiares não estão envolvidos no movimento negro e que ela não foi criada nesse meio. No entanto, conta que teve muitas referências dos avós. “Meus avós sempre deixavam muito explícito para mim e meu irmão que o negro tinha que ser duas vezes melhor, e isso aprendemos na nossa infância. Com apenas 6 anos de idade, já tínhamos entendimento sobre isso”, relembra.

Vilanova afirma que, apesar de seus avós serem analfabetos, eles já tinham uma formação política dentro de casa. “Meu avô era muito envolvido na política do interior do Piauí, sempre construindo pontes entre vereadores e prefeitos. Nós buscávamos votar naquelas pessoas que defendiam nós, agricultores. Era sempre com a perspectiva de que aquela política traria melhorias”, menciona.

A graduanda em Ciências Sociais relata que, ao retornar para Brasília, teve a oportunidade de conhecer os grêmios estudantis nas escolas e acabou se envolvendo. “Conheci o feminismo também, e isso foi muito importante na minha jornada de entendimento das questões de gênero no Brasil. Foi nessa luta pelo movimento estudantil que fui conhecendo um pouco mais sobre as organizações do Movimento Negro Unificado”, revela.

Confira mais detalhes abordados nessa edição aqui: 

Share This