Fonte: ABI – Por João Batista de Abreu, conselheiro da ABI (6/8/25)
Há exatos 80 anos uma imensa nuvem negra e marrom formou um cogumelo enorme nos céus do Japão. O equivalente a 70 toneladas de TNT caiu sobre a cidade de Hiroshima, causando a morte imediata de 70 mil pessoas. Três dias depois a cena macabra se repetiria em outra cidade, Nagasaki, matando outros 40 mil seres humanos.
O sadismo dos executores batizaram as duas bombas atômicas com os nomes irônicos de Little Man, em Hiroshima, e Fat Man, em Nagasaki.
Os efeitos das bombas contaminaram áreas enormes do Japão, contaminando terrenos, lagos e levando a óbito outros milhares de japonese atingidos pela radiação nuclear.
De fato a guerra acabou, mas poucos anos depois veio a Guerra Fria, travada pelos pretensos vencedores da Segunda Guerra Mundial.
A ironia é que os autores desse crime de guerra, inédito e sem margem de comparação com outros ataques através da História, se apresentam como a maior democracia do mundo.
Oitenta anos depois assistimos cotidianamente a massacres e genocídios, o mais antigo deles ocorre na África, no Congo e na Etiópia. Só que a mídia ocidental não cobre. É a tal agenda setting, que a gente aprende na faculdade como a pauta das potências em relação ao que o mundo deve saber.
Acompanhamos a guerra na Ucrânia e ao genocídio praticado em Gaza pelo governo de Israel, justamente o país criado para abrigar um povo sem pátria, muitos dos quais sobreviventes dos campos de concentração que os soldados soviéticos e norte-americanos ficaram estarrecidos quando descobriram.
Hoje as condições humanas dos palestinos na Faixa de Gaza fazem lembrar os campos de concentração nazistas. A diferença é que os descendentes dos protagonistas da bomba atômica fazem vista grossa para o genocídio de hoje.
O líder vietnamita Ho Chi Minh costumava perguntar aos norte-americanos que iam visitá-lo em Hanoi pela estátua da liberdade. Queria saber se ainda estava lá em uma ilha de frente para Nova York. Quando lhe respondiam que sim, ele ironizava: Acho que ela está de cabeça para baixo.
O mundo gira, as rosas murcham, as pessoas morrem, muitos de fome e inanição, mas a desumanidade e os crimes de guerra, estes não perecem nunca.
