No momento, você está visualizando Bolsonaro deve ter maior pena entre réus do núcleo principal da trama golpista, prevê jurista

Bolsonaro deve ter maior pena entre réus do núcleo principal da trama golpista, prevê jurista

Julgamento no STF está marcado para começar em 2 de setembro 

POR BRASIL DE FATO  – ADELE ROBICHEZ E RODRIGO VIANNA

Legenda foto: Para jurista Walber Agra, há provas suficientes para que Bolsonaro seja condenado – Mateus Bonomi / AFP

O jurista Walber Agra, professor de Direito Público na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e responsável pelas ações que tornaram Jair Bolsonaro (PL) inelegível na Justiça Eleitoral, avalia que o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para começar em 2 de setembro, segue seu “curso normal” e respeita os direitos constitucionais dos acusados. O especialista participou da edição do BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, nesta sexta-feira (15).

Para o jurista, há provas suficientes para que Bolsonaro seja condenado. “Ele não teve condições materiais de dar o golpe, mas que ele tentou até o final, ele tentou. Tanto é que ele sai do país para dizer que ele vai voltar como salvador da pátria”, diz. Ele estima que a pena de Bolsonaro possa chegar a cerca de 20 anos de prisão. “Dentro desse primeiro núcleo, principal, de organização de decisão, [a pena de Bolsonaro] deve ser a maior”.

O processo julgará Bolsonaro e outros sete integrantes do chamado “núcleo principal”, como Braga Netto, general Heleno e Alexandre Ramagem, acusados de participação na tentativa de golpe de Estado e nos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), eles integrariam uma organização criminosa voltada a minar a democracia e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Agra explica que a denúncia envolve cinco crimes: “organização criminosa, abolição do Estado de Direito, golpe de Estado, dano ao patrimônio tombado e deterioração de patrimônio”. Dois deles, golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, afirma, são distintos. “Uma coisa é um golpe de Estado, outra coisa é abolir o Estado Democrático de Direito para instalar um Estado autoritário. Ele tentou os dois”, aponta.

Prisão domiciliar

Caso Bolsonaro seja condenado, Agra defende que um laudo médico determine o regime inicial. “Ele tem todas as condições de uma prisão domiciliar, no meu entender. […] Por que não colocar? Você chega, coloca-o na cadeia, ele morre e se transforma o quê? Em um mártir”, explica.

Sobre a prisão domiciliar preventiva decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto, após Bolsonaro descumprir medidas cautelares, o professor afirma que “legalmente, Bolsonaro descumpriu reiteradamente as medidas cautelares. […] A medida foi legal, gerou um efeito político negativo, mas, obviamente, é a lei”, observa.

Prorrogação improvável

A defesa do ex-presidente aposta em teses como a ausência de provas e o fato de Bolsonaro ter estado fora do país no 8 de janeiro. Já nos bastidores, há especulação sobre um possível pedido de vista, recurso que suspende temporariamente o julgamento, por parte do ministro Luiz Fux, integrante da Primeira Turma do STF. Agra, no entanto, considera improvável.

“Pode pedir? Pode. […] Mas é muita falta de argumento [dizer que] Fux vai pedir [vista], que ele está contra, [que Bolsonaro] está tentando incidir, tentar trazer Fux para o seu campo. Eu não acredito nisso”, opina.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 21h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Martina Medina

Deixe um comentário