Ato foi realizado no Museu Nacional da República nesta sexta (31) e reuniu representantes do movimento negro do DF
Fonte: Brasil de Fato DF
Brasília se uniu às diversas cidades brasileiras que, nesta sexta-feira (31) realizaram manifestações em repúdio à chacina ocorrida no Rio de Janeiro no último dia 28 de outubro, pedindo o fim das chacinas e da violência policial.
“Estamos aqui em solidariedade às famílias das vítimas de violência, da chacina que aconteceu no Rio de Janeiro. Vimos essa calamidade, esse erro planejado da polícia, esse erro planejado do governador do Rio de Janeiro e estamos aqui pedindo a responsabilização desse governador, e também ressaltando que essa política de morte que acontece no Rio de Janeiro acontece no Brasil todo, e o DF e o Entorno não está isento disso”, enfatizou Samuel Vitor Gonzaga integrante do coletivo Pelas Vidas Negras, uma das organizações que mobilizou o ato.
O ato, realizado no Museu Nacional da República, reuniu representantes do movimento negro do Distrito Federal, movimentos populares, parlamentares e artistas, e denunciou a ausência de uma política de segurança pública efetiva.

“Eu vim para o ato porque o povo precisa dizer não à violência policial. A violência policial tomba corpos negros e não é possível que isso continue acontecendo nesse país pelas autoridades que representam o Estado brasileiro”, destacou a professora da Universidade de Brasília Elizabeth Mamede.
Na avaliação de Nonato Nascimento, integrante do Setor Nacional de Igualdade Étnico Racial do Movimento Brasil Popular, os atos representam a retomada do debate sobre os limites da democracia e a questão racial.
“A chacina que aconteceu no Rio de Janeiro, acontece cotidianamente nas favelas, nos territórios racializados. É fundamental políticas, de verdade, políticas fundamentadas numa segurança pública que pense os territórios, a partir dos territórios, não territórios que sejam eliminados, não operações que ganhem proporção, porque elimina as pessoas, elimina suas existências, elimina seus modos de existir. Esse é o debate que está colocado na rua e esse é o debate que o movimento negro brasileiro colocou historicamente”, destacou.
A mobilização no DF também enfatizou que a violência atinge desproporcionalmente a juventude negra e os moradores de comunidades marginalizadas.

“Quando falamos sobre segurança, é importante a gente pensar no corpo periférico, no corpo negro, que é o principal alvo da polícia militar no Brasil. É o principal alvo, inclusive, de todas as violências acontecidas no âmbito da segurança pública no Brasil. E quando a gente tem uma chacina como essa, ela jamais é digna de ser chamada de operação policial, pelo contrário, isso foi uma chacina proposital, uma ordem de quem deve viver, de quem deve morrer”, afirma Brenna Vilanova do Movimento Negro Unificado (MNU).
Chega de chacina
Durante o ato político, foi lida uma nota assinada por mais de 30 organizações do Distrito Federal em repúdio à violência policial. “O que o governo chama de ‘guerra ao crime’ é, na verdade, uma guerra declarada contra as favelas e periferias, que há décadas suportam o terror do Estado travestido de política pública”, diz trecho da nota.

O documento também aponta que nenhuma justificativa de segurança pode “legitimar execuções, invasões de casas e a violação cotidiana do direito à vida. Rejeitamos a narrativa que naturaliza o genocídio e denunciamos o uso político da violência de Estado como instrumento de campanha. Enquanto o governo celebra números de mortos e presos, famílias negras choram seus mortos e veem seus territórios destruídos”.
Entre as exigências, as organizações pedem “reparação às famílias das vítimas e a revisão urgente das diretrizes de segurança pública no estado” e o “fim da política de morte que governa as favelas e o compromisso real com políticas de vida, trabalho, educação e dignidade”.
