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Após percorrer 3 mil km, barqueata por justiça climática e ambiental marca início da Cúpula dos Povos: ‘A resposta somos nós’

Ato nas águas que margeiam Belém reuniu mais de 300 lideranças indígenas, ribeirinhas, quilombolas e agricultores

Fonte: Brasil de Fato

Com caravanas de territórios regionais, nacionais e internacionais, ato com mais de 200 embarcações percorreu as margens da capital paraense, Belém, durante toda a manhã desta quarta-feira (12), demarcando o início da Cúpula dos Povos, maior mobilização da sociedade civil frente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), com a pluralidade de vozes do mundo que vão desde a defesa dos rios até a interrupção de grandes projetos do capital, como o Ferrogrão.

A Cúpula dos Povos é construída coletivamente por mais de 1.100 organizações, que se destacaram em lanchas, barcos e balsas a partir de grandes pautas em comum, em defesa da Amazônia e contra as falsas soluções climáticas, sob o lema A resposta é o povo das águas, das florestas e das periferias.

O cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, do povo Kayapó, é uma das vozes mais influentes do mundo em defesa do meio ambiente e participou da barqueata na Caravana da Resposta, espaço de denúncias que percorreu 3 mil quilômetros de estradas e rios da Amazônia trazendo 320 lideranças indígenas, ribeirinhas, quilombolas e agricultores familiares até Belém.

“Estou sabendo que o governo quer perfurar petróleo na Amazônia, quer fazer uma rodovia para escoar produtos perto das nossas terras e que, cada vez mais, o desmatamento está avançando. Se continuarem fazendo essas coisas ruins, vamos ter problemas. Não só nós povos indígenas, mas todos vocês!”, destacou o cacique Raoni.

Cacique Raoni criticou Ferrogrão e cobrou presidente Lula | Foto: Mariana Castro/Brasil de Fato

A simbologia de a Cúpula dos Povos iniciar a partir de uma barqueata reforça pautas como a dos pescadores artesanais, um dos primeiros a sofrerem os impactos de grandes empreendimentos, das mudanças climáticas e da degradação ambiental, como aponta o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP).

“Estamos trazendo a reinvindicação dos nossos direitos, que são os nossos territórios demarcados, o seguro defeso e também apresentando o sofrimento dos pescadores de todo o Brasil, que são um dos primeiros a sofrer com a poluição dos nossos rios”, explica a pescadora Vlademira Pimentel, do município de Alenquer (PA).

A barqueata saiu da Universidade Federal do Pará (UFPA), território da Cúpula dos Povos, e seguiu margeando o rio Guamá até a Vila da Barca, uma das maiores áreas periféricas de palafitas da América Latina que sofre com falta de água potável, de esgoto sanitário e condições dignas de vida.

Defesa dos rios da Amazônia foi destaque durante abertura da Cúpula dos Povos | Foto: Thomé Ortega

“Fizemos nesse formato de barqueata porque entendemos a importância dos rios e como eles trazem as convergências dos povos, que trazem as respostas reais para a crise climática e tem a água como elemento fundamental para a subsistência”, explica Elane Barros, do Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM).

Embarcações internacionais também se somaram e reforçam o compromisso mundial em torno das discussões climáticas, apontando a similaridade de impactos em todos os países do mundo, decorrentes do avanço de grandes empreendimentos e a exploração desenfreada dos recursos naturais.

“Ver organizações do mundo todo reunidas para destacar a situação de povos indígenas e outras comunidades é essencial, pois muitos ‘projetos de desenvolvimento’ têm sido impostos sem seu consentimento — suas vozes precisam ser ouvidas em uma plataforma global”, aponta Genny Ngende, sul africana da organização International Rivers.

A Cúpula dos Povos segue até o dia 16 de novembro, com uma programação diversificada e aberta ao público, que inclui grandes plenárias temáticas, atividades culturais, espaços para a infância e adolescência, marcha unificada e feira popular. Para encerrar, haverá um banquetaço a ser servido à população em situação de vulnerabilidade das áreas urbanas de Belém, reforçando que a solução vem dos próprios povos.

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