Na terça-feira (2/12), o programa TV MPA mostrou a íntegra, e com exclusividade, o ato de lançamento do Caderno 1 – Agroecologia Camponesa e Promoção da Saúde – Experiências na construção da soberania alimentar no campo e na cidade, que ocorreu na Tenda Paulo Freire, no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que está sendo realizado em Brasília.
O caderno é uma parceria entre a Fiocruz e o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) e apresenta 527 experiências na construção da soberania alimentar no campo e na cidade, envolvendo oito estados, 298 municípios, 24.210 famílias articuladas, mais de 50 pesquisadoras e pesquisadores e profissionais envolvidos e mais de 15 políticas e programas públicos.
Os principais temas das atividades realizadas, em ordem decrescente, em termos de percentagens, apontados pelo Caderno são os seguintes: alimento, soberania alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional; Campesinato, povos comunidades tradicionais e outros modos de vida; políticas públicas e fomento; mulheres e feminismos; impactos das grandes obras, empreendimentos e outras violências; arte, cultura e comunicação; biodiviersidade e bens comuns; construção social e mercados; resiliência socioecológica e mudanças ambientais; terra, território e ancestralidade; práticas de cuidado em saúde e medicina tradicional; educação e construção do conhecimento agroecológico; águas e saneamento; agricultura urbana e periurbana; cooperativismo e outros arranjos comunitários; outras; manejo dos agroecossistemas; juventudes; economia solidária e outras economias; e agrotóxicos e transgênicos.

PROGRAMA TV MPA
O programa TV MPA de terça (2) dedicou 30 minutos do seu tempo ao lançamento do Caderno. O jornalista gravou as principais falas do ato de lançamento, que foram exibidas com exclusividade.
Logo no início do programa, ao ressaltar os 21 dias de ativismo contra a violência contra a mulher, Paulo Miranda cita o livro Mulheres Camponesas: Trabalho Produtivo e Engajamentos Políticos, das organizadoras Delma Pessanha Neves e Leonilde Servolo Medeiros.
“É um livro do MPA, um verdadeiro instrumento de trabalho na sua mão para que você possa conhecer a história das mulheres camponesas desse país, elas merecem”, reforça o jornalista.
Paulo Miranda afirma que o MPA existe porque existem mulheres camponesas. “Não existe agroecologia sem feminismo”, enfatiza. Ao longo do programa, é exibido um vídeo do Brajeiradas Campesinas Popular (Especial Saúde), que fala sobre uma pós-graduação da Unicentro e Fiocruz de Brasília. O vídeo mostra um programa sobre desenvolvimento comunitário com foco na saúde de municípios do Paraná.
Logo após o Brajeiradas Campesinas, é exibido outro vídeo que aborda o lançamento do caderno “Agroecologia Camponesa e Promoção da Saúde”, sob a coordenação de Danúbia Gardênia, da Fiocruz do Rio de Janeiro, e Denilva Araújo, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores.
Denilva Araújo inicia a roda de conversa recitando um cordel que fala de vários estados e territórios sobre agroecologia camponesa. “É com muita alegria e emoção que lançamos esse caderno, foram passos que iniciaram em 2011 junto à Fiocruz e ele reúne experiências de oito estados. É o lançamento de um ciclo que não se encerra, pois há muitos ciclos por vir e seguimos firme com a cooperação”, afirma.

Denilva menciona que no Sítio Mendes, em Alagoas, há um banco de sementes comunitário que garante autonomia das famílias. Já na Bahia, a experiência do Quilombo Várzea Queimada mostra a identidade do território. O estado de Sergipe traz a experiência do Arroz Velho Chico. No Rio de Janeiro, o programa Raízes do Brasil promove o diálogo entre campo e cidade através do alimento.
Além desses, Denilva Araújo destaca que no Rio Grande do Sul há a experiência das sementes crioulas, que mostra a biodiversidade e resistência mesmo em tempos de mudanças climáticas. No Espírito Santo, as experiências das agroflorestas e transição agroecológica são destacadas. Em Santa Catarina, a experiência da juventude camponesa e agroecologia é apresentada. E, por último, Minas Gerais traz as práticas de hortas comunitárias e resistência do cooperativismo.
A representante da Fiocruz, Danúbia Gardência, ressaltou a conexão com o MPA, que possibilitou o lançamento do Caderno no Abrascão (Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva) e poder falar sobre a agroecologia e a saúde. Ela ressaltou o intenso trabalho das pesquisadoras Carol Coelho e a Lorena Nari, que não puderam vir a Brasília, por sistematizarem a potência nos territórios e coordenações estaduais do MPA.
Neidinha, de Alagoas, disse que acompanha o MPA desde Recife ao citar uma das pesquisadoras da Fiocruz, de nome Lorena, também responsável pelo Caderno. Citou também Teresa Siqueira, da Rede Mutum de Agroecologia de Alagoas, e também Celete Barbosa, “a nossa grande liderança”. E prometeu levar um pacote do Caderno para distribuir em Alagoas, numa região de 14 de comunidades quilombolas e indígenas.
Raniele, uma das lideranças do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), abriu sua fala com uma poderosa canção do movimento cujo refrão diz: “Somos terras e filhas das sementes que florescem em luta e união. Na coragem bordamos o cuidado com a vida para sempre”. “E esse cuidado da vida é para sempre, e nossos movimentos priorizam a vida”, diz. Segundo ela, o hino foi tecido por muitas mãos, é gigantesco e o refrão, da agroecologia, das nossas sementes e dos nossos quintais”, finaliza.
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