Diante de seguidos episódios de assassinatos e outros tipos de violência contra meninas e mulheres e para marcar os 21 dias de ativismo contra a violência contra as mulheres, o Levante Mulheres Vivas, composto por mais de 200 instituições de Brasília, realizou manifestação na Torre de TV, no domingo, dia 7 de dezembro.

Organizado de forma voluntária por grupos independentes de mulheres, o movimento, de caráter suprapartidário, nasce como reação à escalada da violência de gênero e aos casos recentes de extrema brutalidade que chocaram o país.
Durante a manifestação, a primeira-dama Janja destacou a necessidade de mais mulheres nos parlamentos brasileiros e defendeu penas mais duras para crimes de feminicídio. “Que nenhuma de nós tombe nas mãos de um cafajeste”, disse.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu penas mais rigorosas aos homens que agridem mulheres. Lula chamou os agressores de “animais” e pediu uma união nacional masculina contra a violência de gênero.
O presidente ainda se emocionou ao citar os casos recentes de agressão. A afirmação do presidente foi durante a cerimônia de ampliação da capacidade operacional na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Em outubro do ano passado, Lula sancionou a lei que visa acelerar o julgamento de crimes de violência doméstica e familiar. A pena base para feminicídio, que é um crime hediondo, é de 12 a 30 anos de reclusão, mas o presidente tem defendido um endurecimento geral das sanções a agressores.
O protesto contou também com a participação das ministras Anielle Franco (Igualdade Racial), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Márcia Lopes (Mulheres). A diretora da TV Comunitária de Brasília, Rosilene Corrêa, a deputada Érika Kokay e o deputado distrital Chico Vigilante também participaram do Ato na Torre.
A ministra da Igualdade Racial Anielle Franco pediu o fim da violência contra as mulheres e lembrou da morte da irmã dela Marielle Franco. Ainda segundo a ministra, as mulheres estão cansadas de apenas reivindicar após outras mulheres serem mortas.
Quem também esteve presente no ato foi a ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck. Segundo ela, a ideia é fortalecer cada vez mais os projetos de combate à violência contra a mulher nas ruas e nas estruturas do governo federal e lembrou das mortes de duas professoras no CEFET no Rio de Janeiro e da morte no Exército em Brasília. “A gente vai fortalecer cada vez mais para que nunca mais aconteça nenhuma morte no Brasil”, afirmou.
Ao finalizar seu discurso, a deputada federal Érika Kokay disse: “Chega de silêncio, chega de morte, chega de abandono! Nossa luta é por vidas, pelo direito de existir sem medo. Some sua voz, sua força, sua revolta. Por nós, pelas que vieram antes e pelas que precisam viver”.
Várias lideranças que subiram ao palco exigiram o reconhecimento da misoginia como crime específico, uma vez que manifestações de ódio, desprezo, violência simbólica e ataques dirigidos a mulheres pelo gênero estruturam e sustentam todas as formas de violência, inclusive o feminicídio.

Ainda na Torre, o ato contou com intervenções artísticas, leitura de manifestos, homenagens às vítimas e ações conjuntas com movimentos sociais e grupos femininos do DF. Entre as reivindicações da mobilização nacional, estão:
- Delegacias da Mulher 24h e atendimento especializado;
- Casas-abrigo e acolhimento imediato;
- Medidas protetivas rápidas e investigação sem demora;
- Autonomia emergencial para mulheres em risco;
- Proteção de filhos e filhas;
- Paridade de gênero no poder público;
- Combate à violência digital e aos discursos de ódio.
Veja onde teve mais protestos no país:
São Paulo (SP): 14h, vão do Masp
Rio de Janeiro (RJ): 12h, Posto 5 – Copacabana
Curitiba (PR): 10h, Praça João Cândido – Largo da Ordem
Cuiabá (MT): 14h, Praça Santos Dumond
Campo Grande (MS): 13h, em frente ao Aquário do Pantanal
Manaus (AM): 17h, Largo São Sebastião
Parnaíba (PI): 16h, em frente ao Parnaíba Shopping
Belo Horizonte (MG): 11h, Praça Raul Soares
Porto Alegre (RS): 17h, Praça da Matriz
São José dos Campos (SP): 15h, Largo São Benedito
Salvador (BA): 10h, Barra (do Cristo ao Farol)
São Luís (MA): 9h, Praça da Igreja do Carmos (Feirinha)
Belém (PA): 8h, Boulevard Gastronomia
Teresina (PI): 17h, Praça Pedro II
Roraima (RR) – 16:30h, Assembleia Legislativa

