Marco Baratto fala sobre a luta do MST no DF e Entorno e dos 41 anos de vitória do MST Brasil
Na quinta-feira, 4 de dezembro, o programa Brasília Notícias recebeu o coordenador do MST/DF e Entorno, Marco Baratto, para um balanço das lutas de 2025 dos trabalhadores rurais sem terra no DF e região do Entorno, além de discutir o cenário para 2026. A apresentação é do jornalista e diretor da TV Comunitária de Brasília, Paulo Miranda.
O coordenador do MST Marco Baratto pontua que 2025 está sendo um ano difícil, pois a perspectiva que eles tinham dos avanços da reforma agrária, principalmente do acesso à terra, desapropriação e criação de novos assentamentos, era diferente. “Temos atualmente 100 mil famílias do MST em condição de acampados da reforma agrária, contabilizadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)”, destaca.
Baratto afirma que muito provavelmente esse número irá aumentar em 2026. “Não tivemos por parte do governo, nem do ponto de vista financeiro-econômico, nem do ponto de vista político, uma ação eficaz que conseguisse dar uma centralidade na resolução dessa pauta, por não ser uma prioridade do governo nesse momento”, diz.
“A história da luta pela terra e questão agrária no Brasil é de séculos de concentração de propriedade, renda e poder. O latifúndio atrasado ainda impera em diversos municípios e não deixou de existir”, relata o convidado da edição.
O jornalista e apresentador Paulo Miranda completa dizendo que é difícil fazer esse enfrentamento porque, segundo ele, ainda há um atraso político de coronéis e eles avançam de forma violenta contra os povos tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, e contra o MST.
Segundo Marco Baratto, não houve uma manifestação do Ministério da Fazenda nem do Ministério do Planejamento de reforçar o orçamento para o Incra e para o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), de efetivação das políticas da reforma agrária.
“Precisamos sair da nossa zona de conforto, nós do MST e toda a esquerda temos que ir para onde o povo está, falar menos e ouvir mais”, enfatiza.
O coordenador do MST revela que os próximos passos são ir para a periferia, que é onde o povo mais precisa de ajuda. “Já vimos o potencial que eles têm e os problemas que estão ali nas periferias. Então, essa pauta não pode ser capturada pela direita, porque não é a pauta deles. O interesse deles é meramente eleitoral e oportunista. Há ali problemas históricos que a gente discute em nossas organizações”, afirma.
Marco Baratto diz ainda que o cenário alimentar no mundo é caótico e que dialoga com o debate da crise climática. “São os setores do agronegócio que geram insegurança alimentar e é esse sistema que também impede que as nações sejam soberanas do ponto de vista alimentar e nutricional”, explica. “Quando falamos em soberania, estamos falando da nossa capacidade não só de alimentar o povo bem, mas da capacidade de ser dono dos nossos próprios meios de produção”, completa.
Ao final da edição, o coordenador do MST Marco Baratto, diz esperar que esse fim de ano seja de esperança e que em 2026 as pessoas consigam vislumbrar uma sociedade mais justa e igualitária.
“Esse dezembro de 2025 é o momento de olharmos para nós e para nossas organizações, debatendo que precisamos resgatar nossos valores para recolocá-los em um diálogo franco com a sociedade”, conclui.
Por Kelly Jenyfer – @kellyjenyferjornalista
Confira íntegra da entrevista no link:
