No Povo Negro, Valéria Assunção defende investimento na cultura construída na periferia
O programa Povo Negro, ancorado pela produtora artística e empreendedora Valéria Assunção, faz um balanço da agenda cultural de 2025 e antecipou o que vem aí em 2026. Uma conversa sobre cultura, criação e futuro. O programa ao vivo foi transmitido na quarta-feira (17/12), no estúdio da TV Comunitária de Brasília.
Valéria Assunção destaca que a primeira coisa a ser reforçada é que a cultura não é feita sozinha. “Muitas vezes, pensamos que a cultura do Brasil é determinada por algumas pessoas, mas, na maioria das vezes, a cultura está segregada e em lugares específicos e periféricos”, pontua.
A produtora artística cita um evento que ela começou a produzir em setembro, o Under7 Club, um encontro de artistas independentes do DF. “É um evento que, a cada edição, mostra o poder que os artistas têm de se conectar e também revela como estava faltando esse espaço de apreciação e como isso será fortalecido em 2026”, diz.
Assunção menciona que as pessoas acham que o acesso à cultura é exclusivo da elite, e isso é um equívoco segundo ela. “A cultura brasileira foi construída nas periferias, mas acabamos caindo em uma desigualdade muito grande, porque as pessoas que produzem cultura na periferia não são as mesmas que têm acesso a grandes investimentos no setor cultural do Brasil. Isso é uma problemática que ronda muito o setor cultural brasileiro”, observa.
A apresentadora afirma que a cultura negra deixou de ser apenas tendência e se tornou protagonista em 2026. “Percebemos isso em um evento muito grande que aconteceu em Salvador, o Afropunk. Esse evento tomou uma proporção gigantesca pelo Brasil e acredito que em 2026 também teremos eventos que contemplem essa cultura negra”, enfatiza.
Assunção finaliza a edição afirmando que espera que o setor da cultura cresça no Brasil em 2026. “Que não cresça só para a elite, mas principalmente nas periferias e nos produtores culturais que muitas vezes não têm CNPJ. Que consigamos reestruturar isso, tornando a cultura cada vez mais ampla para todos”, reforça.
*Por Kelly Jenyfer – @kellyjenyferjornalista
Assista a íntegra desta edição:
