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Brasil tem queda de assassinatos, porém aumenta o número de feminicídios em 2025

Brasil tem queda de assassinatos, porém aumenta o número de feminicídios em 2025

Brasil bate novo recorde de feminicídios em 2025; ao menos 4 mulheres são assassinadas por dia no país

Publicado em: 20/01/2026

O Brasil registrou queda no número de assassinatos pelo quinto ano consecutivo. Em 2025, foram contabilizadas 34.086 mortes violentas, contra 38.374 em 2024 — uma redução de 11%.

Em 2025, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, batendo o recorde do ano anterior, que havia registrado 1.464 assassinatos, o maior dos últimos seis anos. Entre 2020 e 2025, o Brasil registrou 8.557 mulheres vítimas de feminicídio. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que mostram uma média de cerca de quatro mulheres mortas por dia em razão do feminicídio no ano passado.

O número de feminicídios em 2025 pode ser ainda maior, uma vez que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não enviaram os dados referentes aos crimes de dezembro. Isso evidencia o padrão de crescimento desse tipo de crime nos últimos anos. De 2020 a 2025, o aumento foi de 9,1%.

Mesmo sem os números de dezembro, São Paulo é o estado com mais casos em 2025: 233. Minas Gerais é o segundo, com 139, seguido pelo Rio de Janeiro, 104. O Rio Grande do Sul é o sétimo estado, com 80 feminicídios.

Feminicídios em relação ao número de habitantes

Em números absolutos, São Paulo, o estado mais populoso do país, é o primeiro com mais crimes de feminicídio, mas registra uma das taxas mais baixas entre feminicídios e número de habitantes, 0,5. Os estados com as maiores taxas são: Acre 1,58; Rondônia, 1,43; Mato Grosso lidera, 1,36; Tocantins, 1,2; Amapá, 1,12; Piauí, 1,12; Mato Grosso do Sul, 1,09. No Rio Grande do Sul, a taxa foi de 0,71 feminicídios por 100 mil habitantes em 2025.

Crescimento de mais de 300% em 10 anos

A tipificação do feminicídio, quando uma mulher é morta pelo fato de ser mulher, foi criada em 2015.

Naquele ano, foram registradas 535 mortes de mulheres nessa circunstância. Houve crescimento de 316% em dez anos na comparação com 2025. Ao longo desse período, os números cresceram a cada ano, sem nenhum recuo.

Em dez anos, 13.448 mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano. Nesse período, São Paulo é o estado com o maior número de feminicídios, 1.774. Em seguida vêm Minas Gerais, 1.641, e Rio Grande do Sul, com 1.019 assassinatos de mulheres.

O número de tentativas de feminicídio também aumentou. O ano de 2025 registrou o total de 3.702 tentativas, uma variação de 16,3% em relação ao ano anterior, com 3.185. De 2020 até 2025, foram 15.214 casos de tentativas de assassinato contra mulheres, um aumento de 121,41%.

Legislação

A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação abrange assassinatos de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.

Em 2024, o crime cometido contra mulheres por razões de gênero deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser tipificado como um crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.

Em 2026, a Lei do Feminicídio completa 11 anos desde a sanção da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 9 de março de 2015. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que endurece a pena para quem cometer o crime. Agora, a prisão pode ser de até 40 anos, a maior prevista no Código Penal. Também haverá maior punição para ocorrências de lesão corporal e violência doméstica.

Com informações de G1 e Folha de S. Paulo

Brasil tem queda de assassinatos pelo quinto ano seguido, aponta Ministério da Justiça

Os dados, computados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, ainda não incluem as estatísticas referentes ao mês de dezembro dos estados de São Paulo e da Paraíba. As informações desses dois estados não haviam sido inseridas no sistema do governo federal até a publicação da reportagem, e não há prazo definido para a atualização.

Entre janeiro e novembro, SP registrou em média 228 mortes violentas por mês. Na Paraíba, a média foi de 79 casos por mês. Se a média se mantiver em dezembro, seriam cerca de 300 casos a mais no balanço nacional. Ainda assim, haveria uma queda anual de 10,4%.

Entram na conta como mortes violentas os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela divulgação.

Redução de assassinatos é tendência

Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.

O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.

Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios.

“Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar”, afirma.

Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassinatos.”Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados”, diz.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.”É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda”, afirma.

Variações por regiões

A queda nacional nos homicídios também ocorreu nas cinco regiões do país.

  • Sul: – 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
  • Centro Oeste: – 18% (de 2.682 para 2.204);
  • Norte: – 11% (de 4.304 para 3.829);
  • Nordeste: – 10% (de 17.052 para 15.412);
  • Sudeste: – 8% (de 10.401 para 9.586).

Considerando os estados, as maiores reduções foram em Mato Grosso do Sul (- 28%), Paraná e Rio Grande do Sul (- 24% em ambos os casos).

Por outro lado, Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%) e Roraima (9%) registraram alta.

Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) lideram quando se considera o número absoluto de mortes violentas. Acre (204), Acre (179) e Roraima (139) tiveram os números mais baixos.

Taxa de assassinatos por 100 mil habitantes

Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) encabeçam o ranking das maiores taxas de mortes violentas a cada grupo de 100 mil habitantes.

A média nacional é de 15,97. Em 2024, essa taxa foi de 18,05 assassinatos por 100 mil habitantes.

Recorde nos feminicídios em 2025

Já o número de feminicídios bateu recorde em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme os dados do ministério. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

Foram ao menos quatro mulheres mortas por dia no ano passado.

Os números devem crescer mais, com os dados de dezembro de São Paulo e Paraíba, que ainda não foram atualizados na base do governo federal.

A tipificação de feminicídio foi criada em 2015. O crime ocorre quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher. Naquele ano, ocorreram 535 mortes de mulheres nessa circunstância. Os dados apontam um crescimento de 316% em 10 anos. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que aumentou as penas para quem comete feminicídios, que podem variar de 20 a 40 anos de prisão.

Foto: Divulgação/GOVBA

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