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‘Desastre provocado por Bolsonaro’: Há cinco anos, Brasil vivia pior momento da pandemia de covid-19

‘Desastre provocado por Bolsonaro’: Há cinco anos, Brasil vivia pior momento da pandemia de covid-19

Sanitarista Gonzalo Vecina recorda crise que colapsou sistema de saúde em Manaus

A crise de Manaus foi um dos momentos mais emblemáticos da pandemia no Brasil
A crise de Manaus foi um dos momentos mais emblemáticos da pandemia no Brasil | Crédito: Michael Dantas/AFP

Em janeiro de 2021, o Brasil viveu o momento mais crítico da pandemia de covid-19. Manaus, capital do Amazonas e sétima cidade mais populosa do país, viu o sistema de saúde colapsar. A falta de balões de oxigênio nos hospitais públicos causou dezenas de mortes.

Familiares de pacientes tentavam, em vão, buscar cilindros para levar aos hospitais em busca de salvar as vidas das pessoas internadas. Unidades de saúde trancaram as portas por não conseguirem receber mais pessoas com a doença. Houve quem viajasse para outros estados em busca da sobrevivência. Cinco anos depois, ninguém foi responsabilizado.

BdF entrevista desta terça-feira (27) recebe o médico sanitarista Gonzalo Vecina, um dos idealizadores do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele contou que, àquela época, ainda havia a suspeita de que a “imunidade de rebanho” seria suficiente para conter o avanço da doença. Entretanto, o surgimento da variante gama do vírus, que chegou a ser chamada de “variante de Manaus”, mostrou que havia possibilidade de reinfecção.

Na época, o acompanhamento das ocorrências da doença eram feitos a partir de amostras de coletas feitas em doações de sangue. Testes de identificação mostraram que, em julho de 2020, 76% dos doadores de sangue de Manaus já tinham tido contato com o vírus – ou seja: a cidade, naquele momento, já estava em condições de imunidade de rebanho.

“A primeira variante, alfa, matou, no Brasil algo em torno de 200 mil pessoas. A variante gama matou 400 mil pessoas. Ela era mais letal e ela era mais infectante. Na média, o que nós descobrimos é que cada pessoa infectada, no mínimo, infectava mais três. E essas três, mais nove. E assim vai numa progressão geométrica”, relatou o especialista.

A gama era a variante mais comum em Manaus no período da crise. Os pacientes deixavam de saturar, ou seja, de concentrar o oxigênio em seus organismos. Na ocasião, bolsonaristas faziam campanha ostensiva contra medidas como lockdown – algo que se repetiu com frequência em Manaus.

“Enquanto não tivesse vacina, a saída era o lockdown. O que aconteceu? O Brasil, um país de 200 milhões de habitantes, teve quase 1 milhão de mortes. A China, um país de 1 bilhão e 400 milhões de habitantes, teve 15 mil mortes”, comparou.

Tiveram impacto, também, as alternativas de ‘tratamento’ que o bolsonarismo defendia de maneira apaixonada, como a aplicação de medicamentos como ivermectina, hidroxicloroquina e azitromicina. O uso desses remédios foi incentivada pelo próprio governo à época, enquanto ignorava ofertas para que o país recebesse as vacinas em desenvolvimento.

Para Gonzalo Vecina, o governo Bolsonaro sujou “terrivelmente” suas mãos de sangue. “Foi oferecida a vacina da Pfizer, por escrito, e há documentação dos e-mails que o presidente da Pfizer no Brasil enviou para o Ministério da Saúde, e o Ministério da Saúde não quis comprar”, lembrou.

Além de atrasar a chegada da vacina ao país, o governo Bolsonaro também atuou para dificultar a produção da vacina Coronavac pelo Instituto Butantan.

“Foi um desastre provocado pelo Bolsonaro. Não só não fez lockdown, não só não conseguiu melhorar minimamente as condições de vida nas cidades, como também, ele foi totalmente contra fechar a economia”, resumiu o especialista.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato, o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Nathallia Fonseca

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