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Fim da escala 6×1, taxação dos super-ricos e tarifa zero: movimentos definem pautas e calendário de lutas para 2026

Fim da escala 6×1, taxação dos super-ricos e tarifa zero: movimentos definem pautas e calendário de lutas para 2026

Encontro debateu conjuntura política e denunciou agressões dos EUA contra a América Latina

A coordenação Nacional da Frente Brasil Popular (FBP) se reuniu em SP para debater a conjuntura e planejar as lutas de 2026.
A coordenação Nacional da Frente Brasil Popular (FBP) se reuniu em SP para debater a conjuntura e planejar as lutas de 2026. | Crédito: Frente Brasil Popular

Uma assembleia reuniu diversos movimentos populares do país nesta quarta-feira (4), em São Paulo. O objetivo do encontro foi definir um calendário de lutas de 2026, além de analisar a conjuntura política atual. O evento foi organizado pela coordenação Nacional da Frente Brasil Popular (FBP).

Estiveram presentes representantes de partidos políticos, movimentos e sindicatos, entre eles a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a União da Juventude Socialista (UJS) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outros.

“Nós estamos discutindo o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, a defesa da soberania nacional, a taxação dos ricos, tarifa zero. Todas essas são pautas que têm que ser levantadas com prioridade pelo movimento neste ano, apostando com força na mobilização de rua, como a gente fez ano passado”, afirmou Juliana Donato, da FBP.

A ativista destaca ainda a necessidade de desenvolver instrumentos para disputar essas pautas junto à classe dos trabalhadores nos “locais de trabalho, estudo e moradia”.

A reunião anual destacou no calendário unitário das lutas populares em defesa dos direitos da classe trabalhadora no Brasil o compromisso no combate às violências e o feminicídio, além de reafirmar a defesa da democracia no país.

Judite Santos, liderança do MST, reforçou o engajamento das frentes contra a violência contra as mulheres e o feminicídio, e também a necessidade da construção de mais ações que considerem a emergência climática. “A gente precisa aprofundar esse debate, construir mais mobilizações em torno da pauta da crise ambiental.”

A ativista ainda pontuou que o momento é de ainda mais solidariedade a Cuba. “A situação no país está bastante agravada e nós, enquanto movimentos populares, além de levantar a bandeira de solidariedade e de ajuda a Cuba, precisamos também pressionar o governo brasileiro para que se posicione e comece o envio de petróleo, enfim, para o fortalecimento da resistência cubana.”

Também no que se refere ao cenário internacional, as lideranças chamaram a atenção para denúncias ao genocídio na Palestina e às agressões perpetradas pelos Estados Unidos (EUA) na Venezuela, bem como o sequestro do presidente Nicolás Maduro e a Deputada Cilia Flores. Os militantes ainda criticaram o recrudescimento do bloqueio econômico contra Cuba e as ameaças de invasão.

Pautas prioritárias

De acordo com a Frente Brasil Popular, este ano será de “grandes desafios para o conjunto da esquerda brasileira, tendo em vista o pleito eleitoral do segundo semestre”. O movimento destaca ainda que as organizações “se colocam, nesta conjuntura, como articulação importante de luta e organização da classe trabalhadora na construção da unidade do campo político e popular.”

Na área da educação, Pedro Lucas Soares, diretor de políticas educacionais da executiva da UNE, afirma que há um projeto de lei de estágio em vias de aprovação para aprimorar as leis trabalhistas desses profissionais. “Nós estamos construindo esses elementos.”

O orçamento das universidades públicas também aparece entre as pautas principais da gestão, assim como a construção de campanhas contra aumentos abusivos das mensalidades de universidades particulares. “Nós queremos que a educação seja nacional, que a educação construída no Brasil retorne como desenvolvimento, como pesquisa, como extensão, que solucione os problemas reais do nosso país e que não seja objeto de interesse lucrativo de outros países que não pensam na educação e que não pensam na graduação dos estudantes brasileiros.”

O integrante da UNE também avalia que é preciso recompor o orçamento das universidades, que de acordo com ele “precisam cada vez mais ter condições de se manter vivas, não permanecer reféns da Câmara dos Deputados com emendas parlamentares”.

Já Milton Rezende, da Direção Nacional da CUT, destaca a regulamentação do trabalho dos entregadores em aplicativos, que também está no Congresso Nacional. “É um ano que inicia com muita força e com muita necessidade de mobilização política.”

Ele ainda celebrou o recebimento de salário dos trabalhadores com pagamentos de R$ 5 mil, que pela primeira vez veio sem o desconto do imposto de renda. “Nós estamos comemorando o dia cinco, que é o dia em que todos os trabalhadores estão recebendo o seu primeiro salário sem o desconto de imposto de renda, para aqueles que ganham até R$ 5 mil.”

Raíza Guimarães, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), pontuou a importância de que os programas de moradia como o Minha Casa Minha Vida tenham continuidade neste ano.

“É muito importante que a gente tenha continuidade desse programa nos próximos quatro anos, para que a gente consiga fazer com que as pessoas que saíram da linha da fome, também saiam da linha da miséria e da linha das pessoas sem moradia.”

Ela destaca que prefeituras têm utilizado o orçamento de moradia popular para construir estúdios ou microapartamentos “menores do que uma cela na Papuda”. Diante disso, Raiza afirma que é preciso travar uma luta contra a especulação imobiliária. “Precisamos colocar que a pauta agora, nessa conjuntura, é também de moradia digna, saneamento básico.”

Calendário de lutas do primeiro semestre

O calendário de mobilizações para o primeiro semestre de 2026 inicia em fevereiro com o foco voltado para a justiça tributária no dia 5, seguido por plenárias eleitorais em São Paulo no dia 11 e em Minas Gerais no dia 27.

O mês de março concentra diversas frentes de luta, começando pela solidariedade à Venezuela no dia 3, atos nacionais no dia 8 e paralisações escolares nos dias 13 e 27.

Ainda em março, ocorrem manifestações pelos atingidos por barragens no dia 14, um ato de juristas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no dia 16 e um encontro sobre a taxação dos super-ricos em Brasília entre os dias 16 e 18, encerrando com protestos contra os juros altos na Avenida Paulista e em Brasília no dia 17.

Em abril, a agenda destaca a denúncia dos horrores da ditadura no dia 1, o dia mundial da saúde no dia 7 e uma grande marcha das centrais sindicais e da educação em Brasília no dia 15. O período também conta com a jornada do Abril Vermelho do MST, o congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) entre os dias 16 e 19, o encontro nacional do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) em Brasília de 18 a 21 e o dia dos negros e negras da UNE no dia 30.

O mês de maio é marcado pelo dia da classe trabalhadora no dia 1 e uma mobilização nacional no dia 31, enquanto junho foca no meio ambiente com o plantio de árvores no dia 5.

Por fim, julho celebra a mulher negra latino-americana e caribenha no dia 25, abrindo caminho para o calendário eleitoral oficial.

Editado por: Nathallia Fonseca

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