Do UOL, em Brasília e em São Paulo – Eduardo Militão e Victoria Bechara
O bolsonarista George Washington de Oliveira Sousa, condenado por tentar explodir uma bomba nas proximidades do aeroporto de Brasília em 2022, está foragido há 45 dias.
O que aconteceu
Mandado de prisão foi aberto em 25 de junho, após ordem de Alexandre de Moraes. O ministro acolheu denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), de 18 de junho, pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e atentado contra a segurança de transporte.
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Em 18 de julho, o ministro do STF determinou a notificação de George Washington por edital. Esse procedimento ocorre quando não é possível notificar alguém pelos meios tradicionais. Moraes afirmou que o réu “está foragido e, portanto, encontra-se em local incerto e não sabido” e deu prazo de 15 dias, mas ainda não houve resposta. O UOL não conseguiu localizar a defesa de George Washington — ele não tem advogado constituído no processo que tramita no STF.
O episódio aconteceu em 24 de dezembro de 2022, na véspera de Natal. Bolsonaristas colocaram um artefato explosivo em um caminhão-tanque próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília. A bomba não explodiu devido a uma falha técnica.
George confessou ter plantado a bomba. Em depoimento à PC-DF (Polícia Civil do Distrito Federal), ele afirmou ter gasto R$ 170 mil com armas para um possível atentado organizado em Brasília.
PGR viu ligação com os atos golpistas.
Segundo o órgão, o objetivo era detonar a bomba e, assim, “provocar medo generalizado e comoção social para desencadear um estado de exceção no país” após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições.
Os outros dois envolvidos no caso estão presos. Alan Diego dos Santos Rodrigues está em um presídio de Comodoro, em Mato Grosso, e Wellington Macedo de Souza está na penitenciária do Distrito Federal.
George foi condenado em primeira instância e chegou a ser preso. A Justiça do Distrito Federal fixou pena de nove anos e quatro meses de prisão.
Ele foi para o regime aberto em fevereiro de 2025. Na ocasião, o juiz entendeu que o réu cumpriu os requisitos para a mudança de regime por não ter cometido falhas disciplinares no presídio.
O caso foi para o STF em maio deste ano.
Moraes acolheu a manifestação da PGR, que reconheceu a competência da corte para analisar o caso por causa da ligação com os atos de 8 de Janeiro e outras manifestações golpistas.
