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50 anos do assassinato de Herzog – Audálio Dantas: a voz que rompeu o silêncio da ditadura com a morte de Vladimir Herzog

Sua voz ajudou a transformar o luto em movimento e a mentira em verdade histórica

Por Geraldo de Majella* – Fonte: 082Notícias – 25 de outubro de 2025

Em 1975, quando o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, o país vivia um dos períodos mais sombrios da ditadura militar. À frente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), Audálio Dantas tornou-se uma das figuras centrais na denúncia do crime e na mobilização pública que rompeu o silêncio imposto pela repressão.

Eleito presidente do Sindicato em 1975, Audálio assumiu a direção da entidade com o compromisso de defender o jornalismo como instrumento de liberdade e dignidade humana. Ao receber a notícia da morte de Herzog — apresentada pelo regime como “suicídio” —, foi um dos primeiros a contestar a versão oficial. Sua atuação foi decisiva para transformar a indignação dos jornalistas em ação coletiva.

Sob sua liderança, o SJSP reuniu profissionais de imprensa, intelectuais e lideranças religiosas para exigir esclarecimentos sobre o caso e denunciar a violência do Estado. A pressão culminou no ato ecumênico realizado em 31 de outubro de 1975, na Catedral da Sé, em São Paulo — uma cerimônia de sétimo dia que se transformou no primeiro grande protesto público contra a ditadura desde o AI-5.

Celebrada por Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, a missa reuniu cerca de 8 mil pessoas, entre jornalistas, artistas, estudantes e cidadãos comuns, em um ato pacífico e silencioso que marcou a história da resistência civil.

Audálio Dantas conduziu o Sindicato dos Jornalistas como um espaço de coragem em meio ao medo. Foi ele quem deu voz à categoria, denunciando o assassinato de Herzog e o uso sistemático da tortura como método de repressão política. Sua postura firme e pública provocou a ira dos militares, mas também inspirou uma nova geração de profissionais comprometidos com a verdade.

Décadas depois, Audálio relatou sua experiência no livro As duas guerras de Vlado Herzog (Civilização Brasileira, 2012), obra em que reconstrói o contexto da morte do colega e o impacto que o episódio teve sobre o jornalismo e a sociedade brasileira.

Hoje, o nome de Audálio Dantas é lembrado como símbolo da ética jornalística e da resistência democrática. Sua voz ajudou a transformar o luto em movimento e a mentira em verdade histórica — um legado que permanece fundamental para a defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos no Brasil.

(*) Historiador e Jornalista.

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