Atualmente há cerca de 600 defuntos de papel nas Forças Armadas.
Opinião
Vem aí o espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais golpistas
Josias de Souza • Colunista do UOL
17/11/2025 04h58
Bolsonaro e oficiais das “minhas Forças Armadas” passarão por ritual da desonra militar
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Dois espetáculos não cabem no mesmo palco.
Ou no mesmo evento histórico. Dividido entre uma apresentação e outra, a plateia correria o risco de não prestar a devida atenção a nenhuma das duas.
Ainda está em cartaz, no Supremo Tribunal Federal, o último capítulo do processo contra os réus do núcleo principal do complô do golpe.
Mas o show da democracia tem que continuar.
A contagem regressiva para que o Supremo torne as condenações definitivas e irrecorríveis, impõe às Forças Armadas o lançamento de um espetáculo novo: o ritual da desonra de Bolsonaro e seus aliados de farda.
Junto com o capitão, líder da organização criminosa do golpe, já foram condenados por crimes contra a democracia três generais (Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira) e um almirante (Almir Garnier).
Exército e Marinha devem ao país informações sobre o processo de expurgo dos cinco membros do estado-maior do golpe. Precisam perder as patentes. Deveriam ser expulsos também da folha de aposentados. Mas a encenação inclui as mortes simuladas.
Ainda que sejam punidos com rigor máximo pelo Superior Tribunal Militar, Bolsonaro e seus aliados de farda serão declarados “mortos fictos” —ou “mortos vivos”. Os vencimentos passam a ser recebidos por familiares.
Há cerca de 600 defuntos de papel nas Forças Armadas. Esposas, companheiras e filhas de militares expulsos recebem do tesouro algo como R$ 25 milhões por ano. A remuneração de zumbis golpistas por meio de familiares adicionará escárnio à aberração.
