Evento histórico debate maior papel dos movimentos populares no bloco de países do Sul Global
Fonte: Brasil de Fato – Rio de Janeiro (RJ) – Rodrigo Durão Coelho
A primeira Cúpula Popular que ocorre a partir desta segunda-feira (1º) encerra o calendário de 2025 do Brics, ano em que o Brasil esteve na presidência do bloco, que reúne países do Sul Global como Rússia, Índia, China e África do Sul. O encontro de quatro dias no Rio de Janeiro (RJ) debate formas de a sociedade civil dos países-membros ampliarem sua participação na governança mundial.
O encontro reúne mais de 150 representantes de movimentos vindos de 21 países, que vão discutir temas como cooperação econômica e a construção da multipolaridade, uma nova configuração da geopolítica mundial, e desdolarização no comércio internacional. A integração da sociedade civil no Brics foi decidida durante o mandato russo à frente do bloco, em 2024, e consolidada pelo Brasil neste ano.
Entre os participantes, está o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile, que afirmou que os movimentos demandam o fortalecimento do Conselho Popular do Brics.
“É inaceitável que os recursos para a cooperação internacional sejam controlados exclusivamente pelos ministros das finanças. Queremos ter voz para que projetos de interesse público também possam acessar os fundos dos Brics, porque sem recursos, será muito difícil concretizar as boas ideias de cooperação que todos compartilhamos”, disse em sua fala inicial.
Ao Brasil de Fato, Stedile destacou que a construção da multipolaridade é outro objetivo a ser perseguido. “Não podemos mais aceitar a noção de que poucos países do Conselho de Segurança da [Organização das Nações Unidas] ONU dirigirem o mundo” e defendeu “cada país com os mesmos direitos e peso. Nós, os movimentos populares, também iremos discutir temas de integração e como defender a natureza, questão que os governos não vão debater”.
A abertura do evento foi conduzida pelo professor, economista e escritor Elias Jabbour. “Este é um período marcado pela ascensão mundial dos povos, e o Brics lidera o debate sobre temas como a luta pela paz, na Venezuela, por exemplo, a consolidação de instituições que sejam representativas dos países integrantes, a adaptação à questão climática”, disse. Para ele, “somente o Brics pode oferecer soluções para impedir que as soberanias sejam violadas”.
O momento contou ainda com uma mística levada por indígenas da Aldeia Maracanã, território indígena urbano do Rio de Janeiro, localizado no bairro de mesmo nome, com pessoas de diversas etnias. O espaço é considerado um ponto de preservação da cultura indígena na capital.
Em seguida, a deputada Federal Jandira Feghali (PCdo B – RJ) disse ter esperança de que com o Brics “estejamos vendo o surgimento de um tempo em que superamos a injusta governança global de hoje e possamos substituí-la por uma que possa proporcionar dignidade, o fim da fome e viabilize os sonhos”.
Além dos representantes de movimentos populares, figuram no evento o sherpa, ou chefe da delegação, do Brasil no Brics, embaixador Maurício Carvalho Lyrio, a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff — que participa virtualmente — e o subsecretário de Finanças Internacionais e Cooperação Econômica do Ministério da Fazenda e um dos principais representantes do país nas negociações financeiras e econômicas no Brics e no G20, Antônio Freitas.
“O Brics que sonhamos não é só dos gabinetes, mas dos povos, da sociedade civil”, disse Dilma Rousseff, presidenta da Banco do Brics, em mensagem gravada transmitida ao público. Ela defendeu a instituição como ferramenta de desenvolvimento dos países-membros. Veja abaixo o vídeo completo:
Discurso da Presidente do BRICS Dilma Rousseff
https://www.youtube.com/watch?v=BNhrjyxBWaE
