Marcus Oliveira conta sua história com tatuagem em peles negras na tela da TV Comunitária de Brasília
O programa Povo Negro, ancorado pela produtora artística e empreendedora Valéria Assunção, abordou a trajetória de vida do tatuador e comunicador Marcus Oliveira. A transmissão ao vivo ocorreu na quarta-feira (26/11) no estúdio da TV Comunitária de Brasília.
Marcus Oliveira compartilha que tudo começou quando trabalhava como barbeiro na Asa Norte. “Eu comecei a fazer alguns desenhos um dia na barbearia para passar o tempo em um dia de pouco movimento. Nunca tinha feito aula de desenho, meu pai era desenhista, então a gente sempre teve uma facilidade lá em casa para música e desenho”, diz.
Oliveira relata que, pelo fato de o pai saber tocar, ele sempre teve uma facilidade em casa para música e desenho. “Isso acabou se tornando um hobby, e eu comecei a fazer desenhos de personagens pretas. Dei esses desenhos para alguns amigos tatuarem e foi aí que eu tive uma virada de chave. Comecei a postar esses desenhos nas redes e o pessoal curtia e compartilhava bastante”, afirma.

O convidado da edição destaca que, em agosto, retornou da 1ª Convenção de Tatuagem Pele Negra de Londres e sempre gostou muito do estilo realismo. “É o estilo com que as pessoas têm mais contato, e sempre me incomodou muito ver que esse estilo não era popular em pessoas com pele mais escura. Então, esse foi o que mais estudei e desenvolvi, mas eu gosto de todos os estilos”, conta.
O tatuador e comunicador destaca que 80% do seu público tem mais de 35 anos de idade e outra parcela significativa de clientes tem mais de 50 anos. “São pessoas que passaram a vida toda achando que uma tatuagem não ficaria bem na pele delas e que sempre quiseram fazer. Foi vendo os resultados dos meus trabalhos que as pessoas se encorajaram e começaram a me procurar”, diz.
Marcus Oliveira destaca que, no caso de pessoas pretas, a tatuagem sempre foi um tabu e sempre foi marginalizada. “Uma pessoa preta tatuada, há alguns anos, era inadmissível, não conseguia emprego e era mal vista na rua. Então eu fico muito feliz em estar mudando um pouco esse cenário. Precisamos de mais artistas fazendo coisas diferentes para pessoas negras”, relata.
O conselho de Oliveira para as pessoas pretas que estão entrando no universo da tatuagem é que, para conseguir um espaço e respeito de verdade, é fundamental investir no estudo de desenho. “A tatuagem é um ofício que precisa de tempo para ter maturidade no trabalho e se manter. Então, não tente pular de cabeça de forma desesperada. Prepare-se”, recomenda.
Por Kelly Jenyfer – @kellyjenyferjornalista
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