Assista agora a programação da TV Comunitária
No momento, você está visualizando Embaixada do Irã celebra o 47º aniversário da Revolução Islâmica com recepção em Brasília
Screenshot

Embaixada do Irã celebra o 47º aniversário da Revolução Islâmica com recepção em Brasília

A Embaixada da República Islâmica do Irã realizou, na noite de quarta-feira (11), uma recepção em comemoração ao 47º aniversário da vitória da Revolução Islâmica e ao Dia Nacional do país. A data marca a revolução de 1979, que derrubou a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi e instaurou a República Islâmica sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini. No calendário iraniano, o feriado encerra a chamada “Década do Amanhecer”, período de celebrações marcado por marchas, discursos oficiais e eventos públicos que destacam a independência, a soberania e a identidade islâmica do país.

Em seu discurso, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou que “há quarenta e sete anos, o povo iraniano, sob a liderança do Imam Khomeini, levantou-se contra uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos e pelo Ocidente”. Segundo ele, a criação da República Islâmica foi resultado da vontade coletiva e da escolha soberana da nação iraniana.

O diplomata declarou que o país enfrentou, em 2025, “desafios profundos”, mas manteve disposição para o diálogo internacional, inclusive ao iniciar negociações indiretas sobre questões relacionadas ao programa nuclear, apesar da política de “máxima pressão e coerção” adotada pelos Estados Unidos.

Ghadiri afirmou que, após cinco rodadas de negociações e a expectativa de uma sexta etapa, ocorreu, segundo suas palavras, “um ato militar de agressão por parte do regime israelense, com participação dos Estados Unidos”, que teria resultado em perdas humanas e econômicas e desencadeado uma guerra de doze dias.

O embaixador também declarou que, no início de 2026, protestos inicialmente pacíficos no Irã teriam sido transformados em atos violentos “alimentados por incitação externa e interferência irresponsável”, o que, segundo ele, configuraria violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Durante a fala, o diplomata afirmou que agentes de segurança e civis foram atacados e que instalações públicas, médicas e religiosas foram destruídas, resultando em mortos e feridos. Segundo ele, o governo iraniano atuou com “contenção e responsabilidade” para restaurar a estabilidade, reiterando o compromisso do país com a proteção dos cidadãos, o respeito aos direitos humanos e o direito à reunião pacífica.

O embaixador reiterou ainda que o Irã “optou por conceder outra oportunidade à diplomacia”, mesmo diante de pressões políticas, militares e midiáticas, defendendo que negociações conduzidas sob ameaça ou coerção tendem a fracassar. Ao abordar a situação regional, afirmou que o país acompanha com preocupação os conflitos na Ásia Ocidental e defendeu o fortalecimento do multilateralismo como instrumento essencial para a gestão de crises e a promoção da justiça internacional.

No campo bilateral, Ghadiri destacou o potencial das relações entre Brasil e Irã, que somam mais de 120 anos, apontando oportunidades nos setores de comércio, transporte e logística, especialmente no contexto do acordo de livre comércio com a União Econômica Eurasiática e do papel estratégico do Porto de Chabahar. O diplomata também manifestou reconhecimento ao Brasil por sua presidência do BRICS e pela realização da COP30.

Representando o governo brasileiro, o secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, enfatizou que as relações entre Brasil e Irã são pautadas pelo respeito mútuo e pelo diálogo franco. Ele destacou a cooperação em diversas áreas, o comércio bilateral de cerca de US$ 3 bilhões em 2025 e o compromisso comum com o fortalecimento do multilateralismo e com a solução pacífica de controvérsias.

A recepção também evidenciou aspectos culturais do Irã. Uma exposição de artefatos tradicionais apresentou ao público elementos da arte e da história persa, ressaltando a tradição artística e intelectual do país. Os convidados puderam apreciar peças que remetem à herança cultural iraniana, na qual arte, espiritualidade e poesia ocupam papel central na identidade nacional. A programação incluiu ainda degustação de pratos típicos. A culinária persa, marcada pelo uso de especiarias e ervas aromáticas, foi apresentada como expressão da diversidade gastronômica do país e de sua tradição de hospitalidade.

FOTOS ABAIXO DO JORNALISTA PAULO MIRANDA

Deixe um comentário

plugins premium WordPress