No momento, você está visualizando O 9° Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais reuniu mais de 100 pessoas de 12 estados brasileiros e termina com uma Carta que clama por uma outra comunicação

O 9° Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais reuniu mais de 100 pessoas de 12 estados brasileiros e termina com uma Carta que clama por uma outra comunicação

O 9° Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais reuniu mais de 100 pessoas de 12 estados brasileiros e termina com uma Carta que clama por uma outra comunicação

*Por Paulo Miranda

O 9° Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais (BlogProg), organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, começou na nesta sexta-feira (24), às 19h.

O evento, que conta com apoio do NIC.br, por meio do CGl.br, foi realizado nos dias 24 e 25 de abril e reuniu no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo comunicadores, ativistas digitais, estudantes, juventude, pesquisadores e lideranças políticas de todo o país.

A abertura, na sexta-feira (24), às 19h, teve por tema “A batalha da comunicação em 2026”, com a participação de Juliano Medeiros, Orlando Silva (deputado federal do PC do B – SP) e Edinho Silva (presidente nacional do PT).

O debate abordou os desafios políticos e comunicacionais no cenario eleitoral que se aproxima, além do papel das redes e da disputa de narrativas.

No sábado (25), a programação começou às 9h com a mesa “O papel da mídia progressista”, e reuniu nomes das mídias independentes como Renato Rovai (Revista Fórum), Talita Galli (TVT News), Kiko Nogueira (DCM) e Dhayane Santos (Brasil 247).

A discussão aprofundou o debate sobre o papel dos veículos independentes na construção de uma comunicação mais plural e democrática.

Após o almoço, às 14h, o foco foi a regulação das plataformas digitais com a mesa “A luta pela regulamentação das Big Techs” , com Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGl.br), Ergon Cugler (pesquisador, cientista de dados e professor) e Sérgio Amadeu (sociólogo, professor e pesquisador das redes digitais).

O debate ganha relevância diante do avanço das grandes empresas de tecnologia sobre a circulação de informação e os impactos na soberania informacional.

O encontro terminou com a Plenária Final, com debate e aprovação de uma Carta do 9° BlogProg – documento político que sintetiza as propostas e diretrizes construídas coletivamente durante o evento.

IA com bigodinho do Hitler

Eis a íntegra da Carta do 9º BloProg:

CARTA DO 9º ENCONTRO NACIONAL DE COMUNICADORES E ATIVISTAS DIGITAIS

Esta carta será alterada com cinco emendas. Uma delas pede a imediata criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Financeiro das Rádios e TVs Comunitárias, mídias alternativas e periféricas, de indígenas e de quilombolas.

Reunidos nos dias 24 e 25 de abril de 2026, na cidade de São Paulo, comunicadores, comunicadoras e ativistas digitais de todo o Brasil se encontram, mais uma vez, para refletir coletivamente sobre os desafios do nosso tempo e afirmar o papel estratégico da comunicação na disputa de rumos da sociedade brasileira diante de um mundo em estado máximo de tensão.
Em sua nona edição, o Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais se situa em uma conjuntura social, política e tecnológica bastante diferente de sua estreia, no longínquo ano de 2010.
Além da escalada da ultradireita que combina uma agenda ultraliberal na economia com violência, discurso de ódio e desinformação como método, o planeta se vê em alerta pela imposição da agenda neocolonial e belicista imposta pelo “Consórcio Epstein”, ou seja, pela aliança entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
Na América Latina, as peças se movem no mesmo sentido, com o retorno de forças oligárquicas ao poder em diversos países e com o risco extremo que corre o Brasil na batalha eleitoral de outubro.
O pleito será marcado pela contraposição entre um projeto comprometido com a soberania nacional, o desenvolvimento e o diálogo, e outro, orientado pelo desmonte do Estado, pelo entreguismo e pela retomada de um processo de regressão social e civilizatória, com alinhamento automático e vassalo à agenda da Casa Branca.
Vivemos um período de intensas transformações tecnológicas, profundas desigualdades sociais e acirramento da disputa politica ideológica.
Nesse cenário, a comunicação ocupa lugar central — seja como ferramenta de disputa de sentidos e fortalecimento democrático, seja como instrumento de manipulação, desinformação e violência.
Diante disso, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um ecossistema comunicacional plural, democrático e comprometido com os direitos humanos, a soberania nacional e a justiça social.
Segue prioritária a reivindicação quanto ao fortalecimento das mídias independentes e populares. E fundamental avançar na construção de políticas públicas que garantam sustentabilidade, diversidade e alcance para essas iniciativas, reconhecendo seu papel essencial na democratização da informação e na ampliação das vozes que constroem o debate público no país.

Da mesma forma, torna-se cada vez mais incontornável o debate sobre a regulação das plataformas digitais. As chamadas Big Techs concentram poder econômico, político e informacional sem precedentes, operando, quase sempre, à revelia do interesse público. Defender sua regulação é defender a transparência, a responsabilização e a proteção da sociedade frente à desinformação e aos discursos de ódio.
Consideramos imprescindível, também, pautar, na ordem do dia do jornalismo brasileiro, o enfrentamento à escalada de violências que atravessam a sociedade brasileira, em especial o feminicídio, expressão extrema de uma cultura estrutural de opressão de gênero que precisa ser combatida com políticas públicas, responsabilização e transformação cultural. A comunicação é peça-chave nesse tabuleiro.
Além disso, é fundamental que o conjunto das mídias independentes e contra-hegemônicas amplifique, de forma articulada e permanente, a agenda de lutas dos movimentos populares no Brasil, contribuindo para dar visibilidade às suas pautas, fortalecer suas mobilizações e disputar narrativas no espaço público.
Nesse sentido, é igualmente central incorporar à disputa de ideias a defesa intransigente dos povos originários e da justiça climática, em um momento em que a crise ambiental se aprofunda e se torna também campo de batalha política e informacional. A proteção das riquezas naturais brasileiras, incluindo nossos bens estratégicos e as chamadas terras raras, deve estar articulada a um projeto de soberania nacional que enfrente a lógica predatória e neocolonial.
Por fim, nesse mesmo horizonte, é indispensável reconhecer a potência da juventude brasileira, escutar com atenção suas vozes, aprender com suas experiências e valorizar aquilo que já vêm produzindo no campo da comunicação contra-hegemônica. São essas práticas, linguagens e formas de organização que apontam caminhos para a renovação do debate público e para o aprofundamento da democracia.
Este encontro se realiza em um contexto de permanente vigilância democrática. A ameaça de reorganização de forças da ultradireita no Brasil exige atenção, articulação e capacidade de mobilização. Cabe a nós, comunicadores e ativistas, seguir atuando de forma incisiva para barrar retrocessos, enfrentar a desinformação e defender os avanços conquistados pelo povo brasileiro.
Esta carta é um documento em construção. Ao longo deste encontro, será enriquecida pelas contribuições, debates e acúmulos coletivos de todas e todos presentes, expressando a pluralidade de debates e a potência das lutas que nos unem.
Conclamamos todas e todos a dar continuidade a este processo de articulação, formação e luta para além deste encontro, fortalecendo as iniciativas em curso e se somando às ações impulsionadas pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, como espaço estratégico de organização, reflexão e intervenção na disputa comunicacional no Brasil.

*Paulo Miranda é jornalista e presidente da TV Comunitária de Brasília

 

 

Deixe um comentário