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Waleska Barbosa apresenta balanço do Quilombo de Wal e seus entrevistados em 2025

Waleska Barbosa apresenta balanço do Quilombo de Wal e seus entrevistados em 2025

 A palavra não os cala mais ou 2025 no Quilombo de Wal

*Por Waleska Barbosa

“A sua palavra não me cala mais

A sua boca não me cega mais

O seu olhar não me nega mais”

Toco, enxergo, cheiro, escuto, engulo os versos de Nanda Fer Pimenta, para falar do olhar da palavra. De olhar a palavra.

Não para segurá-la – por mais que escoe. Mas para deixá-la ecoar. Para que se espalhe. E rodopie como e com o vento. Palavra falada.

Evoco aquelas ditas por mim. Escutadas por mim. Perguntas e respostas entram no meu balanço de 2025, posto que me dediquei a entrevistar pessoas negras, na quarta temporada do programa Quilombo de Wal, realizado na TV Comunitária do DF.

Passaram para uma prosa comigo, Andrey Lemos, Renata Parreira, Anatalina Lourenço, Neo Silva, Fernanda Ferreira, Ana Priscilla, Luiz Alves, Mayara Silva de Souza, Martinha do Coco, Cibele Tenório, Maria Luiza Junior, Jorge Amancio, Antonio Jacinto Índio, Bianca D’Aya, Graça Santos, Giane Vargas, Brenna Vilanova.

Escrevo o nome dessas pessoas – sem menção à profissão, ao cargo, à formação, à condecoração, ao prêmio e à honraria recebidos – porque faz muito bem ao meu coração apenas escrever seus nomes.

Para reconhecê-las apenas como pessoas. Permitir (pelo menos neste espaço) que existam – sem dores, sem pesos, sem obrigações, sem humilhações, sem racismo, sem impedimentos, sem nãos, sem diásporas, sem migrações, sem dissabores, sem desamores.  Apenas o bem-viver.

Mas elas contaram de si. Em meia hora de programa, ao vivo, além das palavras ditas há o que é silenciado, o que não é dito pela boca – mas por olhos embargados, olhares distantes, dedos que se entrelaçam em emoções difusas.

É bonito escutar tudo – o dito e o não dito, com os quais ensinam, emocionam, dão-se a conhecer, tantas vezes até revelando segredos.

Gargalham. Choram. Respiram fundo. Inspiram ao falar da família, da trajetória, de impossíveis, de possíveis, de decisões, de garra, de coragem, de luta. De vitórias, êxitos, sucessos, sonhos realizados e sobre o que está por vir.

Agradeço pelo tempo, pela entrega, pela troca, pela coragem. No programa, não há combinados. Não há roteiro. Do olá inicial, até as despedidas, a matéria é do que vem ali, na hora, no bate-papo que prometo que teremos. Sem corte. Sem filtro. Sem edição. E mesmo diante do frio na barriga, tantas vezes relatado, eles seguem. A falar comigo e com quem nos assiste.

Escrevo seus nomes, Andrey Lemos, Renata Parreira, Anatalina Lourenço, Neo Silva, Fernanda Ferreira, Ana Priscilla, Luiz Alves, Mayara Silva de Souza, Mestra Martinha do Coco, Cibele Tenório, Maria Luiza Junior, Jorge Amancio, Antonio Jacinto Índio, Bianca D’Aya, Graça Santos, Giane Vargas, Brenna Vilanova – porque ousam existir.

A palavra não os cala mais.

*Waleska Barbosa é jornalista, escritora, produtora e apresentadora do Quilombo de Wal

 

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