Literatura, arte e agroecologia: educadora do DF lança terceiro livro infantil sobre preservação ambiental
No programa Letras & Livros na TV Comunitária, ancorado pelo escritor Pedro Cesar Batista, a multiartista e escritora Déborah Paiva fala sobre o projeto desenvolvido há mais de dez anos une contação de histórias, música e educação ambiental para conscientizar crianças sobre a importância da natureza e da sustentabilidade. Fala também sobre a obra “Voando com Pepita – Uma Abelhinha Sem Ferrão”.
Por Paulo Miranda
Brasília, Estúdio da TV Comunitária – Transformar conceitos científicos em histórias capazes de encantar crianças e despertar a consciência ambiental. Essa é a missão da educadora, multiartista e tecnóloga em agroecologia Débora Paiva, que acaba de concluir o terceiro volume de sua coleção de livros infantis voltada à educação ambiental. Intitulada “Voando com Pepita – Uma Abelhinha Sem Ferrão”, a obra marca uma nova etapa de um projeto que, há mais de dez anos, leva conhecimento sobre agroecologia para escolas do Distrito Federal por meio da arte, da música, da palhaçaria e da literatura.
Coordenadora do projeto desde 2013, Débora conta que tudo começou quando ainda era estudante de Agroecologia no Instituto Federal de Brasília (IFB), participando de ações em escolas do campo. A experiência prática com compostagem despertou o interesse em criar materiais educativos que traduzissem conceitos técnicos em uma linguagem acessível às crianças.
O primeiro resultado foi “Maricota – Sombra, Comida e Água Fresca”, lançado em 2017 por meio de financiamento coletivo. A história apresenta uma minhoca que vive em uma composteira e ensina, de forma lúdica, a importância da separação dos resíduos orgânicos e da produção de adubo natural, contribuindo para a redução dos impactos ambientais e das mudanças climáticas.
Dois anos depois, surgiu “Tico e a Agrofloresta”, que aborda os princípios da agroecologia e dos sistemas agroflorestais por meio da trajetória de um menino que aprende a cultivar alimentos em harmonia com a natureza. O personagem incentiva as crianças a compreenderem a importância da agricultura familiar e das sementes crioulas, tradicionais e preservadas pelas comunidades camponesas.
Agora, a autora apresenta a abelha Pepita, uma mandassaia sem ferrão, espécie nativa do Brasil. A personagem é protagonista de uma história dedicada à importância das abelhas na polinização e na manutenção da biodiversidade. Segundo Débora, as mais de 200 espécies de abelhas sem ferrão existentes na América Latina desempenham papel fundamental na reprodução das plantas e na produção de alimentos.
“Se não há abelhas, não há alimento e, consequentemente, não há vida. Elas são essenciais para a propagação das espécies vegetais e para a manutenção dos ecossistemas”, explica a educadora.
Além do conteúdo ambiental, a autora faz críticas aos impactos provocados pelo uso intensivo de agrotóxicos e pelo modelo de produção do agronegócio, ressaltando que a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros. Segundo ela, práticas agroecológicas preservam o solo, valorizam a diversidade das sementes crioulas e garantem alimentos mais saudáveis.
Arte e brincadeira como ferramentas de aprendizagem
O diferencial do projeto está na forma como o conhecimento é apresentado. As histórias ganham vida por meio de espetáculos que combinam música, dança, teatro, palhaçaria e personagens em forma de bonecos. As apresentações têm duração aproximada de 50 minutos e incentivam a participação das crianças, que aprendem brincando.
“A criança aprende pelo encantamento. A ideia não é transmitir medo sobre a crise climática, mas despertar afeto pela natureza e mostrar que cuidar do meio ambiente pode ser algo divertido e prazeroso”, afirma Débora.
Livro multimídia e acessível
“Voando com Pepita” também representa um avanço em termos de acessibilidade. Pela primeira vez, a coleção contará com recursos multimídia. Por meio de QR Codes, os leitores terão acesso a animações da história, vídeos em Libras, versões com audiodescrição para pessoas com deficiência visual e exemplares em braile, que serão doados ao Centro de Ensino Especial para Deficientes Visuais (CEEDV).
Outra novidade é que a própria autora interpretará a personagem Pepita durante as apresentações, utilizando figurino especialmente produzido para representar a abelhinha.
Lançamento nas escolas públicas
As primeiras atividades do projeto estão previstas para começar no dia 8 de junho, na Escola Classe 5 do Guará, com apresentações nos turnos da manhã e da tarde. Em seguida, no dia 15, será a vez do Centro de Ensino Especial para Deficientes Visuais receber a iniciativa. Outras escolas públicas da região administrativa também integram o calendário do projeto, realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e de Economia Criativa do GDF, por meio de edital regionalizado.
Após uma década de trabalho, Débora Paiva acredita que a educação ambiental precisa ser construída desde a infância e que a arte é uma poderosa aliada nesse processo.
“Só cuidamos daquilo que conhecemos. Por isso, é fundamental que as crianças cresçam em contato com a natureza, compreendendo sua importância e desenvolvendo uma relação de respeito e encantamento com a vida”, resume.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
