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Pietra na TV – Daniel Zukko transforma amor por Brasília em referência de turismo e memória afetiva da capital

Pietra na TV – Daniel Zukko transforma amor por Brasília em referência de turismo e memória afetiva da capital

Jornalista, turismólogo e criador do projeto “Minha Brasília” celebra os encantos da cidade e ajuda a fortalecer a identidade cultural dos brasilienses

*Por Paulo Miranda

Brasília (DF) – Há mais de uma década, o jornalista, turismólogo, fotógrafo, músico e escritor Daniel Zukko se dedica a contar histórias da capital federal. Criador do projeto Minha Brasília e atual apresentador da série Entre Asas e Eixos, exibida pela TV Globo Brasília, ele se tornou uma das principais referências na divulgação do patrimônio histórico, cultural e turístico da cidade.

Em entrevista ao programa Pietra na TV, comandado por Pietra Rocha, Zukko falou sobre sua trajetória, a relação afetiva com Brasília e a missão de despertar nos moradores o orgulho pela cidade onde nasceu.

“Brasília me deu a vida três vezes. Me deu os meus amigos, meu trabalho, a pessoa que eu mais amo e um motivo para criar”, afirmou.

Uma paixão construída desde a infância

Nascido no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, em 1980, Daniel passou parte da infância em Belém do Pará devido às transferências profissionais do pai, militar. Aos seis anos, retornou à capital e começou a construir as memórias que, anos depois, se transformariam em uma paixão pela cidade.

As visitas aos museus, ao Congresso Nacional e aos monumentos durante as aulas sobre a história do Distrito Federal marcaram profundamente sua relação com Brasília.

“Foi ali que uma semente foi plantada. Eu percebi que Brasília era um lugar especial”, recordou. O jornalista acredita que a capital representa muito mais do que uma sede administrativa. “Brasília não é uma repartição pública. É uma cidade linda, única e genial”, resumiu.

O nascimento do “Minha Brasília”

A ideia do projeto surgiu em 2013, quando Zukko decidiu utilizar a estrutura de sua produtora para criar algo que tivesse significado pessoal. Folheando um álbum de fotografias da família, encontrou uma imagem de 1983 em que aparecia, ainda criança, ao lado dos irmãos sobre o teto de um automóvel Volkswagen Brasília, em frente ao Congresso Nacional.

Foi dessa lembrança que nasceu a inspiração para o programa de entrevistas realizado dentro de um carro Brasília, que daria origem ao canal Minha Brasília.

“Era uma ideia simples, mas ninguém tinha juntado todos aqueles elementos antes”, contou.

O sucesso veio rapidamente. Apenas seis meses após a estreia do projeto, em setembro de 2013, a atração ganhou espaço na programação da TV Globo Brasília, dentro do DFTV de sábado. Atualmente, o conteúdo também está disponível no YouTube e nas redes sociais, reunindo séries, entrevistas e vídeos sobre a história e as curiosidades da capital.

O orgulho de ser candango

Ao longo dos anos, Zukko ajudou a fortalecer um sentimento de pertencimento entre os moradores da cidade. Segundo ele, quando o Minha Brasília foi criado, poucos perfis nas redes sociais se dedicavam a valorizar os aspectos positivos da capital.

“As pessoas tinham esse amor reprimido. Bastou alguém começar a mostrar a beleza dos ipês, dos monumentos e da história para isso florescer”, afirmou. Para o jornalista, o termo “candango” não se limita aos trabalhadores que ergueram Brasília. “Quem disse que Brasília está pronta? Há 60 anos continuamos construindo a cidade culturalmente e socialmente. Ser candango hoje é uma forma de honrar aqueles que vieram para construí-la”, destacou.

Uma cidade única no mundo

Autor dos livros Cenas Candangas e criador do jogo de tabuleiro Quiz Minha Brasília, Daniel considera que a singularidade da capital está tanto em sua arquitetura quanto em seus habitantes.

Inspirado nas ideias do antropólogo Darcy Ribeiro, ele costuma destacar a combinação histórica entre o presidente Juscelino Kubitschek, o urbanista Lúcio Costa, o arquiteto Oscar Niemeyer e o engenheiro Israel Pinheiro como um dos fatores que tornaram possível a construção da capital. “Se Brasília tivesse sido construída há três mil anos, sua história estaria na Bíblia”, brincou.

Entre as curiosidades que mais gosta de compartilhar, Zukko lembra que a Torre de TV foi o único monumento previsto desde o projeto original de Lúcio Costa e que a cidade é uma das mais documentadas do mundo. “Nada em Brasília é por acaso. Tudo tem um significado e uma razão de existir”, explicou.

Arte, música e comunicação

Além do trabalho na televisão e na produção de conteúdo, Daniel também atua como músico, fotógrafo e ilustrador. Embora se descreva com humor como alguém que “toca vários instrumentos e todos mal”, ele afirma que todas essas linguagens representam diferentes formas de contar a mesma história. “São línguas diferentes que contam o mesmo poema”, definiu.

Brasília para além da política

Na visão do jornalista, a associação da capital apenas aos prédios da Esplanada dos Ministérios e à atividade política faz com que muitos brasileiros deixem de perceber a riqueza cultural e humana da cidade. “Passamos em frente à Catedral, ao Teatro Nacional ou à Igrejinha e achamos tudo normal. Mas isso não é normal em nenhum outro lugar do mundo”, observou.

Ao longo de mais de dez anos de trabalho, Daniel Zukko transformou a paixão pela cidade em uma plataforma de valorização da memória, da cultura e da identidade brasiliense. Um esforço que, segundo ele, continua sendo movido pelo mesmo sentimento despertado ainda na infância.

“É impossível não amar Brasília”, concluiu.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília

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