Érika Kokay defende redução da jornada de trabalho, soberania nacional e democratização da comunicação
Deputada federal afirma que o direito ao tempo livre é uma conquista histórica dos trabalhadores e critica ataques aos direitos sociais, à democracia e à soberania brasileira
Brasília (DF) – A redução da jornada de trabalho, a defesa da soberania nacional, o fortalecimento dos direitos trabalhistas e a democratização da comunicação foram os principais temas abordados pela deputada federal Érika Kokay em entrevista ao jornalista Beto Almeida, na TV Comunitária de Brasília. Pré-candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal, a parlamentar defendeu o fim da escala 6×1, criticou a pejotização das relações de trabalho e alertou para os riscos representados pela desinformação e pelos interesses estrangeiros sobre setores estratégicos da economia brasileira.
Logo na abertura da entrevista, Érika destacou o papel da comunicação comunitária na consolidação da democracia e no enfrentamento à concentração dos meios de comunicação. “A TV comunitária é um ponto de resistência para democratizar a comunicação, especialmente em um momento em que a política foi capturada pela mentira e pelo ódio”, afirmou.
Fim da escala 6×1 é uma luta pelo direito ao tempo
Ao comentar a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, a deputada afirmou que a reivindicação representa uma continuidade histórica das lutas operárias por dignidade e qualidade de vida. Segundo ela, as mobilizações que deram origem ao Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março, e ao Dia do Trabalhador, em 1º de maio, tinham como elemento comum a defesa do direito ao próprio tempo. “O tempo é a matéria-prima mais preciosa da nossa humanidade. A luta das mulheres de Nova York e dos trabalhadores de Chicago era, essencialmente, uma luta pelo direito ao tempo”, declarou.
A parlamentar criticou argumentos utilizados por setores empresariais contra a redução da jornada e afirmou que a história demonstra que previsões de colapso econômico sempre acompanharam avanços trabalhistas. “Quando conquistamos a jornada de 40 horas na Constituição de 1988, diziam que o Brasil quebraria. São os mesmos argumentos reaparecendo com outra roupagem”, observou.
“Felicidade gera produtividade”
Para Érika Kokay, a melhoria das condições de vida dos trabalhadores não reduz a produtividade, mas produz efeitos positivos na economia. Ela citou dados que apontam o aumento dos afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho e defendeu a construção de relações laborais mais humanizadas. “Não é o sofrimento que gera produtividade. Felicidade gera produtividade”, afirmou. A deputada também chamou atenção para a realidade das mulheres trabalhadoras, que frequentemente acumulam jornadas profissionais e domésticas.
“Para muitas mulheres não existe escala 6×1. Existe uma jornada 7×0”, disse.
Críticas à pejotização e à reforma trabalhista
Outro tema abordado foi a expansão da chamada pejotização, modelo em que trabalhadores atuam formalmente como pessoas jurídicas. Na avaliação da parlamentar, a prática tem sido utilizada para mascarar relações empregatícias e retirar garantias previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “A pejotização é uma fraude trabalhista. Se ela for legitimada, estaremos retirando praticamente todos os direitos dos trabalhadores”, alertou.
Érika também criticou aspectos da reforma trabalhista aprovada em 2017, afirmando que a legislação enfraqueceu instrumentos de proteção social e ampliou a precarização das relações de trabalho.
Soberania nacional entra no centro do debate
Durante a entrevista, a deputada avaliou que a sociedade brasileira passou a discutir de forma mais intensa temas relacionados à soberania nacional. Segundo ela, debates envolvendo relações internacionais, políticas econômicas e decisões estratégicas passaram a ser compreendidos como questões que impactam diretamente a vida da população. “A soberania não é um conceito abstrato. Ela envolve soberania energética, alimentar, cultural, ambiental, tecnológica e popular”, afirmou.
Ao comentar medidas adotadas pelos Estados Unidos em relação ao Brasil, Érika criticou iniciativas que, segundo ela, buscam limitar o desenvolvimento econômico nacional e ampliar a dependência brasileira em relação a interesses externos.
Defesa do Pix e críticas à influência estrangeira
A deputada também saiu em defesa do Pix, sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central, classificando-o como uma conquista tecnológica e financeira do país. Ela criticou declarações que sugerem a substituição do modelo brasileiro por sistemas controlados por grandes instituições financeiras internacionais. “O Pix é um instrumento de inclusão, fortalece pequenos empreendedores e democratiza o acesso aos serviços financeiros. É uma conquista soberana do Brasil”, afirmou.
Comunicação e combate à desinformação
Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar os espaços de comunicação pública e comunitária para enfrentar a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio. Segundo a parlamentar, a democracia depende da existência de meios de comunicação capazes de representar a diversidade da sociedade brasileira. “Quando se nega a realidade e se substituem os fatos por mentiras, destrói-se a própria possibilidade do debate democrático”, afirmou. Ela defendeu o fortalecimento da comunicação pública, criticando iniciativas que tentaram enfraquecer ou privatizar estruturas como a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Banco Master e BRB
Ao abordar a crise envolvendo o Banco Master e seus impactos sobre o Banco de Brasília (BRB), Érika Kokay afirmou que a prioridade deve ser a recuperação dos recursos desviados e a responsabilização dos envolvidos. A parlamentar criticou a possibilidade de que a população do Distrito Federal arque com os custos da operação e sugeriu a revisão de políticas de renúncia fiscal como alternativa para recompor receitas públicas.
“É preciso salvar o BRB, mas não às custas do povo do Distrito Federal”, declarou.
Organização popular e eleições de 2026
Ao final da entrevista, a deputada defendeu o fortalecimento dos movimentos sociais, dos canais comunitários de comunicação e das organizações populares nos territórios. Para ela, a participação cidadã será decisiva nas eleições de 2026 e na defesa da democracia diante do avanço da desinformação e dos discursos extremistas. “A democracia participativa exige organização popular, comunicação democrática e presença ativa da população nos territórios”, concluiu.
Ao longo da conversa, Érika Kokay reafirmou que as disputas em torno do trabalho, da comunicação e da soberania nacional estão diretamente ligadas à construção de um país mais democrático, justo e socialmente inclusivo.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
