Espaço Cultural Lótus aposta na natureza e na vida em comunidade como caminhos para fortalecer a saúde mental
Idealizadora do Coletivo Colmeia, Roberta Rodrigues defende a cooperação, as práticas integrativas e a reconexão com o meio ambiente como alternativas ao isolamento e ao adoecimento emocional
Por Paulo Miranda
Alto Paraíso de Goiás (GO) – Em um período marcado pelo aumento dos casos de ansiedade, depressão, burnout e isolamento social, iniciativas voltadas à promoção da saúde mental têm buscado caminhos que vão além dos tratamentos convencionais. É nessa perspectiva que nasceu o Espaço Cultural Lótus, na Chapada dos Veadeiros, idealizado por Roberta Rodrigues, terapeuta, gestora em saúde mental e fundadora do Coletivo Colmeia, projeto que reúne práticas integrativas, educação, cultura, economia criativa e fortalecimento comunitário. A experiência foi apresentada em entrevista ao programa Só Agora, exibido pela TV Comunitária do Distrito Federal.
Durante a conversa, Roberta explicou que sua trajetória profissional foi construída a partir de vivências pessoais marcadas pela observação da natureza e pela compreensão de que a cooperação entre diferentes indivíduos fortalece comunidades, da mesma forma que uma floresta se constitui pela convivência de diversas espécies.
“Desde criança eu observava como árvores diferentes conseguem formar uma floresta forte, diversa e bonita. Essa percepção influenciou toda a minha maneira de compreender as relações humanas”, afirmou.
Cooperação inspira o Coletivo Colmeia
Segundo Roberta, foi dessa visão que surgiu o Coletivo Colmeia, organização que reúne profissionais de diferentes áreas para desenvolver projetos voltados ao desenvolvimento humano, à saúde mental e à transformação de espaços coletivos.
A proposta baseia-se na união de conhecimentos, talentos e experiências em benefício de objetivos comuns.
“Quando diferentes saberes se encontram, conseguimos construir algo muito maior do que seria possível individualmente”, explicou.
Além do aspecto social, a iniciativa também busca estimular modelos de economia criativa baseados na cooperação entre pessoas, organizações e comunidades.
Saúde mental além do consultório
Ao longo da entrevista, Roberta destacou que muitos dos problemas emocionais enfrentados atualmente estão relacionados à forma como as pessoas se conectam com o trabalho e com a própria vida.
Ela observa que o adoecimento provocado por ansiedade, síndrome de burnout e crises de pânico exige uma reflexão mais ampla sobre propósito, convivência e qualidade das relações humanas.
“O serviço não precisa ser um peso. Servir pode ser uma forma de expandir aquilo que cada pessoa tem de melhor”, afirmou.
Segundo a terapeuta, práticas integrativas, convivência comunitária e contato frequente com a natureza contribuem para processos de autorregulação emocional e fortalecimento da saúde mental.
Chapada dos Veadeiros abriga nova experiência comunitária
Com sede administrativa em Brasília, o Coletivo Colmeia ampliou recentemente sua atuação com a criação do Espaço Cultural Lótus, em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros.
O espaço reúne hospedagem, atividades culturais, terapias integrativas, oficinas, eventos, práticas corporais, yoga, música, dança, rodas de conversa e vivências voltadas ao desenvolvimento pessoal e coletivo.
Segundo Roberta, o objetivo é criar um ambiente onde diferentes pessoas possam compartilhar conhecimentos e desenvolver projetos em cooperação.
“A visão do coletivo está sendo materializada nesse espaço por meio da união de histórias, culturas, talentos e propósitos em benefício das pessoas e do meio ambiente”, afirmou.
Experiência durante a pandemia deu origem ao projeto
A origem do Espaço Cultural Lótus remonta ao período da pandemia de COVID-19, quando Roberta organizou um grupo de pessoas para viver uma experiência comunitária em uma fazenda.
O projeto, chamado Revolução Verde Vida, reuniu participantes com formações em permacultura, bioconstrução, paisagismo funcional e produção de alimentos.
Durante meses, o grupo desenvolveu práticas de autossuficiência, construindo estruturas com bambu, implantando hortas e experimentando formas coletivas de organização.
“Foi uma experiência transformadora. Aprendemos que a cooperação permite criar soluções que individualmente talvez não fossem possíveis”, recordou.
Reconexão com a natureza
Na avaliação das participantes do programa, a busca por qualidade de vida frequentemente leva as pessoas a priorizar aspectos materiais, enquanto necessidades emocionais e afetivas permanecem negligenciadas.
Roberta defende que a reconexão com elementos naturais pode contribuir significativamente para o equilíbrio psicológico.
“Voltar ao natural significa voltar para dentro de si. Muitas vezes a transformação começa antes de qualquer mudança externa”, destacou.
Durante a entrevista, também foi ressaltado que o simples contato com cachoeiras, áreas verdes e ambientes naturais pode favorecer processos de relaxamento e reduzir níveis de estresse.
Comunidade contra a solidão
Outro tema abordado foi o aumento da sensação de solidão após a pandemia. Segundo as entrevistadas, muitas pessoas passaram a apresentar dificuldades para retomar relações sociais e desenvolver vínculos comunitários.
Como resposta, o Espaço Cultural Lótus promove rodas de conversa, protocolos de convivência, atividades coletivas e acompanhamento voltado ao fortalecimento das relações humanas.
“A gente percebe muito sentimento de não pertencimento. Aqui buscamos construir um espaço de acolhimento e integração”, explicou Roberta.
Convite à transformação
Ao encerrar a entrevista, Roberta Rodrigues deixou uma mensagem voltada à valorização da escuta interior e do cuidado com a saúde mental.
“Quando a voz do seu coração fala mais alto do que o barulho da sua mente, talvez seja o momento de colocar os pés em movimento e viver aquilo que faz sentido para você”, afirmou.
Segundo a idealizadora do projeto, iniciativas baseadas na cooperação, no contato com a natureza e nas práticas integrativas representam alternativas para enfrentar desafios cada vez mais presentes na sociedade contemporânea, como o isolamento, o adoecimento emocional e a perda do sentido de comunidade.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília
