Faculdade de Direito sedia pedido público de desculpas por violações a Paulo de Tarso Celestino
Egresso da unidade acadêmica desapareceu durante a ditadura militar. Ato público promovido pelo MDHC é dirigido à população brasileira
-
- FONTE SECOM UnB – Hugo Costa

O desaparecimento do advogado Paulo de Tarso Celestino da Silva, em 12 de julho de 1971, no Rio de Janeiro, após perseguição política pelo regime militar, é um dos tristes capítulos da história do Brasil. Em reconhecimento às violações de direitos humanos ocorridas, a Faculdade de Direito (FD) da Universidade de Brasília, instituição em que Paulo de Tarso se graduou, sediou ato público de pedido de desculpas dirigido à população brasileira. A ação é promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e está agendada para quinta-feira (2), às 16h, no auditório Esperança Garcia da unidade acadêmica.
O MDHC informa que o “ato visa a uma reparação tanto a Paulo de Tarso Celestino e sua família, diretamente lesada pela repressão, quanto uma reparação que assume contorno integral, dirigida a toda a população brasileira, que, com o ato, poderá ter acesso à história vivida por Paulo de Tarso e outras vítimas da ditadura militar”. Mais do que um momento de memória, a pasta do governo federal aponta a iniciativa como pacto do Estado pela não repetição de situações como as que culminaram com o desaparecimento do egresso da FD.
“O pedido público de desculpas reconhece uma das mais graves violações de direitos humanos da história brasileira: a perseguição, a prisão, a tortura, os assassinatos e o desaparecimento de pessoas durante a ditadura militar”, afirma a reitora Rozana Naves.
“Sediar essa cerimônia significa contribuir para as políticas de memória, verdade e reparação, fundamentais para o fortalecimento da democracia. A capacidade de reconhecer as violências cometidas pelo Estado demonstra o compromisso com os direitos humanos, a preservação da memória e os valores democráticos com os quais compactuamos”, completa a gestora.
A ministra do MDHC, Janine Mello, diz que o ato reforça “o compromisso do governo brasileiro, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, de reafirmar a defesa intransigente do direito à memória e verdade como instrumento de não repetição de violações de direito, da tortura e do desaparecimento forçado”.
Para ela, a realização da cerimônia na UnB, instituição da qual também é egressa, é relevante por ser a Universidade um “importante e histórico espaço de resistência democrática”.

FIM INCERTO – Quase 45 anos após o desaparecimento, não se sabe com precisão o que aconteceu com Paulo de Tarso, considerado morto pela Lei 9.140, de 1995, que reconhece a morte de pessoas detidas por agentes públicos durante a ditadura. Ele também figura no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade e no Relatório da Comissão da Verdade Anísio Teixeira, da UnB.
O museu Memorial da Resistência traz declarações sobre torturas e execução do advogado, que teria sido mantido preso em unidade clandestina do Centro de Inteligência do Exército (CIE), em Petrópolis (RJ), conhecida como Casa da Morte. O local será transformado em memorial pelo governo federal.
Natural de Morrinhos (GO) e filho de Pedro Celestino da Silva, deputado federal cassado pelo AI-5, Paulo de Tarso concluiu o curso de Direito em 1969. Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), fez pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França. Ele tinha 27 anos quando foi preso por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).
Em 2025, Ação Civil Pública (ACP) do Ministério Público Federal apontou a responsabilização de ex-militares do CIE por prisão ilegal, tortura e desaparecimento de Paulo de Tarso. A ACP previu, ainda, outras ações, como o reconhecimento público das violações sofridas na conhecida Casa da Morte. Dessa maneira, o evento na UnB reporta sobre uma ação inerente da Assessoria Especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do MDHC.
ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.
Confira a íntegra do ato público no youtube da UnBTV:
