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Jacy Afonso entra na disputa por vaga na Câmara Legislativa e defende nova agenda social para o Distrito Federal

Jacy Afonso entra na disputa por vaga na Câmara Legislativa e defende nova agenda social para o Distrito Federal

Ex-presidente do Sindicato dos Bancários, da CUT-DF e do PT-DF propõe salário mínimo distrital, tarifa zero, fim da escala 6×1, negociação coletiva para servidores e fortalecimento da economia solidária

Brasília (DF) – Depois de décadas atuando nos bastidores da política, na organização sindical e na direção partidária, o bancário Jacy Afonso decidiu assumir uma nova posição: a de pré-candidato a deputado distrital. Em entrevista ao programa Brasília Notícias, da TV Comunitária de Brasília, na sexta-feira, 10 de julho, ele apresentou algumas das principais propostas que pretende levar ao debate eleitoral e defendeu uma mudança na composição da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Entrevistado pelo jornalista Paulo Miranda, Jacy falou sobre sua trajetória, a decisão de disputar uma eleição, a situação dos servidores públicos, as desigualdades sociais do DF, o transporte coletivo, a jornada de trabalho, a cultura, a agricultura familiar e a economia solidária.

Ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF) e do Partido dos Trabalhadores no DF (PT-DF), Jacy afirmou que sua pré-campanha está sendo construída a partir do contato direto com a população. “Estou cuidando de um trabalho de base para que a gente possa aumentar a nossa representação na Câmara Distrital. Nós precisamos de uma outra Câmara Legislativa. Essa que está aí não nos representa”, declarou.

Dos bastidores para a linha de frente

Ao longo de sua trajetória, Jacy Afonso participou da organização de campanhas eleitorais e de articulações políticas no Distrito Federal. Segundo ele, a decisão de concorrer a uma vaga na CLDF não estava inicialmente em seus planos. Após deixar a presidência do PT-DF, pretendia retornar ao trabalho no banco. O cenário mudou, segundo relatou, após receber apelos de bancários, sindicalistas e militantes de outras categorias para que aceitasse o desafio eleitoral.

Jacy lembrou a tradição de representação política dos bancários do Distrito Federal, citando nomes como Augusto Carvalho, Geraldo Magela e Érika Kokay. “Quando deixei a presidência do partido, disse que tiraria 30 dias para refletir. Depois, acabei aceitando esse desafio”, contou.

Salário mínimo distrital para combater desigualdades

Entre as propostas apresentadas pelo pré-candidato está a criação de um salário mínimo distrital superior ao piso nacional. Jacy argumenta que o Distrito Federal combina uma das maiores rendas per capita do país com profundas desigualdades sociais e forte concentração de renda.

Na avaliação dele, a adoção de um piso regional poderia beneficiar principalmente os trabalhadores que ocupam funções de menor remuneração e contribuir para o enfrentamento das desigualdades raciais. “Quando você eleva o salário mínimo distrital, você combate as desigualdades e também o racismo estrutural no Distrito Federal”, afirmou.

Negociação coletiva para servidores públicos

Com uma trajetória marcada pelo sindicalismo, Jacy afirmou que pretende manter essa identidade caso seja eleito deputado distrital. Uma de suas prioridades será a defesa dos servidores e dos serviços públicos. Ele criticou a ausência de uma data-base unificada e de mecanismos permanentes de negociação coletiva para o funcionalismo. Segundo Jacy, a experiência dos bancários, que possuem negociação nacional e acordos coletivos, demonstra a importância da construção de regras institucionais para as relações de trabalho.

O pré-candidato também defendeu a implementação dos princípios da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata das relações de trabalho e da negociação no serviço público. “Queremos que todos os servidores tenham negociação coletiva. Quando existe uma data-base, há uma referência para o conjunto das categorias”, afirmou.

DF como território livre da escala 6×1

Outra bandeira apresentada durante a entrevista foi o fim da escala de trabalho 6×1, modelo no qual o trabalhador atua durante seis dias para ter apenas um de descanso. Para Jacy, o Distrito Federal pode adotar iniciativas locais para estimular empresas e instituições a substituir esse regime, mesmo enquanto o tema continua em debate no Congresso Nacional. “Precisamos transformar o Distrito Federal em um território livre da jornada 6×1”, defendeu. O pré-candidato destacou ainda o impacto da sobrecarga de trabalho sobre as mulheres, que frequentemente acumulam o emprego remunerado com as tarefas domésticas e os cuidados familiares.

Tarifa zero todos os dias

Jacy Afonso também colocou a tarifa zero no transporte público entre suas prioridades. Segundo ele, o direito à mobilidade deve ser compreendido de forma semelhante ao acesso à saúde e à educação públicas. “Da mesma forma que temos o SUS e a escola pública, precisamos ter transporte público. É um direito do brasiliense ir e vir”, declarou. A proposta defendida pelo pré-candidato prevê gratuidade integral no transporte coletivo, durante todos os dias da semana. Na avaliação dele, a medida teria impacto especialmente relevante para trabalhadores de baixa renda e para as mulheres.

Críticas à gestão do GDF e defesa de investigações

Durante a entrevista, Jacy fez duras críticas à administração do Distrito Federal e abordou as controvérsias envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. O pré-candidato afirmou que, quando presidia o PT-DF, participou, ao lado de parlamentares e outros integrantes do partido, de iniciativas junto a órgãos como a Polícia Federal, o Banco Central e a Procuradoria-Geral da República para solicitar apuração de possíveis irregularidades.

Jacy defendeu o aprofundamento das investigações e responsabilização de eventuais envolvidos, caso sejam comprovados ilícitos. As acusações feitas durante a entrevista representam a posição política do pré-candidato e dependem da apuração das autoridades competentes e do devido processo legal.

Economia solidária e feiras como espaços de convivência

A valorização das feiras populares e da economia solidária também ocupa espaço na agenda apresentada por Jacy. Para ele, esses ambientes não representam apenas oportunidades de geração de renda, mas também espaços fundamentais de convivência comunitária.

Durante a entrevista, citou a experiência da Feira da Ponta Norte e defendeu políticas públicas para fortalecer produtores locais, empreendedores da economia solidária e iniciativas de comércio justo. “A nossa sociedade está muito enclausurada. A feira, o Eixão do Lazer e outros espaços públicos são lugares de convivência que precisamos recuperar”, afirmou. Jacy também defendeu a ampliação de espaços de lazer nas diferentes regiões administrativas, inspirados em experiências como o Eixão do Lazer.

Cultura precisa de fiscalização e investimento

Ao tratar da política cultural, o pré-candidato defendeu maior fiscalização da aplicação dos recursos públicos e criticou a gestão do setor no Distrito Federal. Para ele, a Câmara Legislativa precisa acompanhar as políticas públicas durante sua execução, e não apenas depois que eventuais problemas já tenham ocorrido. Jacy ressaltou a importância do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e de equipamentos e eventos tradicionais para a economia e a identidade cultural de Brasília. “Precisamos de uma Câmara Legislativa que fiscalize durante o processo. Não adianta agir apenas depois que as coisas já aconteceram”, afirmou.

Agricultura familiar e alimentação saudável

Filho de agricultor familiar, Jacy também defendeu o fortalecimento da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis no Distrito Federal. Entre as medidas mencionadas estão o incentivo à agricultura familiar, a ampliação da oferta de alimentos locais nas escolas e instituições públicas e o apoio às cozinhas, hortas e outras iniciativas solidárias.

Segundo ele, a alimentação saudável deve estar integrada às políticas de educação, saúde e desenvolvimento econômico. “Precisamos pensar na produção, no fortalecimento da agricultura familiar e no fornecimento de alimentos saudáveis para escolas e hospitais”, afirmou.

Programa de propostas será construído nas ruas

Jacy afirmou que seu programa eleitoral não será elaborado apenas por assessores ou especialistas reunidos em gabinetes. Segundo ele, as propostas estão sendo construídas por meio de debates temáticos e do contato com diferentes regiões e segmentos sociais do Distrito Federal.

A pré-campanha já trabalha com diversos eixos programáticos, que poderão ser ampliados conforme o diálogo com a população. “Estou me dedicando pessoalmente a entender os assuntos para não ficar falando apenas palavras de ordem”, afirmou.

Depois de 46 anos de militância no PT e de uma trajetória marcada pela atuação sindical e partidária, Jacy Afonso busca agora transformar a experiência acumulada nos bastidores em mandato parlamentar. A proposta, segundo ele, é levar para a Câmara Legislativa um perfil de atuação baseado no sindicalismo cidadão, na defesa dos serviços públicos e na construção de políticas voltadas à redução das desigualdades no Distrito Federal.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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