Toque consciente ganha espaço como ferramenta de autoconhecimento e bem-estar
Terapeuta corporal Pat Manisha defende a reconexão com o corpo e afirma que a forma como as pessoas recebem o toque influencia emoções, relacionamentos e saúde mental
Brasília (DF) – Em uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, pela aceleração da rotina e pelo distanciamento das experiências corporais, o toque consciente vem despertando o interesse de pessoas que buscam novas formas de autoconhecimento, autorregulação emocional e fortalecimento dos vínculos afetivos. O tema foi discutido no programa Só Agora, da TV Comunitária de Brasília, em entrevista da terapeuta corporal integrativa Pat Manisha à apresentadora Mariana Nevz.
Segundo Pat Manisha, o toque representa a primeira forma de comunicação do ser humano e continua exercendo papel fundamental na maneira como cada pessoa percebe segurança, acolhimento e afeto ao longo da vida.
“Antes mesmo de aprendermos a falar, aprendemos por meio do toque. É no colo, no carinho e no contato que começamos a construir nossa relação com o mundo”, explicou durante a entrevista.
Corpo registra experiências emocionais
A terapeuta afirmou que experiências vividas desde a infância permanecem registradas no corpo, influenciando comportamentos, emoções e relações interpessoais.
Segundo ela, situações de medo, violência, rejeição ou toques invasivos podem levar o organismo a desenvolver mecanismos inconscientes de proteção, conhecidos na abordagem corporal como “couraças”.
“Essas defesas são formas inteligentes que o corpo encontra para nos proteger. O problema é quando a batalha termina e continuamos usando essa armadura durante toda a vida”, observou.
Na avaliação da terapeuta, muitas pessoas acabam se desconectando das próprias emoções ao priorizar explicações exclusivamente racionais para aquilo que sentem. “A mente pode racionalizar tudo, mas o corpo continua dizendo a verdade. Precisamos reaprender a escutá-lo”, afirmou.
Toque vai além do contato físico
Durante a conversa, Pat Manisha destacou que o toque não se resume ao contato entre duas pessoas. Para ela, a intenção com que esse gesto é realizado também exerce influência sobre quem o recebe.
“A intenção chega antes mesmo de a mão tocar a pele. O corpo percebe se aquele contato transmite segurança, acolhimento ou ameaça”, explicou. Segundo a terapeuta, esse aspecto ajuda a compreender por que muitas pessoas desenvolvem resistência ao toque ao longo da vida.
Ela observou que, em diversos relacionamentos, demonstrações de carinho acabam sendo associadas exclusivamente à expectativa de relações sexuais, dificultando a construção de experiências afetivas livres de cobranças ou condicionamentos.
Ressignificar o toque
Uma das propostas apresentadas pela especialista é justamente reconstruir essa relação. Por meio da prática conhecida como Sensitive, os participantes são convidados a experimentar o toque em um ambiente de acolhimento, respeito e presença, sem expectativas ou objetivos além da própria experiência sensorial.
“O maior aprendizado não está apenas em tocar alguém, mas em aprender a receber o toque de forma consciente”, destacou. Segundo Pat Manisha, o processo busca dissolver gradualmente bloqueios emocionais e criar novas associações positivas relacionadas ao contato corporal.
Neurociência ajuda a explicar os efeitos
Durante a entrevista, a terapeuta relacionou sua prática a estudos da neurociência sobre receptores sensoriais presentes na pele. Ela explicou que toques lentos, suaves e contínuos estimulam fibras nervosas responsáveis pela percepção afetiva, favorecendo a liberação de substâncias associadas ao bem-estar e à autorregulação emocional.
Na avaliação da especialista, esse mecanismo ajuda a compreender por que determinadas experiências de acolhimento podem reduzir níveis de ansiedade, tensão e estresse.
Vivência privilegia presença e escuta
Ao relatar sua própria experiência durante uma sessão de Sensitive, a apresentadora Mariana Nevz afirmou ter percebido uma sensação de segurança, acolhimento e profunda presença. Segundo ela, a vivência proporcionou uma mudança na percepção do tempo e favoreceu um estado de relaxamento intenso.
Para Pat Manisha, essa experiência ocorre porque o participante deixa de concentrar a atenção em preocupações externas e passa a observar as próprias sensações corporais. “É um convite para sair do automático, perceber o corpo e desenvolver consciência sobre aquilo que estamos sentindo”, explicou.
Corpo como caminho para o autoconhecimento
Além dos workshops, Pat Manisha atua como terapeuta corporal integrativa, utilizando técnicas de consciência corporal, bioenergética, meditações ativas e exercícios voltados à integração entre corpo e emoções.
Segundo ela, muitas manifestações emocionais reprimidas permanecem armazenadas no organismo e podem ser reconhecidas durante o processo terapêutico. “Às vezes a pessoa chora, ri ou sente emoções intensas sem compreender imediatamente a origem. O importante é permitir que essas experiências sejam acolhidas, sem julgamento”, afirmou.
Convite ao sentir
Ao encerrar a entrevista, a terapeuta destacou que as atividades são abertas a adultos interessados em aprofundar a relação consigo mesmos, independentemente de experiência prévia.
Segundo ela, o principal objetivo é incentivar uma reconexão com o corpo e com a capacidade de perceber emoções de maneira mais consciente. “É um convite para sentir, viver o momento presente e compreender que o corpo também fala. Quanto mais aprendemos a escutá-lo, mais nos aproximamos de uma vida com autenticidade, equilíbrio e bem-estar”, concluiu.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
