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De engraxate aos seis anos à liderança de projeto social que transforma vidas: Zaqueu aposta na inclusão pelo trabalho e anuncia candidatura ao DF

De engraxate aos seis anos à liderança de projeto social que transforma vidas: Zaqueu aposta na inclusão pelo trabalho e anuncia candidatura ao DF

Criador do programa Engraxate Brasil afirma já ter qualificado mais de 140 pessoas em situação de vulnerabilidade, ampliado oportunidades de trabalho em órgãos públicos e defende políticas de combate à pobreza, educação e inclusão produtiva.

Brasília – A história de Zaqueu é marcada pela superação da pobreza, pelo empreendedorismo social e pela defesa do trabalho como instrumento de transformação da realidade. Engraxate desde os seis anos de idade, ele transformou uma atividade historicamente marcada pelo preconceito em um programa de inclusão produtiva que hoje gera renda para dezenas de famílias no Distrito Federal.

Candidato a deputado distrital pelo PDT, Zaqueu foi o entrevistado da quinta edição do programa Identidade Negra, apresentado por Josibel Rocha, diretor do Sindicato dos Bancários, onde falou sobre a trajetória do Programa Engraxate Brasil, desenvolvido pela Associação de Moradores de Samambaia (AMS).

Durante a entrevista, Zaqueu relembrou que iniciou a profissão ainda na infância, nas ruas de Taguatinga, e afirma que o trabalho lhe garantiu dignidade desde cedo.

“Quando comecei a engraxar sapatos, nunca mais passei fome”, resumiu.

A experiência acumulada ao longo de mais de três décadas permitiu que ele desenvolvesse um novo modelo de atendimento, substituindo a tradicional caixa de madeira pelo atendimento com terno, gravata e equipamentos adaptados, inicialmente na Caixa Econômica Federal. A proposta buscava valorizar a profissão, melhorar as condições de trabalho e reduzir o estigma social associado aos engraxates.

Projeto amplia inclusão social

Segundo o idealizador, o Engraxate Brasil evoluiu de uma iniciativa individual para uma rede organizada de geração de emprego e renda. Atualmente, o programa atua em 37 prédios públicos de Brasília, incluindo ministérios, Presidência da República, Caixa Econômica Federal e órgãos do Ministério Público, mantendo acordo de cooperação com 19 instituições e empregando 26 engraxates.

Nos últimos cinco anos, aproximadamente 80 pessoas foram capacitadas e inseridas no mercado de trabalho por meio da iniciativa. Em seguida, um termo de fomento firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) possibilitou a qualificação de mais 65 trabalhadores, totalizando cerca de 145 beneficiários diretamente atendidos pelo projeto.
Zaqueu destaca que o programa prioriza pessoas inscritas no Cadastro Único, entre 18 e 60 anos, oferecendo formação gratuita, alimentação durante o curso e encaminhamento imediato para o trabalho.

“Nosso objetivo sempre foi criar oportunidades para quem mais precisa. Não oferecemos apenas um serviço; oferecemos uma porta de entrada para uma nova vida”, afirmou.

Mulheres já são maioria

Um dos resultados apontados pelo programa é a crescente participação feminina em uma atividade tradicionalmente exercida por homens.

De acordo com Zaqueu, mais de 60% da força de trabalho do Engraxate Brasil é composta por mulheres, responsáveis por cerca de 42,6% da produtividade da rede. Muitas delas conseguiram conquistar autonomia financeira e hoje sustentam suas famílias exclusivamente com a atividade, alcançando rendimentos superiores a R$ 5 mil mensais.

Reconhecimento institucional

A formalização do programa junto à Caixa Econômica Federal, por meio de um acordo de cooperação firmado em 2025, foi apontada como um dos principais marcos da iniciativa.

Segundo Zaqueu, o processo foi resultado de mais de duas décadas de articulações e enfrentou resistências administrativas em governos anteriores. Hoje, afirma, a experiência passou a ser reconhecida como modelo de inclusão produtiva e gestão social.

Além da expansão para novos órgãos públicos, o projeto pretende ampliar sua atuação para outras agências da Caixa em todo o país, fortalecendo uma rede nacional de geração de trabalho e renda.

Solidariedade além do trabalho

Outra iniciativa destacada durante a entrevista é a campanha anual de Natal promovida pela associação desde 2010.

Mobilizando empregados da Caixa Econômica Federal e voluntários, a ação arrecada presentes para crianças em situação de vulnerabilidade social. Em uma única edição, foram distribuídas mais de mil bicicletas, além de brinquedos e outros presentes destinados a famílias de baixa renda do Distrito Federal. Segundo Zaqueu, o projeto nasceu do contato cotidiano com trabalhadores e clientes da Caixa, transformando relações profissionais em uma ampla rede de solidariedade.

Propostas para a política

Na condição de pré-candidato à Câmara Legislativa do Distrito Federal, Zaqueu afirma que pretende defender políticas públicas voltadas à inclusão produtiva, ao fortalecimento da educação, ao combate à pobreza e à valorização dos trabalhadores.

Entre as propostas apresentadas estão a regulamentação da profissão de engraxate, a criação da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) específica para a categoria, programas de incentivo educacional para adolescentes em situação de vulnerabilidade, fiscalização dos gastos públicos, apoio ao empreendedorismo social e defesa do fim da escala de trabalho 6×1.

Para ele, o combate à desigualdade passa necessariamente pela ampliação das oportunidades de trabalho e educação.

“O país só será verdadeiramente desenvolvido quando ninguém precisar escolher entre a fome e a dignidade”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Josibel Rocha destacou a trajetória de Zaqueu como exemplo de transformação social e ressaltou a importância de dar visibilidade a lideranças negras comprometidas com a inclusão e a justiça social.

“O legado já foi construído. O que vemos hoje é uma iniciativa que gera trabalho, renda e esperança para centenas de pessoas”, concluiu.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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