Rosilene Corrêa coloca educação no centro de candidatura à Câmara dos Deputados
Professora aposentada, dirigente da CNTE e da TV Comunitária de Brasília defende valorização dos profissionais da educação, participação política da juventude, combate à violência contra as mulheres e ampliação das oportunidades de trabalho e formação no Distrito Federal. Ela criticou a situação da educação no DF e defendeu a democratização da comunicação.
Brasília (DF) – Da infância no interior de Goiás à militância sindical em defesa da escola pública, a professora aposentada Rosilene Corrêa, candidata a deputada federal pelo PT do Distrito Federal, apresenta a educação como eixo central de sua trajetória e de seu projeto político. Em entrevista à TV Comunitária de Brasília, ela defendeu maior investimento no ensino público, valorização dos profissionais da educação, políticas para a juventude, combate à violência contra as mulheres e atuação parlamentar voltada à redução das desigualdades sociais.
Rosilene participou do programa Brasília Notícias, apresentado por Paulo Miranda, com participação de Pietra Rocha, em 10 de agosto. Diretora licenciada da TV Comunitária de Brasília, ela também foi dirigente do Sindicato dos Professores do Distrito Federal e atualmente integra a direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Da roça à sala de aula
Durante a entrevista, Rosilene recuperou episódios de sua própria história para explicar a importância que atribui à educação. Nascida em Petrolina de Goiás, em uma família de seis filhos, sendo a única mulher entre cinco irmãos, ela viveu inicialmente em uma propriedade rural da família. A situação mudou quando o pai enfrentou dificuldades financeiras e precisou vender a fazenda e a casa.
A família mudou-se para a zona rural de Niquelândia. Rosilene contou que chegou a morar em um rancho de pau a pique e, aos 13 anos, ficou um ano fora da escola. “Quando eu fiquei sem estudar foi muito duro para mim”, recordou.
A possibilidade de retomar os estudos surgiu quando sua mãe decidiu que a filha deveria morar com uma tia. Aos 14 anos, Rosilene já estava distante dos pais para poder continuar sua formação. A partir daí, passou a conciliar estudo e trabalho. Cursou o magistério no ensino médio e começou a dar aulas aos 18 anos. Posteriormente, graduou-se em Pedagogia e ingressou na rede pública.
Depois de trabalhar em Goiás e em Santo Antônio do Descoberto, foi aprovada em concurso público no Distrito Federal e tomou posse em 1993. Em 2006, passou a atuar no movimento sindical dos professores, onde permaneceu por 15 anos. Em 2022, disputou uma vaga no Senado. “Fui a única dos seis filhos que se formou”, destacou.
Educação como política estruturante
Ao fazer um balanço de sua caminhada política, Rosilene afirmou que a educação permanece como sua principal bandeira. Para a candidata, porém, tratar da educação não significa discutir apenas escolas, professores e salas de aula. Ela relaciona a política educacional a questões como saúde, meio ambiente, proteção das mulheres, creches e redução das desigualdades.
“Se você melhora a educação, você está melhorando para todo mundo”, afirmou. Segundo Rosilene, a educação também deve desempenhar papel estratégico na prevenção da violência contra as mulheres, ao contribuir para a formação de crianças e jovens baseada no respeito e na igualdade.
Combate ao assédio e à violência contra as mulheres
Questionada por Pietra Rocha sobre o assédio contra mulheres na internet, Rosilene afirmou que o ambiente digital reproduz formas de violência presentes na sociedade. Na avaliação da candidata, o caráter aberto das plataformas digitais deveria ampliar a democracia e a participação social, mas precisa ser acompanhado pelo respeito aos direitos individuais.
Ela defendeu aplicação rigorosa da legislação existente e o aperfeiçoamento das leis de proteção às mulheres e crianças. “Precisamos ter muito rigor no cumprimento do que a gente já tem de legislação”, afirmou.
Rosilene relacionou o problema à persistência do machismo e da misoginia na sociedade e defendeu maior comprometimento do Parlamento com propostas destinadas à proteção das mulheres.
Juventude precisa participar da política, diz candidata
A participação política dos jovens também ocupou parte significativa da entrevista. Rosilene reconheceu que a imagem negativa construída em torno da atividade política contribuiu para afastar uma parcela da juventude. Para ela, entretanto, esse afastamento reduz justamente a capacidade dos jovens de interferir em decisões que terão impacto direto sobre seu futuro.
“A juventude precisa se envolver e muito, precisa assumir para si essa responsabilidade”, defendeu. Segundo a professora, acompanhar votações, conhecer propostas, pesquisar a atuação dos representantes e compreender o funcionamento das instituições são instrumentos fundamentais de cidadania.
“As consequências de tudo que é decidido no Parlamento vêm muito mais para quem é jovem”, afirmou, ao destacar que decisões tomadas hoje sobre educação, emprego, previdência, meio ambiente e políticas públicas terão efeitos durante décadas.
Rosilene critica situação da educação no DF
Ao abordar a rede pública do Distrito Federal, Rosilene destacou a elevada formação acadêmica dos professores, mas afirmou que a categoria enfrenta problemas de valorização profissional, endividamento e adoecimento.
Segundo ela, muitos profissionais possuem especialização, mestrado e doutorado, mas passaram anos sem reajustes salariais adequados. A candidata atribuiu parte das dificuldades da educação brasiliense às decisões políticas tomadas pelos governos locais e rejeitou a responsabilização dos professores pelos problemas de desempenho da rede.
“O que não é justo mesmo é querer atribuir essa responsabilidade a quem faz a educação”, afirmou. Rosilene também criticou problemas administrativos enfrentados pelos professores, citando dificuldades com sistemas eletrônicos utilizados para registros escolares, além dos impactos das mudanças realizadas no ensino médio.
Educação, emprego, cultura e mobilidade para a juventude
Ao apresentar propostas direcionadas aos jovens, Rosilene defendeu uma política integrada que envolva educação, acesso à universidade, emprego, cultura, transporte e segurança. Para ela, não basta assegurar a entrada dos jovens no ensino superior. É necessário criar condições para que consigam permanecer na universidade, concluir os cursos e posteriormente ingressar no mercado de trabalho.
A candidata também defendeu o acesso da juventude aos espaços culturais e à cidade. “É preciso pensar numa cidade onde a juventude tenha seu espaço, onde tenha acesso à cultura”, afirmou.
Rosilene relacionou essa concepção à defesa do passe livre, argumentando que a mobilidade permite aos estudantes participar de atividades culturais e educacionais para além do período regular de aulas.
Na avaliação da candidata, as políticas de juventude precisam oferecer perspectiva de futuro: “Hoje eu sou jovem, mas daqui a pouco vou terminar meu curso e quero ter emprego”.
Saúde e educação entre as prioridades
Questionada sobre quais seriam suas prioridades caso eleita deputada federal, Rosilene apontou a saúde como uma questão urgente no Distrito Federal, sem retirar a educação do centro de sua atuação.
Segundo ela, o parlamentar eleito pelo DF precisa atuar simultaneamente sobre questões nacionais e sobre as necessidades específicas da população brasiliense. “Não tem como pensar em futuro, em melhorar a cidade, se a gente não tem mais investimento na educação”, declarou.
Rosilene também defendeu políticas voltadas à população idosa. Com o envelhecimento demográfico, argumentou, as cidades precisam estar preparadas para garantir qualidade de vida às pessoas com mais de 60 anos. “É uma tarefa para quem está no Parlamento pensar na criança, na juventude, mas também pensar naqueles que vão viver muito”, disse.
Candidata pede rigor na escolha dos representantes
Na mensagem final, Rosilene pediu aos eleitores que pesquisem a trajetória dos candidatos antes de decidir o voto. Para ela, é necessário analisar não apenas discursos eleitorais, mas também posições políticas, propostas e votações anteriores de quem já exerce mandato.
“É preciso pesquisar, saber de fato o que você quer para sua vida e quem é que tem o perfil de que vai atuar”, afirmou. A candidata também defendeu que a escolha eleitoral ultrapasse interesses individuais. Na sua avaliação, representantes políticos devem atuar em benefício da coletividade e não apenas de grupos específicos.
“Nós somos uma comunidade. Então é preciso também querer o melhor para mim, mas sem me esquecer de que eu preciso atuar para que todo mundo venha junto”, declarou. Da menina que precisou deixar a casa dos pais para continuar estudando à professora que construiu décadas de atuação na educação pública e no movimento sindical, Rosilene Corrêa apresenta essa trajetória como fundamento de sua candidatura.
Ao longo da entrevista, uma ideia atravessou suas respostas sobre juventude, mulheres, emprego e desenvolvimento: a educação, em sua visão, não constitui apenas uma política setorial, mas uma ferramenta capaz de ampliar direitos, reduzir desigualdades e criar perspectivas de futuro para o Distrito Federal e para o país.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

