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José Geraldo de Sousa Júnior debate soberania nacional e desafios do Brasil em nova ordem mundial

José Geraldo de Sousa Júnior debate soberania nacional e desafios do Brasil em nova ordem mundial

Professor emérito e ex-reitor da UnB analisa pressões externas, multipolaridade, participação popular e papel da Constituição de 1988

O programa Diálogos ADUnB, exibido pela TV Comunitária de Brasília, debateu os “Desafios para a soberania nacional na atualidade” com o jurista, professor emérito e ex-reitor da Universidade de Brasília José Geraldo de Sousa Júnior. A entrevista foi mediada pelo professor da UnB e diretor da ADUnB Diego Diehl.

Durante a conversa, José Geraldo afirmou que a formação histórica do Brasil foi marcada pela experiência colonial e por relações de dependência que permaneceram mesmo após a Independência. Para ele, o país construiu diferentes projetos de soberania, mas continua enfrentando tensões decorrentes de interesses econômicos e geopolíticos externos.

Ao analisar o cenário internacional, o professor apontou que as disputas contemporâneas não ocorrem apenas por meio de intervenções militares. Sanções econômicas, instrumentos financeiros, pressões diplomáticas, controle da comunicação e outras formas de influência também podem afetar a autonomia dos Estados, segundo sua avaliação.

A emergência de uma ordem mundial multipolar foi apresentada como um cenário de riscos e oportunidades. José Geraldo destacou o papel dos Brics e defendeu relações internacionais baseadas no multilateralismo, na cooperação e no respeito à autonomia das nações.

Para o ex-reitor, soberania nacional e soberania popular estão diretamente relacionadas. Ele ressaltou que a participação dos movimentos sociais foi decisiva para a ampliação dos direitos humanos e para a construção da Constituição Federal de 1988.

O jurista também relacionou soberania à capacidade do país de garantir direitos, combater desigualdades e assegurar políticas estratégicas, citando educação, produção de alimentos e reforma agrária entre os elementos necessários à autonomia nacional.

Questionado sobre a necessidade de uma nova Constituinte, José Geraldo afirmou não considerar esgotado o potencial da Constituição de 1988. Segundo ele, ainda existem compromissos constitucionais a serem concretizados, especialmente nas áreas de participação democrática, redução da pobreza, educação universalizada e reforma agrária.

Para o professor, a defesa da soberania brasileira passa, portanto, não apenas pela autonomia diante das disputas internacionais, mas também pelo fortalecimento das instituições democráticas, pela efetivação dos direitos constitucionais e pela participação popular nas decisões sobre os rumos do país.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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