Quem cuida também precisa de cuidado: programa alerta para saúde física e mental das mulheres
No programa Só Agora, psicóloga Mariana Neves chama atenção para sobrecarga feminina, divisão de responsabilidades, prevenção no Outubro Rosa e importância de procurar ajuda profissional
“Você cuida de tanta gente. E quem cuida de você?” A pergunta conduziu uma edição do programa Só Agora, da TV Comunitária de Brasília, apresentada pela psicóloga e comunicadora Mariana Neves. Unindo as reflexões do Outubro Rosa e da saúde mental, ela abordou um problema presente na rotina de muitas mulheres: cuidar da família, da casa e do trabalho enquanto as próprias necessidades ficam para depois.
Para ilustrar essa realidade, Mariana apresentou a personagem fictícia Lúcia, uma mulher que trabalha, acompanha a mãe em consultas e assume grande parte das tarefas domésticas. Quando questionada sobre o que gostaria de fazer no domingo, Lúcia consegue enumerar obrigações, mas tem dificuldade para identificar os próprios desejos.
A psicóloga destacou que saúde mental não depende apenas da força de vontade individual. Condições de vida, renda, transporte, proteção, acesso à saúde, creche, relações familiares e ambiente de trabalho também interferem diretamente na capacidade de uma pessoa cuidar de si.
Mariana também alertou para sinais que merecem avaliação profissional, como tristeza persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações importantes no sono ou no apetite, falta de energia e dificuldade de concentração. Segundo ela, não é necessário esperar que o sofrimento incapacite completamente a pessoa para procurar atendimento.
No contexto do Outubro Rosa, a apresentadora ressaltou a importância de não adiar cuidados com a saúde. Alterações como caroços, mudanças na pele ou nos mamilos e secreções inesperadas nas mamas precisam ser avaliadas, sem que isso signifique automaticamente a existência de câncer.
Outro ponto abordado foi a divisão das responsabilidades dentro de casa. Para Mariana, recomendar simplesmente que uma mulher sobrecarregada “descanse” é insuficiente se todas as obrigações continuarem sob sua responsabilidade. A pergunta necessária, segundo ela, é quem assumirá parte das tarefas para que o descanso seja realmente possível.
O programa também incentivou a construção de redes de apoio e a busca por atendimento quando necessário. Mariana lembrou que pedir ajuda, aceitar companhia, dividir responsabilidades e reconhecer os próprios limites também são formas de cuidado.
A mensagem que atravessou o programa foi direta: quem cuida também precisa caber no cuidado. Mais do que suportar silenciosamente uma rotina de responsabilidades, mulheres precisam ter espaço para expressar necessidades, compartilhar tarefas, cuidar da saúde e recuperar o direito de perguntar a si mesmas o que desejam para a própria vida.
Confira a íntegra da conversa no youtube da TV Comunitária de Brasília
