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TV Comunitária de Brasília defende políticas para ‘soberania informativa do povo brasileiro’

TV Comunitária de Brasília defende políticas para ‘soberania informativa do povo brasileiro’

Manifesto direcionado ao governo Lula reúne propostas para fortalecer a comunicação democrática

TV Comunitária de Brasília reúne comunicadores e comunidade em defesa do fortalecimento da comunicação popular
TV Comunitária de Brasília reúne comunicadores e comunidade em defesa do fortalecimento da comunicação popular | Crédito: Divulgação/TV Comunitária

A TV Comunitária de Brasília lançou, nesta sexta-feira (16), um manifesto dirigido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 20 propostas para fortalecer as rádios e TVs comunitárias no país. O documento reivindica “soberania informativa para o povo brasileiro” por meio de uma política nacional de financiamento para o setor, da ampliação do acesso a recursos públicos e de mudanças na legislação para garantir maior espaço aos veículos.

“A concentração dos meios de comunicação e o crescente poder das plataformas digitais internacionais impõem novos desafios à soberania nacional. A circulação massiva de desinformação, discursos de ódio e conteúdos manipulados compromete o debate público e ameaça as instituições democráticas”, diz um trecho.

Entre as principais propostas está a criação de um Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento das TVs Comunitárias, destinado à modernização tecnológica, produção audiovisual, formação profissional e expansão do setor. A entidade também defende a retomada das discussões sobre uma contribuição específica para o financiamento da radiodifusão e teledifusão pública.

Para Paulo Miranda, presidente da TV Comunitária de Brasília, a falta de recursos deixa as emissoras dependentes de contribuições e do apoio de organizações. “A gente não recebe nada, a gente vive de caridade alheia, da galera que colabora e do movimento sindical”, afirma.

O manifesto sustenta que a falta de uma política permanente de financiamento ameaça a sobrevivência e o potencial dessas iniciativas. A emissora defende que o fortalecimento da comunicação comunitária seja tratado como investimento na democracia, com recursos distribuídos por critérios transparentes e garantia de autonomia editorial.

“A comunicação popular pode contribuir decisivamente para enfrentar a desinformação, fortalecer a cidadania, divulgar políticas públicas, ampliar a participação democrática e aproximar o Estado das necessidades concretas da população”, aponta o texto. O documento reúne reivindicações relacionadas ao financiamento, à formação de comunicadores, legislação, infraestrutura tecnológica e soberania digital.

Financiamento e publicidade pública

Além da criação de um fundo nacional, a TV Comunitária de Brasília defende que as emissoras tenham acesso a mecanismos de financiamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para produzir conteúdos educativos, culturais, científicos e jornalísticos.

Outra reivindicação é a destinação de 40% dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) ao desenvolvimento da comunicação comunitária. A proposta é associada, no manifesto, ao Projeto de Lei nº 2.771/2020, de autoria da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ).

O documento também defende mudanças nas regras de publicidade institucional para ampliar a participação das TVs comunitárias em campanhas de interesse público dos governos federal, estaduais e municipais. A reivindicação inclui ainda blogs, portais, sites e redes sociais vinculados a emissoras comunitárias.

Miranda critica a distribuição dos recursos de comunicação do governo federal e afirma que veículos comunitários e populares ficam à margem dos investimentos. “Os bilhões que o governo usa na comunicação, que é o imposto que a gente paga, vão todos para a mídia golpista e para as big techs”, diz.

A cobrança envolve também o cumprimento das regras já existentes. Publicada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em setembro de 2023, a Instrução Normativa nº 2 autoriza a veiculação remunerada de publicidade institucional e de utilidade pública em canais comunitários e universitários distribuídos por operadoras de TV por assinatura.

A norma, porém, não garante automaticamente a contratação de todas as emissoras. Na época, a própria Secom orientou os canais que atendessem aos critérios previstos a procurar o Núcleo de Mídia do órgão para realizar ou atualizar o cadastro. A TV Comunitária de Brasília afirma que a regra não vem sendo cumprida pelo governo federal e cobra a efetivação desse mecanismo.

Na área da publicidade comercial, a entidade pede apoio à aprovação do Projeto de Lei nº 27/2016, que prevê a veiculação de até seis minutos de anúncios comerciais por hora nas TVs comunitárias, observadas as condições legais aplicáveis.

As propostas buscam ampliar as fontes de receita das emissoras, que, segundo o manifesto, enfrentam dificuldades para manter equipamentos, transmissões, profissionais e produção independente.

Formação e acesso à televisão aberta

A formação de novos comunicadores também aparece entre as prioridades. O manifesto propõe transformar os canais comunitários em espaços gratuitos de capacitação em jornalismo comunitário, produção audiovisual, fotografia, edição de vídeo, inteligência artificial e educação midiática.

A iniciativa teria como público prioritário jovens das periferias, estudantes da rede pública, trabalhadores, mulheres e integrantes de movimentos sociais.

TV Comunitária de Brasília cobra financiamento público para fortalecer a comunicação comuitária
TV Comunitária de Brasília cobra financiamento público para fortalecer a comunicação comuitária

Na área regulatória, a TV Comunitária de Brasília defende medidas para assegurar a continuidade dos canais comunitários previstos na legislação da televisão por assinatura. Também reivindica participação nas discussões sobre a atualização das normas do setor e a implementação do Canal da Cidadania, previsto para ampliar a oferta de conteúdos comunitários e de interesse público na televisão digital aberta.

O documento propõe ainda estudos para viabilizar o acesso direto das TVs comunitárias à radiodifusão digital terrestre, reduzindo a dependência da distribuição por assinatura e de plataformas privadas.

Para as rádios comunitárias, a entidade solicita apoio à ampliação da potência de transmissão de 25 para até 150 watts e ao aumento de um para dois canais destinados ao serviço, conforme a proposta legislativa mencionada.

Soberania digital e comunicação pública

As propostas também incluem o fortalecimento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a criação de uma Central Nacional de Produção de Mídia Comunitária e o desenvolvimento de plataformas digitais brasileiras.

Pela proposta, a central reuniria estrutura para produção audiovisual, intercâmbio de programas, coproduções e formação técnica voltada às rádios e TVs comunitárias. Já a proposta de plataformas nacionais prevê incentivo a redes sociais e serviços de streaming com infraestrutura própria, proteção de dados e transparência algorítmica.

O manifesto relaciona essas medidas à necessidade de ampliar a diversidade de vozes na comunicação e reduzir a dependência tecnológica de grandes empresas internacionais. Também defende políticas de enfrentamento à desinformação e aos discursos de ódio, com respeito à liberdade de expressão e ao direito à informação.

A TV Comunitária de Brasília propõe, por fim, a abertura de diálogo permanente entre a Presidência da República, a Casa Civil, a Secretaria de Comunicação Social, os ministérios das Comunicações e da Cultura, a EBC e representantes da comunicação comunitária. O documento também pede a criação de um grupo de trabalho interministerial com participação da sociedade civil para analisar as reivindicações e encaminhar medidas legislativas, administrativas e orçamentárias voltadas à manutenção e à expansão do setor.

Confira a íntegra do Manifesto da TV Comunitária de Brasília para o Presidente Lula:

Manifesto da TV Comunitária para o Presidente Lula


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Editado por: Clivia Mesquita

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