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Pastor Ismael Lopes defende Evangelho Social e critica uso da religião como instrumento de poder político e econômico

Pastor Ismael Lopes defende Evangelho Social e critica uso da religião como instrumento de poder político e econômico

Em entrevista ao programa Identidade Negra, da TV Comunitária de Brasília, líder religioso defendeu uma fé comprometida com a justiça social, a solidariedade e os direitos da população mais vulnerável.

Por Paulo Miranda (jornalista)

O papel das igrejas evangélicas na sociedade brasileira, a influência da religião na política e a necessidade de recuperar os princípios de solidariedade do cristianismo foram os principais temas do programa Identidade Negra, apresentado por Josibel Rocha, na quinta-feira, 22 de outubro, pela TV Comunitária de Brasília.

O entrevistado foi o pastor Ismael Lopes, da Igreja da Garagem, que também atua em movimentos sociais e integra há mais de dez anos a União por Moradia Popular, organização dedicada à luta pelo direito à habitação e à cidade.

Durante a entrevista, Ismael defendeu o chamado Evangelho Social, perspectiva segundo a qual a fé cristã deve estar diretamente comprometida com a transformação das condições de vida da população, especialmente dos trabalhadores, pobres e pessoas em situação de vulnerabilidade.

O pastor explicou as diferenças entre a Teologia da Libertação, a Teologia da Missão Integral e a Teologia da Prosperidade, destacando que as duas primeiras valorizam a responsabilidade social das comunidades religiosas.

Segundo ele, o crescimento de grandes organizações evangélicas, associado à expansão de interesses econômicos e políticos, contribuiu para enfraquecer práticas comunitárias de solidariedade e acolhimento.

Ismael criticou o que considera uma transformação de determinados grupos religiosos em estruturas empresariais, nas quais o poder financeiro se converte em influência política.

Entretanto, ressaltou que é necessário distinguir essas grandes organizações das pequenas igrejas de bairro, que continuam desempenhando funções sociais importantes nas periferias brasileiras.

De acordo com o pastor, muitas comunidades religiosas oferecem alimentação, assistência às famílias, atividades culturais, ensino de música e apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade, frequentemente suprindo a ausência de serviços públicos.

Para ele, o Estado precisa ampliar sua presença nesses territórios, garantindo educação, cultura, lazer, saúde e assistência social como direitos de toda a população.

Outro ponto destacado foi a necessidade de combater a intolerância religiosa, o racismo e a discriminação contra pessoas LGBTQIA+, defendendo que as igrejas sejam espaços de proteção e acolhimento.

O pastor também alertou para os riscos da utilização da autoridade religiosa como instrumento de orientação eleitoral, afirmando que a opinião de uma liderança espiritual não deve ser confundida com a vontade divina.

Durante o programa, Ismael relembrou sua participação em uma vigília de apoiadores de Jair Bolsonaro, quando fez críticas públicas ao ex-presidente e relatou ter sofrido agressões ao deixar o local.

Ao encerrar a entrevista, defendeu que o cristianismo recupere seu compromisso com a dignidade humana e a transformação das estruturas sociais que produzem desigualdade.

“A nova terra prometida não é uma promessa, é uma tarefa”, afirmou o pastor, ao defender uma sociedade baseada na justiça, na solidariedade e na garantia de direitos.

O programa Identidade Negra integra a programação da TV Comunitária de Brasília, transmitida pelo canal 12 da Claro NET-DF e pelas redes sociais e de streaming da emissora.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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