Vozes pela Democracia debate papel do jornalismo no enfrentamento à extrema direita e à desinformação
Helena Martins e Valeria Di Croce analisam a disputa cultural nas redes sociais, os desafios da comunicação popular e a necessidade de fortalecer a democracia no Brasil e na América Latina.
Por Paulo Miranda (jornalista e presidente da TV Comunitária de Brasília)
O programa Vozes pela Democracia, exibido na sexta-feira (6/11), debateu o papel do jornalismo e da comunicação popular no enfrentamento à desinformação, ao discurso de ódio e ao avanço da extrema direita no Brasil e na América Latina.
Apresentado pelo jornalista Sousa Jr., o programa recebeu duas especialistas: Helena Martins, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), secretária-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e integrante do DiraCom; e Valeria Di Croce, jornalista, escritora e professora universitária argentina, autora do livro La Arca de Milei.
O debate teve como referência o curso Contra-atacar: para entender e vencer a batalha cultural, promovido pelo DiraCom nos dias 6 e 7 de novembro, em Fortaleza, no Ceará.
Helena Martins destacou que a disputa política contemporânea ultrapassa o confronto eleitoral e envolve valores, direitos sociais, diversidade, juventude e a influência das plataformas digitais na formação da opinião pública.
Segundo a professora, o jornalismo independente desempenha papel fundamental na investigação de denúncias, no combate à desinformação e na apresentação de perspectivas frequentemente ausentes dos grandes meios de comunicação.
Helena também ressaltou a importância da soberania digital e da regulação das plataformas, defendendo políticas que ampliem a participação democrática e reduzam a concentração de poder das grandes empresas de tecnologia.
A jornalista argentina Valeria Di Croce apresentou uma análise crítica do governo de Javier Milei, relacionando sua ascensão à utilização estratégica das redes sociais, à polarização política e à disseminação de discursos de ódio.
Para Valeria, a articulação entre interesses econômicos, setores políticos e grandes plataformas digitais representa um desafio à democracia e à autonomia dos países latino-americanos.
A escritora alertou ainda para os ataques aos direitos humanos, às universidades e aos movimentos sociais na Argentina, defendendo o fortalecimento do jornalismo popular como instrumento de resistência democrática.
Durante a entrevista, as duas convidadas ressaltaram que o enfrentamento às narrativas autoritárias exige formação política, produção de conteúdos de qualidade e mobilização permanente da sociedade.
O curso realizado em Fortaleza reuniu debates sobre juventude, comunicação alternativa, soberania digital e oficinas práticas de produção de conteúdos para as redes sociais.
Ao encerrar o programa, Sousa Jr. destacou a importância de ampliar o alcance das mídias independentes e fortalecer a circulação de informações comprometidas com os direitos humanos e a cidadania.
O Vozes pela Democracia, iniciativa do FNDC, reafirmou a comunicação como um direito fundamental e um instrumento indispensável para a defesa da democracia e do pluralismo na sociedade.
Confira a íntegra do programa Vozes pela Democracia no youtube da TV Comunitária de Brasília:
