Soberania alimentar e Marcha das Mulheres Negras são temas no TV MPA
Na terça-feira (25/11), o programa TV MPA em parceria com a TV Comunitária de Brasília, conduzido pelo jornalista Paulo Miranda e pelo coordenador nacional de comunicação do MPA, Valter Israel, discutiu a Marcha da Mulher Negra que ocorreu na Esplanada dos Ministérios pelo Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.
O programa também abordou as novidades envolvendo o movimento dos pequenos agricultores, como os três anos do Raízes de Salvador, duas cozinhas solidárias inauguradas em Moju, no Pará, e Lauro Corona, perto de Niterói no Rio de Janeiro. Durante a edição, é divulgado um vídeo das Brejeiradas Campesinas, especial de saúde popular.
O Brejeiradas Campesinas, especial de saúde popular, conversou com o professor Jair Kotz, que coordena um projeto de fitoterápicos com o objetivo de implantá-los no SUS. Além disso, foi discutido a problemática do uso excessivo de medicamentos distribuídos nas farmácias do SUS.
De acordo com o coordenador de comunicação do MPA, Valter Israel, o MPA está em um momento bastante agitado. “Temos inaugurações de cozinhas solidárias, reunião da direção e preparação do Encontro Nacional do MPA para janeiro, dentre outras coisas”, comenta. Valter relata que as cozinhas solidárias são uma iniciativa importante que está se disseminando em vários estados do Brasil.
“A experiência está se consolidando nas bases do movimento, estabelecendo parcerias, especialmente com a Fundação Banco do Brasil, que nos auxiliou na estrutura dessas duas cozinhas. É um trabalho amplo no tema da soberania alimentar que está em movimento”, destaca o coordenador nacional de comunicação do MPA.
Os últimos 15 minutos do programa foram dedicados inteiramente aos discursos de Benedita da Silva, deputada federal do PT, e Jandira Feghalli, deputada federal do PC do B, que condenaram a violência contra as mulheres. A ministra Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, também participou da marcha. “Há 10 anos não acontecia a Marcha das Mulheres Negras em Brasília e ela envolve mulheres de todos os cantos do Brasil”, reforça Paulo Miranda.
O jornalista afirma que ainda há muitas mazelas da escravidão a serem superadas no Brasil. Valter Israel complementa dizendo que, após a abolição da escravidão, os negros deixaram de ser escravos cativos e se tornaram camponeses isolados na periferia da agricultura. “A agricultura camponesa surge nessa história. Os negros saíram do mundo da escravidão, mas não tinham acesso à terra para criar uma estrutura produtiva, então eles foram para os lugares mais inadequados trabalhar com agricultura e produzir comida para o autosustento”, pontua Valter.
O coordenador nacional de comunicação do MPA afirma que é por esse motivo que a raiz histórica da agricultura camponesa é cuidar da soberania alimentar. “Essa é a base da sobrevivência. A agricultura camponesa em geral, está nos lugares mais difíceis, onde é mais complicado trabalhar com máquinas e onde há menos interesse do capital. É um processo histórico muito forte, e o país precisa sim, cuidar dessa reparação”, enfatiza.
Por Kelly Jenyfer – @kellyjenyferjornalista
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