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A história de como mulheres de todo o mundo se uniram para frear Trump

A história de como mulheres de todo o mundo se uniram para frear Trump

Por Jamil Chade

A batalha política pelo corpo da mulher ganhou um capítulo histórico nesta semana. A extrema direita americana tentou redefinir o conceito de gênero e, numa reunião da ONU, desmontar o consenso de décadas sobre o avanço dos direitos das mulheres. Uma por uma, porém, todas as propostas do governo de Donald Trump para limitar os direitos de meninas e mulheres foram derrubadas.

A Casa Branca encerrou, portanto, sua participação 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU derrotada.

Desde que assumiu o governo, Trump vem implementando uma agressiva política de retirada de direitos de meninas e mulheres. A ideia dos ultraconservadores, porém, era a de tentar influenciar também a agenda internacional. Com o corte de recursos e a saída de entidades como a Organização Mundial da Saúde, a Casa Branca abala o financiamento de programas de educação sexual para milhões de meninas pelo mundo.

Mas, na semana passada, a ambição era a de desmontar o consenso internacional criado nos últimos 30 anos em relação aos direitos fundamentais.

Desde o início das reuniões, em 9 de março, delegações sabiam que seriam dias tensos. Os encontros em Nova York começaram com os EUA barrando, pela primeira vez, a ideia de que a sessão aprovasse por consenso um documento de referência sobre o avanço dos direitos. Os diplomatas de Trump exigiram que tudo fosse colocado à votação, já sabendo que iriam promover uma ruptura dos trabalhos.

Nas reuniões que antecederam ao encontro, a delegação norte-americana já havia dado indicações concretas de que havia uma ameaça de impasse. O que deixou diversos governos irritados, porém, foi a manobra usada por Washington.

Por meses, os EUA se negaram em fazer parte das discussões entre os diplomatas e no esforço de preparar resoluções e decisões. Mas, faltando apenas poucos dias para a reunião, o Departamento de Estado promoveu uma mudança profunda em sua postura.

Washington enviou aos demais países uma proposta vetando o que chamou de “temas sociais controversos”. Para delegados estrangeiros, a mudança de tática não ocorreu por acaso. Entrar no debate apenas no final do processo tinha como objetivo fazer descarrilhar a negociação e gerar um colapso da conferência.

No total, os EUA solicitaram 90 mudanças no texto, incluindo a exclusão de referências ao impacto de mudanças climáticas para mulheres e, principalmente, a recusa em aceitar a ideia da criação de um fundo para compensar vítimas de violência contra a mulher.

Mas o que o mundo viu foi uma rara união para frear a agenda trumpista e aplicar ao governo dos EUA uma derrota humilhante.

Conto essa história completa na revista Liberta desta semana:

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https://revistaliberta.com.br/digital/jamil-chade-onu-freia-retrocesso-direitos-femininos-trump/

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