Fernanda Alpino e Fernando de Carvalho falam sobre a peça Frankenstein, de Mary Shelley
Na terça-feira (14/12), o programa Letras & Livros, apresentado pelo escritor e jornalista Pedro César Batista, recebeu Fernanda Alpino e Fernando de Carvalho para uma conversa sobre o espetáculo Frankenstein, inspirado na obra de Mary Shelley. A montagem, que celebra os 15 anos do Grupo Liquidificador, teve direção de Fernanda Alpino e dramaturgia de Fernando de Carvalho.
Apresentado no CCBB Brasília entre 26 de março e 19 de abril, o espetáculo propôs uma releitura contemporânea da obra de 1818, abordando temas como inteligência artificial, tecnologia e os limites da condição humana. Fernanda Alpino relata que a montagem se distancia das versões cinematográficas tradicionais para estabelecer um diálogo direto com o espírito original da autora.
Além das apresentações, o grupo promoveu a residência artística gratuita Monstros Generativos, realizada de 30 de março a 8 de abril no Espaço Cultural Renato Russo. A atividade foi focada em criação de cênica contemporânea e na discussão ética sobre a relação entre criador e criatura.
O autor da peça Frankenstein, Fernando de Carvalho,explica que a decisão de resgatar a obra surgiu porque ela se tornou uma metáfora para diversas questões contemporâneas. “Acho que isso se conecta profundamente com o sentimento do nosso tempo, já que temos acesso a informações de todos os lados e as inúmeras bibliotecas disponíveis online para criar um novo corpo, que às vezes se resume a uma resposta pronta. Então comecei a refletir sobre esse paralelo entre o corpo e o mental”, explica.
Para a diretora do espetáculo, Fernanda Alpino, a montagem foi muito especial para o grupo por marcar os 15 anos de trabalho. “É uma peça que, de alguma forma, sintetiza nossa trajetória. Tanto nos interesses temáticos quanto no debate sobre tecnologia, mas também na reflexão sobre o corpo, ao trazer elementos tecnológicos para a cena. Todos esses aspectos já permearam nosso trabalho em algum momento”, relata. “Chegar até aqui e poder falar sobre essa mulher tão revolucionária, que escreveu a obra aos 18 anos, é também resgatar memórias”, completa.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
