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Em ato no Itamaraty, Lara Souza relatou violações de direitos humanos contra Thiago Ávila, detido ilegalmente por Israel

Em ato no Itamaraty, Lara Souza relatou violações de direitos humanos contra Thiago Ávila, detido ilegalmente por Israel

Parlamentares acompanharam reunião no Itamaraty e cobraram atuação do governo brasileiro pela libertação do ativista

Ato Thiago Avila em Brasília
Ato pela liberdade de Thiago Ávila foi realizado na noite desta quarta (6) | Crédito: Kennedy Cruz/BdF DF

A esposa do ativista brasileiro Thiago Ávila, Lara Souza, denunciou, na noite desta quarta-feira (6), que ele está detido em cela solitária em Israel, sob privação de sono, após ter sido capturado em águas internacionais durante uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza no dia 30 de abril. A declaração foi realizada durante um ato em solidariedade ao brasileiro em frente ao Palácio do Itamaraty em Brasília.

“Ele está passando por situações de extrema violação dos direitos humanos, em uma cela solitária com luzes intensas 24 horas por dia, numa prisão que, segundo a advogada, usa isso como tática para causar desorientação e privação de sono. Ele está há sete dias em greve de fome e isso é uma coisa que precisa ser considerada pelo governo brasileiro e pela comunidade internacional para exigir a imediata libertação do Thiago”, relatou Souza.

A embarcação coordenada por Ávila foi interceptada por forças israelenses em águas internacionais, o que, de acordo com os organizadores da missão, configura violação do direito internacional. “O Thiago e o Saif foram sequestrados há 7 dias em águas internacionais próximas da Grécia, a mais de 1.000 km de distância do território israelense, para onde eles não estavam indo. E isso é uma clara violação do Direito Internacional e todos nós aqui já sabemos disso”, observou Lara Souza.

Paralelo a manifestação, Lara Souza que também é uma das coordenadoras da flotilha Global Sumud participou de uma reunião no Ministério das Relações Exteriores acompanhada de parlamentares, entre estes o distrital Fábio Felix (Psol-DF) e as deputadas federais Erika Kokay (PT-DF), Fernanda Melchionna (Psol-RS), Sâmia Bomfim (Psol-SP), Luizianne Lins (Rede-CE).

“Viemos cobrar informações e medidas do governo brasileiro em relação à prisão arbitrária, ao sequestro de Thiago Ávila”, informou Felix, que acrescentou que a comitiva foi recebida pela ministra interina Maria Laura da Rocha.

A deputada Fernanda Melchionna acrescentou que foram cobradas medidas mais firmes do governo brasileiro diante da gravidade da situação. “Tivemos uma posição importante do presidente Lula, uma nota importante [do Ministério], mas ainda insuficiente frente ao sequestro do cidadão brasileiro”, frisou.

“Nós temos um brasileiro que foi sequestrado e que estava no exercício de uma missão humanitária para o povo o palestino que tem sofrido as ações absolutamente genocidas do Estado de Israel. Está sequestrado e nós viemos aqui para que o governo brasileiro possa utilizar todos os instrumentos necessários para que o Thiago seja colocado em liberdade”, destacou a deputada Erika Kokay.

Em resposta ao Brasil de Fato DF, o Ministério das Relações Exteriores informou que na reunião, a ministra Maria Laura reiterou as medidas de assistência consular tomadas pelo governo brasileiro e as gestões feitas em prol da libertação do ativista”.

O órgão reforçou também que a Embaixada do Brasil em Tel Aviv presta assistência a Thiago Ávila desde o início da prisão, incluindo visitas consulares e no acompanhamento das audiências judiciais vinculadas ao caso.

“O Ministério das Relações Exteriores do Brasil segue trabalhando em vista da liberação do brasileiro e da completa apuração das circunstâncias de sua detenção”, diz trecho da nota.

Parlamentares se reuniram com a ministra Maria Laura da Rocha
Parlamentares se reuniram com a ministra Maria Laura da Rocha | Crédito: Comunicação/Fábio Felix

Do lado de fora, em frente ao Palácio, manifestantes criticaram a atuação militar de Israel na Faixa de Gaza e também cobraram uma posição mais dura do governo brasileiro.

A mobilização reuniu ativistas, estudantes, representantes de movimentos populares e parlamentares. Entre estes o diretor da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Leandro Lanfredi, que foi um dos detidos por Israel durante a ação que sequestrou Thiago Ávila.

Ele retornou ao Brasil na segunda-feira (4) e durante a manifestação relatou a situação. “Esse estado nos submeteu a uma pequena parcela da violência que tão cometendo contra o Thiago, contra o Saif e que cometem há décadas contra o povo palestino. Passamos frio, não tínhamos acesso a comida, remédio”.

“Eles tentaram com essa violência quebrar o movimento. Mas o movimento da flotilha segue, porque a gente se inspira, a gente não tem medo deles e a nossa inspiração são oito décadas de resistência do povo palestino”, destacou Lanfredi.

Ainda em seu posicionamento, o petroleiro clamou para que o governo brasileiro rompa as relações com Israel. “O governo brasileiro chama o que Israel faz pelo nome correto por ‘genocídio’, mas o Brasil continua mantendo relações, continua sendo um dos principais parceiros comerciais com esse Estado, continua tendo treinamentos militar, importando software e hardware para fazer repressão”, apontou o sindicalista.

Ato Thiago Avila em Brasília
Ato pela liberdade de Thiago Ávila foi realizado na noite desta quarta (6) | Crédito: Kennedy Cruz/BdF DF

Flotilha volta a navegar

Ainda durante a manifestação, Lara Souza informou que os barcos da flotilha Global Sumud voltam a navegar nesta quinta-feira (7). “Porque nós não vamos interromper a nossa mobilização justa e importante numa ação humanitária diante dessa tentativa deles de criminalizar”.

“Nós já sabemos que o estado genocida de Israel é um estado que não tem limites. Nós já sabemos que eles não respeitam nenhum tipo de legislação. Nós já sabemos que eles não respeitam nenhum tipo de lei do direito internacional, mas nós não podemos deixar de nos mobilizar”.

Souza também reforçou a necessidade de continuidade nas mobilizações. “Nós precisamos que as mobilizações nas ruas, nas redes, que a pressão do governo, que a pressão política da comunidade internacional continue. Nós vamos lutar até trazer o Thiago de volta para casa, levar o Saif de volta para a família dele, para a esposa e para os três filhos que estão esperando ele em casa. Nós vamos lutar até a Palestina livre”.

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