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Missão Josué de Castro reuniu movimentos sociais e governo federal em defesa da soberania alimentar

Missão Josué de Castro reuniu movimentos sociais e governo federal em defesa da soberania alimentar

O TV MPA de 2 de junho, exibiu as principais falas da abertura do encontro nacional em Brasília sobre transformação dos sistemas alimentares, fortalecimento da agroecologia e integração entre políticas públicas e organizações populares

Brasília (DF) – Representantes de movimentos sociais, entidades acadêmicas, instituições financeiras públicas e integrantes do governo federal participaram, entre os dias 1º e 3 de junho, do 1º Encontro Nacional para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares da Missão Josué de Castro, realizado no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB).

O evento reuniu lideranças do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), MTST, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Fundação Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e ministérios do governo federal para discutir estratégias voltadas à soberania alimentar e à transição agroecológica no país.

Inspirada nas ideias do médico, geógrafo e escritor brasileiro Josué de Castro, referência mundial nos estudos sobre a fome, a missão busca articular políticas públicas, produção agroecológica e abastecimento popular para enfrentar as desigualdades alimentares e fortalecer a agricultura familiar.

“A fome é um problema político”, afirma presidenta da ADUnB

Presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília, Maria Lídia destacou que a escassez de alimentos não está relacionada à capacidade produtiva do país, mas à forma como a riqueza e os recursos são distribuídos.

“A questão da fome não é de produção, mas de distribuição. Vivemos uma crise ambiental, alimentar e social em um contexto de enorme desenvolvimento tecnológico, mas apropriado por poucos”, afirmou durante a abertura do encontro.

Segundo ela, o modelo predominante de produção agrícola tem contribuído para o agravamento da crise climática e para o enfraquecimento da soberania alimentar.

Construção coletiva e fortalecimento dos territórios

Integrantes da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores ressaltaram que a Missão Josué de Castro é resultado de uma articulação iniciada em 2022 e construída coletivamente por diferentes organizações populares.

Para Leomárcio Silva, membro da coordenação nacional do MPA, o principal desafio é consolidar um espaço permanente de cooperação capaz de formular políticas públicas e fortalecer a produção, a transformação e o abastecimento de alimentos nos territórios.

“Superar a fome exige soberania alimentar. Não basta retirar o Brasil do mapa da fome se não forem construídas condições permanentes para garantir comida de verdade à população”, afirmou.

Integração de políticas públicas

Secretário-geral da Missão Josué de Castro, Marcelo Leal defendeu a integração entre diferentes programas governamentais e a construção de uma nova geração de políticas públicas voltadas à produção e ao abastecimento alimentar.

“O alimento é uma criatura, não uma mercadoria”, declarou, ao defender soluções sistêmicas para enfrentar problemas complexos relacionados à alimentação e à crise climática.

Segundo ele, a missão tem como objetivo estabelecer uma nova etapa de cooperação entre Estado e sociedade civil organizada para promover a transição agroecológica dos sistemas alimentares brasileiros.

Concentração do mercado preocupa movimentos

Representantes do MPA também chamaram atenção para a elevada concentração do setor supermercadista brasileiro. Segundo dados apresentados durante o encontro, um pequeno grupo de empresas responde pela maior parte da comercialização de alimentos no país.

Na avaliação das lideranças, a democratização do abastecimento e a ampliação das redes populares de comercialização são fundamentais para garantir alimentação saudável e fortalecer a agricultura familiar.

Fundação Banco do Brasil anuncia novos investimentos

Representando a Fundação Banco do Brasil, André Machado destacou a importância da articulação entre movimentos sociais e políticas públicas para garantir maior estabilidade às cooperativas e agroindústrias populares.

Ele anunciou investimentos voltados à ampliação da capacidade de armazenamento e refrigeração de alimentos destinados às cozinhas solidárias em São Paulo, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e outras instituições.

Segundo o dirigente, experiências anteriores demonstraram a necessidade de construir estruturas mais resilientes, capazes de resistir a mudanças de conjuntura política e econômica.

Governo federal destaca papel dos movimentos sociais

Representando a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, o secretário-executivo Eric Moura afirmou que as políticas públicas precisam caminhar em conjunto com os movimentos sociais para alcançar os territórios e atender as populações mais vulneráveis.

A representante da Caixa Econômica Federal, Noemi Aparecida Lemes, ressaltou que sustentabilidade ambiental, diversidade e combate à discriminação têm sido prioridades da instituição.

Já Izadora Brito, representando o ministro das Cidades, Guilherme Boulos, afirmou que a luta pela soberania alimentar está diretamente associada à defesa da democracia e dos direitos sociais.

Wellington Dias reforça integração de programas sociais

Encerrando o encontro, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou a importância da integração entre programas como Bolsa Família, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), alimentação escolar e cozinhas solidárias.

Segundo o ministro, a experiência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua própria trajetória de vida contribuíram para colocar o combate à fome no centro das políticas públicas brasileiras.

“Josué de Castro demonstrou que a fome não é um fenômeno natural, mas resultado de escolhas políticas. Cabe a nós construir as trincheiras da vida para combater todas as formas de fome”, afirmou.

Agroecologia e soberania alimentar

Ao final do encontro, os participantes defenderam a necessidade de fortalecer a agroecologia, ampliar a reforma agrária e consolidar mecanismos de abastecimento popular como estratégias permanentes de combate à fome.

A avaliação das organizações é que garantir a soberania alimentar significa ir além da simples redução dos índices de insegurança alimentar, construindo um sistema capaz de assegurar acesso contínuo à alimentação saudável, respeitando os territórios, a biodiversidade e os modos de vida das populações camponesas.

Para os organizadores, a Missão Josué de Castro pretende se consolidar como um espaço permanente de articulação entre movimentos populares, universidades e Estado na construção de alternativas para os sistemas agroalimentares brasileiros.

Confira no youtube da TV Comunitária de Brasília, a íntegra do TV MPA sobre a abertura do 1º Encontro da Missão Josué de Castro, com resumos das falas das seguintes lideranças e autoridades: Wellington Dias (Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome – MDS), Izadora Brito (representante do Ministro Boulos), Noemi da Aparecida Lemes (Caixa Econômica), Eric Moura (Secretário Executivo representante da ministra Fernanda Machiavelli – MDA), Marcelo Leal (secretário-geral da Missão Josué de Castro), Silvio Porto (Presidente da CONAB), André Machado (FBB), Érika Kokay (deputada federal do PT-DF), Isabel Ramalho (MPA), Leomárcio Araújo (MPA) e Maria Lídia (presidenta da ADUnB – Associação dos Docentes da Universidade de Brasília).

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