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1ª Conferência Nacional dos ODS mobiliza sociedade civil e governo para acelerar Agenda 2030 no Brasil

1ª Conferência Nacional dos ODS mobiliza sociedade civil e governo para acelerar Agenda 2030 no Brasil

Evento reúne representantes de todos os estados para discutir estratégias de combate às desigualdades, fortalecimento da sustentabilidade e ampliação da participação social

Brasília (DF) – A capital federal sediou a 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), considerada um marco na construção de políticas públicas voltadas à implementação da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil. Reunindo representantes dos 27 estados, gestores públicos, movimentos sociais, universidades, organizações da sociedade civil e delegações internacionais, o encontro teve como objetivo consolidar propostas para acelerar o cumprimento dos compromissos assumidos pelo país em favor do desenvolvimento sustentável, da inclusão social e da redução das desigualdades.

O tema foi debatido no programa Bate Papo Ecológico, da TV Comunitária de Brasília, em entrevista conduzida pelo ambientalista Pedro Ivo com o pedagogo Alberto Saraiva, integrante da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), coordenador do Grupo de Trabalho do ODS 18 e representante da Universidade Zumbi dos Palmares na comissão.

Segundo Alberto Saraiva, a conferência representa um passo decisivo para transformar os ODS em uma política pública permanente, construída de forma participativa e com forte envolvimento da sociedade brasileira.

“É uma grande vitória para a Agenda 2030. Estamos criando um amplo movimento de inclusão social, direitos humanos e sustentabilidade, envolvendo governo, sociedade civil e instituições em torno de objetivos comuns”, afirmou.

Trajetória marcada pela participação social

Natural de Belém (PA), Alberto Saraiva iniciou sua militância no movimento estudantil e, posteriormente, atuou em diferentes áreas da gestão pública, incluindo as secretarias de Esportes de Guarulhos e Várzea Paulista, a Ouvidoria-Geral de Osasco e o Ministério do Esporte.

Também participou da preparação da cidade de São Paulo para a Copa do Mundo FIFA de 2014 e integrou iniciativas relacionadas aos grandes eventos esportivos realizados no país. Atualmente, coordena o programa de extensão da Universidade Zumbi dos Palmares, instituição pioneira na América Latina voltada à promoção da inclusão racial no ensino superior.

Segundo Saraiva, a experiência da universidade contribuiu para impulsionar a adoção das políticas de cotas raciais em centenas de instituições brasileiras. “A Universidade Zumbi dos Palmares abriu caminhos que hoje estão presentes em cerca de 200 universidades do país”, destacou.

O que são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Durante a entrevista, Alberto explicou que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável constituem um conjunto de metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas em 2015 para orientar políticas públicas voltadas ao enfrentamento da pobreza, das desigualdades, da crise climática e de outros desafios globais até 2030.

Assinado por 195 países, entre eles o Brasil, o compromisso integra a chamada Agenda 2030 e sucede os antigos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ampliando sua abrangência e incorporando dimensões sociais, econômicas e ambientais do desenvolvimento sustentável.

Segundo o representante da CNODS, o grande desafio atual consiste em transformar essa agenda internacional em ações concretas nos territórios brasileiros. “O objetivo é que essa pauta deixe de ser apenas um compromisso internacional e passe a fazer parte do cotidiano das políticas públicas e da vida das pessoas”, afirmou.

Pandemia e conflitos atrasaram metas

Na avaliação de Alberto Saraiva, a implementação da Agenda 2030 sofreu impactos significativos nos últimos anos em razão da pandemia de COVID-19 e da intensificação de conflitos armados em diversas regiões do planeta. Segundo ele, esses acontecimentos desviaram recursos e prioridades dos governos, dificultando o avanço das metas relacionadas à redução das desigualdades e à sustentabilidade. “Vivemos um período marcado por guerras, crises internacionais e pela pandemia. Tudo isso reduziu o ritmo de implementação dos compromissos assumidos pelos países”, observou.

Brasil busca protagonismo internacional

Para Saraiva, o Brasil desempenha papel estratégico nas discussões globais sobre desenvolvimento sustentável por defender o fortalecimento da governança internacional, da multipolaridade e da cooperação entre os países do Sul Global.

Segundo ele, a conferência representa uma oportunidade para reafirmar o compromisso brasileiro com os princípios da ONU e com a construção de modelos de desenvolvimento mais inclusivos. “O Brasil sempre teve uma atuação importante na defesa da multipolaridade e do fortalecimento da ONU como espaço de diálogo internacional”, afirmou.

Sistema nacional dos ODS é uma das prioridades

Entre os principais objetivos debatidos na conferência está a criação de uma estrutura permanente de governança para acompanhar a implementação dos ODS em todo o território nacional. A proposta prevê a articulação entre União, estados e municípios, nos moldes de sistemas já existentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

Segundo Alberto Saraiva, a ideia é consolidar comissões estaduais e municipais responsáveis por adaptar as metas globais às realidades locais. “Nós precisamos construir um Sistema Nacional dos ODS para que essa agenda esteja presente em todos os níveis da administração pública”, explicou.

Ele informou ainda que mais de 630 municípios brasileiros já aderiram ao pacto nacional voltado à implementação local dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Financiamento é apontado como desafio central

Outro tema considerado prioritário pelos organizadores é a criação de mecanismos permanentes de financiamento das ações previstas na Agenda 2030. Na avaliação de Saraiva, o sucesso da política dependerá da integração entre recursos públicos, investimentos privados e iniciativas da sociedade civil. “Sem financiamento, corremos o risco de produzir excelentes debates sem conseguir transformar as propostas em realidade”, alertou.

Participação popular fortalece a democracia

Ao final da entrevista, Pedro Ivo destacou que a conferência representa um importante espaço de participação social e construção coletiva de políticas públicas.

Já Alberto Saraiva classificou o encontro como “uma grande festa da democracia” e convidou a população a acompanhar os debates realizados no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. “Nossa expectativa é reunir representantes de todos os estados brasileiros e fortalecer uma agenda que coloca a sustentabilidade, a inclusão social e os direitos humanos no centro do desenvolvimento do país”, concluiu.

A expectativa dos organizadores é que as deliberações da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sirvam de base para a consolidação de uma política nacional permanente, capaz de acelerar o cumprimento da Agenda 2030 e ampliar a participação da sociedade na construção de um modelo de desenvolvimento mais justo, sustentável e inclusivo.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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