Capital Moto Week 2026 amplia estrutura, aposta em atrações internacionais e fortalece agenda social e sustentável
CEO do festival, Juliana Jacinto, revela expectativa de público próximo a 1 milhão de pessoas, expansão do camping e projeto de internacionalização do evento; Vila do Bem amplia protagonismo das periferias
Brasília (DF) – Uma cidade de 400 mil metros quadrados erguida para celebrar o rock, o motociclismo e a convivência entre milhares de pessoas. É assim que o Capital Moto Week 2026 se prepara para mais uma edição na Granja do Torto, em Brasília. Com cinco atrações internacionais, ampliação da área do festival, novas estruturas de camping e uma agenda voltada à sustentabilidade, inclusão e responsabilidade social, o evento espera se aproximar da marca de 1 milhão de pessoas circulando durante os dez dias de programação.
Os detalhes da edição 2026 foram apresentados pela CEO do Capital Moto Week, Juliana Jacinto, em entrevista exclusiva à TV Comunitária de Brasília. A conversa reuniu o jornalista popular Rogério Barba, apresentador do programa Barba na Rua – A Rua Fala, e Pietra Rocha, do Pietra na TV, em uma edição conjunta exibida ao vivo na segunda-feira, 13 de julho.
Ao falar sobre a expectativa para o festival, Juliana afirmou que a organização evita trabalhar apenas com metas de público. Segundo ela, o principal objetivo é garantir uma experiência segura e acolhedora para todos que atravessarem os portões da chamada “Cidade da Moto”.
“A gente sempre faz como se fosse único. Nosso interesse é que todas as pessoas que forem trabalhar, curtir ou reencontrar alguém da família saiam de lá mais felizes”, afirmou.
A preparação envolve cerca de 45 dias de montagem, com centenas de profissionais trabalhando na construção da estrutura temporária.
Festival pode se aproximar de 1 milhão de visitantes
Em 2025, segundo Juliana Jacinto, aproximadamente 830 mil pessoas circularam pelo Capital Moto Week. Para 2026, a presença de cinco atrações internacionais deve ampliar o interesse do público e impulsionar a venda de ingressos.
A CEO afirmou que os primeiros reflexos já podem ser observados na comercialização pela bilheteria digital.
“Por causa principalmente das bandas internacionais, a gente pode bater perto de 1 milhão de pessoas circulando”, projetou.
Apesar da expectativa, Juliana ressaltou que o crescimento do público é acompanhado por protocolos de segurança. A organização estabelece limites de capacidade e prevê a interrupção temporária da bilheteria e das entradas caso os números definidos para cada área sejam atingidos.
A edição também consolida o processo de internacionalização da programação musical. Depois de ampliar a presença de artistas estrangeiros nos últimos anos, o festival terá cinco bandas internacionais em 2026.
Segundo Juliana, a estratégia faz parte de um planejamento de longo prazo.
“O Moto é o terceiro maior do mundo nesse segmento e recebe muita gente de fora do Brasil. A evolução para o internacional sempre esteve no nosso planejamento”, explicou.
Capital Moto Week movimenta turismo de Brasília
O impacto do festival ultrapassa os limites da Granja do Torto. De acordo com Juliana, mais de 150 mil turistas visitam Brasília em razão do Capital Moto Week, movimentando hotéis, bares, restaurantes, transporte por aplicativo e diferentes segmentos da economia criativa.
Para a CEO, o evento também contribuiu para modificar a imagem da capital federal em outras regiões do país.
“Antes, quando falávamos de Brasília, todo mundo lembrava apenas da cidade administrativa e da política. Hoje, em muitos lugares, as pessoas dizem: ‘Brasília, cidade da moto'”, relatou.
Um dos momentos tradicionais do festival é o passeio motociclístico realizado no último sábado da programação. O trajeto percorre pontos turísticos da capital e funciona como uma apresentação de Brasília aos visitantes.
Juliana afirmou que a organização não pretende abrir mão da atividade.
“A ideia do passeio sempre foi mostrar pelo menos um pouco dos pontos turísticos. É uma forma de usar o festival como porta de entrada para as pessoas conhecerem de fato a nossa cidade.”
Área do festival cresce para 400 mil metros quadrados
A estrutura do Capital Moto Week também será maior em 2026. A área ocupada pelo evento passou de 320 mil para 400 mil metros quadrados.
Entre as principais novidades está a expansão da estrutura de camping. O tradicional Campville ganhou uma segunda área, denominada Campville 2.
Com a mudança, a capacidade saltou de aproximadamente 1,5 mil para 5 mil vagas de hospedagem.
Além disso, o festival contará com 243 espaços destinados a motoclubes e motogrupos.
Juliana estima que entre 25 mil e 30 mil pessoas possam permanecer praticamente durante os dez dias dentro da estrutura do evento, formando uma comunidade temporária na Granja do Torto.
“Desde 2022, temos mais ou menos 20 mil pessoas que moram lá durante o festival. Com essa ampliação, acredito que podemos chegar perto de 30 mil vivendo toda a experiência”, afirmou.
Sustentabilidade passa a integrar modelo de gestão
Um dos principais eixos apresentados durante a entrevista foi a agenda ambiental e social do festival.
Juliana explicou que o Capital Moto Week começou a estruturar ações de sustentabilidade em 2017. Com o passar dos anos, o projeto incorporou iniciativas sociais e, atualmente, trabalha com uma visão integrada de práticas ambientais, sociais e de governança.
Segundo ela, a dimensão do evento exige uma gestão semelhante à de uma pequena cidade.
“A gente constrói um município. São 400 mil metros quadrados. Tudo se resume a boas práticas entre sociedade, meio ambiente e a forma como isso é gerido”, explicou.
Entre as iniciativas estão projetos de lixo zero, carbono zero, inclusão, acessibilidade, qualificação profissional e protagonismo feminino.
O ingresso solidário também permanece como uma das ações do festival. A contribuição de um quilo de alimento é destinada a iniciativas de combate à fome.
Para Juliana, a responsabilidade do evento também envolve a comunidade que recebe o festival.
“Quando você faz um festival desse tamanho, precisa olhar para a comunidade que acolhe o evento. Temos que administrar os resíduos para não impactar negativamente e fazer com que o impacto seja positivo.”
Mulheres representam 65% da equipe
O protagonismo feminino ganhou destaque na entrevista.
Segundo Juliana Jacinto, 65% da equipe responsável pelo Capital Moto Week é formada por mulheres.
Entre as iniciativas voltadas ao público feminino estão ações de empreendedorismo, formação profissional e protocolos de proteção.
O espaço Lady Bikers, desenvolvido em parceria com o Sebrae, reúne mulheres empreendedoras e valoriza a presença feminina no universo do motociclismo.
A organização também desenvolve projetos de capacitação por meio da Academia de Produção Inteligente. A proposta é compartilhar conhecimentos que possam ser utilizados pelos profissionais não apenas durante o festival, mas em suas trajetórias de trabalho.
“Queremos que o conhecimento chegue às pessoas e que elas possam levar esse aprendizado para a vida”, destacou Juliana.
Vila do Bem amplia protagonismo das periferias
Considerada um dos principais projetos sociais do Capital Moto Week, a Vila do Bem terá mudanças importantes em 2026.
O espaço funcionará durante três dias com acesso gratuito e reunirá serviços, cultura, arte e atividades destinadas especialmente a pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Nos anos anteriores, segundo Juliana, a proposta central era levar esperança às pessoas atendidas. Em 2026, o projeto pretende avançar para uma nova etapa: garantir protagonismo e visibilidade aos artistas e produtores culturais das periferias do Distrito Federal.
A organização abriu inscrições para projetos culturais das regiões administrativas e realizou uma curadoria das propostas recebidas.
“A gente entendeu que estava na hora de ir para outro lugar: dar protagonismo para a periferia. Os palcos estarão recheados da cultura, da arte, da voz e do movimento das regiões administrativas”, afirmou.
Para Juliana, a mudança representa uma evolução do próprio conceito da Vila do Bem.
“A gente sai da esperança para dar protagonismo, voz e visibilidade para essas pessoas.”
Festival amplia acolhimento a mães atípicas e crianças com doenças raras
A agenda social de 2026 também pretende alcançar públicos que enfrentam maiores barreiras de acesso aos grandes eventos.
Durante a entrevista, Rogério Barba, que atua como embaixador social do Capital Moto Week, destacou a preparação do festival para receber crianças com doenças raras.
Juliana explicou que a organização decidiu ampliar o olhar para mães atípicas, crianças e famílias que necessitam de condições específicas de acolhimento.
Segundo ela, o desafio é chegar justamente aos grupos que normalmente encontram maiores dificuldades para participar de grandes eventos culturais.
“Nosso grande propósito é ir aonde ninguém vai, criar possibilidades e momentos que seriam muito difíceis de acontecer”, afirmou.
Rogério Barba destacou que o trabalho social envolve transporte, alimentação e toda a estrutura necessária para garantir a participação digna das pessoas convidadas.
“Não é apenas trazer a pessoa para dentro do evento. É cuidar, organizar o transporte, garantir o lanche e dar condições para que quem está em situação de vulnerabilidade possa viver o festival”, ressaltou.
Artistas do DF permanecem como prioridade
Mesmo com o crescimento da programação internacional, o Capital Moto Week pretende manter espaço para artistas locais.
Juliana afirmou que a curadoria musical prioriza bandas e músicos do Distrito Federal.
“Brasília tem o histórico de ser o berço do rock. Nunca vamos abrir mão de valorizar a galera do DF”, afirmou.
Segundo a CEO, a presença dos artistas brasilienses é também uma forma de apresentar aos turistas a diversidade cultural da capital.
Moda circular integra agenda ambiental
A edição conjunta de Barba na Rua e Pietra na TV também apresentou a parceria entre o Capital Moto Week e o Peça Rara, projeto ligado à moda circular.
A iniciativa incentiva o reaproveitamento de roupas e o consumo consciente.
Durante a reportagem, a proposta foi apresentada como parte das ações de sustentabilidade desenvolvidas em torno do festival.
Juliana afirmou que o reuso faz parte de seus hábitos pessoais e destacou a importância de repensar o consumo.
“A gente precisa olhar para a nossa vida hoje pensando no futuro e no que vamos deixar. A moda circular e o reuso ajudam o meio ambiente e permitem criar novas histórias com a mesma peça”, declarou.
Capital Moto Week prepara expansão internacional
Uma das principais revelações da entrevista aconteceu nos minutos finais do programa.
Questionada sobre a possibilidade de levar o festival para outras cidades ou países, Juliana confirmou que existe um projeto de expansão internacional previsto para 2027.
“A gente está com projeto para o ano que vem para fazer fora do Brasil”, revelou.
A CEO evitou apresentar detalhes sobre o país ou o formato da iniciativa, mas confirmou que o Capital Moto Week pretende cruzar as fronteiras brasileiras.
“A gente vai partir para outros países”, acrescentou.
“O festival será sempre formado por todos nós”
Ao convidar o público para conhecer o Capital Moto Week, Juliana definiu o evento como uma grande comunidade formada por pessoas de diferentes condições econômicas, religiões e posições políticas.
Segundo ela, durante os dez dias de festival, o objetivo é estimular valores simples de convivência, como respeito, solidariedade e acolhimento.
“Não importa a condição econômica, a religião ou o partido político. Estamos todos juntos. O Capital Moto Week nunca será da Juliana ou do Pedro. Ele será sempre formado por todos nós”, afirmou.
Para a CEO, cada pessoa que participa do festival representa um elo de uma mesma corrente.
A edição 2026 chega, assim, com o desafio de administrar o crescimento de um evento que se consolidou entre os maiores encontros de motociclismo e rock do mundo sem abandonar as pautas sociais que, segundo seus organizadores, passaram a fazer parte da identidade do Capital Moto Week.
Entre guitarras, motocicletas e milhares de visitantes, a organização pretende transformar novamente a Granja do Torto em uma cidade temporária — desta vez maior, mais internacional e com a promessa de ampliar os espaços de inclusão, sustentabilidade e participação social.
Confira a íntegra da entrevista com Juliana Jacinto no youtube da TV Comunitária de Brasília:
