Pardim defende nova política para bares e cultura no DF e critica impactos da restrição à música ao vivo
Proprietário de tradicional bar da Asa Norte e pré-candidato a deputado distrital pelo PT, Jarbas Pardim afirma que multas e limitações à atividade cultural ameaçam empregos, músicos e pequenos empreendedores em Brasília
Brasília (DF) – A necessidade de conciliar o direito ao descanso dos moradores com a preservação da vida cultural e da economia criativa do Distrito Federal foi o tema central da entrevista concedida pelo empresário Jarbas Pardim, proprietário de um dos bares mais conhecidos da Asa Norte e pré-candidato a deputado distrital pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ao programa Identidade Negra, produzido e apresentado por Josibel Rocha, diretor do Sindicato dos Bancários, na TV Comunitária de Brasília.
Durante a conversa, Pardim criticou o que considera uma política excessivamente restritiva em relação à música ao vivo nos bares da capital e afirmou que a aplicação de multas, embargos e limitações ao funcionamento dos estabelecimentos tem provocado prejuízos para empresários, trabalhadores, músicos e para toda a cadeia produtiva da cultura.
Segundo ele, o fechamento de espaços culturais reduz oportunidades de emprego e compromete um importante setor da economia local. “Quando um bar fecha, não perde apenas o empresário. Perdem os garçons, cozinheiros, músicos, ambulantes, trabalhadores da limpeza e até o próprio Estado deixa de arrecadar impostos”, afirmou.
Da Bahia para Brasília
Natural do interior da Bahia, Jarbas Pardim chegou a Brasília em 1998 com destino inicial a Rondônia, mas decidiu permanecer na capital federal após conseguir seu primeiro emprego em uma rede de restaurantes.
Filho caçula de uma família com 13 irmãos, construiu sua trajetória profissional trabalhando como auxiliar de cozinha, garçom, motoboy e pintor, acumulando diferentes jornadas para complementar a renda.
Após anos de trabalho no setor de alimentação, tornou-se proprietário de um pequeno estabelecimento comercial que, ao longo do tempo, transformou-se em um dos bares mais conhecidos da Asa Norte. Segundo Pardim, a experiência pessoal o aproximou das dificuldades enfrentadas diariamente pelos trabalhadores informais e pelos pequenos empreendedores.

Bar tornou-se referência cultural
Na avaliação do apresentador Josibel Rocha, o estabelecimento comandado por Pardim consolidou-se como um importante ponto de encontro da população negra, da comunidade LGBTQIA+, de artistas e de movimentos culturais, especialmente após o encerramento das atividades do tradicional Balaio Café.
O empresário confirmou que o crescimento do espaço ocorreu justamente após esse período e destacou que o ambiente passou a reunir diferentes manifestações culturais e políticas. Ele afirmou que bares cumprem importante papel de convivência social e fortalecimento da vida comunitária.
“É preciso uma lei de convivência”
Ao abordar a fiscalização sobre música ao vivo, Pardim defendeu que o Distrito Federal substitua o modelo atual por uma política baseada no diálogo entre empresários, moradores e poder público. Na avaliação do empresário, o conflito não será resolvido apenas com multas e embargos.
“Brasília precisa construir uma lei de convivência. Precisamos reunir empresários, moradores, Ministério Público e Governo para encontrar soluções que permitam trabalhar e respeitar quem mora nas regiões comerciais”, afirmou. Segundo ele, diversas casas culturais encerraram as atividades diante da dificuldade de manter o funcionamento sob o atual modelo de fiscalização.
Cultura movimenta economia
Durante a entrevista, Pardim destacou que a música ao vivo gera emprego para dezenas de profissionais além dos próprios artistas. Ele citou garçons, cozinheiros, auxiliares de limpeza, seguranças, vendedores ambulantes, catadores de recicláveis e fornecedores como integrantes de uma ampla cadeia econômica impulsionada pelo funcionamento dos bares.
Na avaliação do empresário, restringir apresentações musicais compromete diretamente a geração de renda em Brasília. “O músico talvez seja quem mais sofre. Cada apresentação representa um cachê que ajuda a pagar as contas da família. Sem espaços para tocar, toda essa renda desaparece”, afirmou.
Transporte e segurança também entram na pauta
Além das dificuldades enfrentadas pelo setor cultural, Jarbas Pardim chamou atenção para problemas estruturais que afetam trabalhadores do comércio noturno. Entre eles estão a escassez de transporte público durante a madrugada, a insegurança em áreas comerciais e a ausência de pontos de apoio para trabalhadores informais e entregadores por aplicativo.
Segundo o empresário, muitos funcionários encerram a jornada após a meia-noite e não encontram ônibus para retornar às regiões administrativas. Ele também defendeu a ampliação da tarifa zero no transporte público como instrumento de inclusão social e fortalecimento da economia local.
Defesa da cultura popular
Outro tema abordado foi a redução dos espaços destinados ao Carnaval de rua e às manifestações culturais populares. Pardim afirmou que Brasília perdeu parte de sua tradição carnavalesca com o enfraquecimento de blocos, escolas de samba e eventos comunitários realizados nas quadras residenciais.
Na avaliação do empresário, grandes eventos concentrados em poucos espaços não substituem as atividades culturais distribuídas pelos bairros. “O bar sempre foi uma vitrine para os músicos. Muitos grandes artistas começaram tocando voz e violão em pequenos estabelecimentos. Se essa janela fecha, perde a cultura e perde a cidade”, afirmou.
Trabalhador informal será prioridade
Ao comentar sua pré-candidatura à Câmara Legislativa, Jarbas Pardim afirmou que pretende concentrar sua atuação na defesa dos trabalhadores informais, pequenos empreendedores, músicos e agentes culturais.
Segundo ele, a valorização da cultura deve caminhar ao lado de políticas públicas voltadas para geração de emprego, mobilidade urbana e apoio aos trabalhadores que atuam na economia popular. “Minha prioridade será cuidar do trabalhador informal e da cultura de Brasília. São eles que movimentam a cidade e ajudam a gerar renda para milhares de famílias”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, Pardim voltou a defender a construção de políticas públicas que conciliem desenvolvimento econômico, lazer, cultura e qualidade de vida, argumentando que fortalecer os pequenos negócios e a produção cultural significa ampliar oportunidades de trabalho e preservar a identidade cultural da capital federal.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
