Produtor cultural e afroempreendedor, Pablo Feitosa apresenta candidatura com foco na cultura, negritude e diversidade no DF
Candidato a deputado distrital pelo PSB, fundador de espaços culturais e presidente do tradicional bloco Sovaco da Asa defende revisão da Lei do Silêncio, fortalecimento do audiovisual, incentivo ao esporte e regulamentação da cannabis medicinal no Distrito Federal
Brasília (DF) — A defesa da cultura como instrumento de desenvolvimento social, o fortalecimento do empreendedorismo negro, a valorização da diversidade e a construção de uma cidade mais inclusiva estão no centro da candidatura de Pablo Feitosa (PSB) à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em entrevista ao programa Brasília Notícias, da TV Comunitária de Brasília, apresentado pelo jornalista Paulo Miranda na sexta-feira (21), o produtor cultural apresentou suas principais propostas e relacionou sua trajetória profissional de mais de duas décadas à decisão de disputar um mandato distrital.
Conhecido pela atuação nos setores da gastronomia, do carnaval e da produção cultural brasiliense, Pablo Feitosa afirmou que sua candidatura não nasce de promessas eleitorais, mas da continuidade de um trabalho que, segundo ele, já desenvolve em diferentes áreas da cidade. “Eu não estou trazendo algo novo. Eu já faço isso pelo empreendedorismo negro, pela cultura, pelo lazer e pelo esporte”, afirmou durante a entrevista.
Da bandeja aos grandes projetos culturais
Antes de se tornar empresário e produtor cultural, Pablo Feitosa começou sua vida profissional como garçom e barman em Brasília. A experiência nos bares e restaurantes, segundo ele, foi fundamental para compreender a dinâmica econômica e cultural da capital e estabelecer relações com artistas, técnicos, trabalhadores da gastronomia e movimentos sociais.
Ao longo dos últimos 20 anos, tornou-se proprietário de estabelecimentos que marcaram a cena cultural da cidade, entre eles o Bar Raízes, o Lombar e o espaço cultural Canteiro Central. Paralelamente, consolidou sua atuação como afroempreendedor e organizador de eventos, festivais e iniciativas voltadas à geração de emprego e renda por meio da economia criativa.
Outra marca de sua trajetória é o carnaval brasiliense. Pablo é presidente do tradicional bloco Sovaco da Asa, que há mais de duas décadas integra o calendário cultural do Distrito Federal e reúne milhares de foliões durante o pré-carnaval de Brasília. O crescimento do bloco acompanhou também a expansão das atividades culturais desenvolvidas por sua equipe em diferentes regiões da capital.
O bloco Sovaco da Asa tornou-se uma das referências do carnaval de rua de Brasília e integra a trajetória cultural de Pablo Feitosa.
Cultura, esporte e afroempreendedorismo como prioridades
Durante a entrevista, o candidato definiu cinco áreas prioritárias para um eventual mandato: cultura, esporte, lazer, saúde e afroempreendedorismo. Para ele, essas políticas não devem ser tratadas de forma isolada, mas como instrumentos de desenvolvimento econômico e inclusão social nas regiões administrativas do Distrito Federal.
Entre os projetos destacados está o Embaixinhos, iniciativa voltada à formação de crianças no ciclismo e no bicicross. O programa promove atividades educativas e esportivas e organiza uma feira de troca de bicicletas e equipamentos infantis, buscando estimular o acesso de crianças ao esporte e ampliar a reutilização de materiais.
Pablo também chamou atenção para a necessidade de maior apoio público aos equipamentos esportivos comunitários, citando o Bike Park localizado em frente à Embaixada do México, espaço construído por ciclistas para treinamento e prática do bicicross e que, segundo ele, ainda carece de investimentos do poder público.
Revisão da Lei do Silêncio entra na pauta da campanha
Um dos momentos mais enfáticos da entrevista ocorreu quando Pablo abordou a chamada Lei do Silêncio, oficialmente relacionada ao conforto acústico no Distrito Federal. Empresário do setor de bares e restaurantes, ele defendeu que a legislação seja revista para permitir critérios técnicos de fiscalização que considerem corretamente o local onde ocorre a reclamação sobre ruídos.
Segundo o candidato, a atual aplicação da norma prejudica estabelecimentos culturais que promovem música ao vivo, samba e manifestações artísticas. Ele relatou experiências pessoais de fiscalização em seu antigo bar e afirmou considerar que determinados segmentos culturais sofrem tratamento desigual na aplicação da legislação.
Na avaliação de Pablo, bares administrados por pessoas negras, nordestinas ou pertencentes à comunidade LGBT estariam entre os mais afetados pelas ações repressivas, interpretação apresentada por ele durante a entrevista como crítica à forma de fiscalização adotada pelos órgãos públicos. O candidato defende um amplo debate na Câmara Legislativa para atualizar a legislação e garantir equilíbrio entre o direito ao descanso e a sobrevivência dos espaços culturais.
Segundo Pablo Feitosa, a revisão das regras de conforto acústico deve conciliar atividade cultural, geração de empregos e direitos da população.
Cineclubes e audiovisual nas cidades do Distrito Federal
A formação de público e de novos profissionais do audiovisual também aparece como uma das bandeiras históricas do produtor cultural. Pablo relembrou experiências realizadas anteriormente com cineclubes em escolas públicas do Distrito Federal, projeto que resultou, segundo ele, na formação de mais de 200 professores e na implantação de dezenas de cineclubes em instituições de ensino médio de diferentes regiões administrativas.
Para o candidato, os cineclubes cumprem uma dupla função: aproximar jovens do cinema brasileiro e revelar novos roteiristas, fotógrafos, cineastas, atores e técnicos do audiovisual. Ele defendeu a descentralização dos investimentos culturais para além do Plano Piloto, fortalecendo festivais e circuitos culturais em cidades como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Planaltina e Brazlândia.
Cannabis medicinal e regulamentação no Distrito Federal
Outro tema de destaque foi a defesa da regulamentação da cannabis medicinal. Pablo explicou que o número de sua candidatura, 40420, faz referência ao símbolo internacional “420”, historicamente associado à cultura da cannabis, e afirmou que pretende utilizar o debate para combater preconceitos relacionados ao uso medicinal da planta.
Segundo o candidato, o Distrito Federal já possui legislação relacionada à produção e ao incentivo à pesquisa sobre cannabis medicinal, mas ainda necessita de regulamentação para que associações especializadas possam produzir medicamentos à base de canabidiol destinados ao atendimento da população pelo Sistema Único de Saúde. A proposta defendida por ele é ampliar a produção nacional e reduzir o custo dos tratamentos para pacientes que dependem desses medicamentos.
Durante a entrevista, Pablo citou famílias de crianças com epilepsia e outras condições de saúde como exemplos de pessoas que poderiam ser beneficiadas pelo acesso ampliado ao canabidiol. Ele também defendeu investimentos em pesquisa, agricultura familiar e desenvolvimento da cadeia produtiva do cânhamo e da cannabis para fins medicinais e industriais.
Pablo Feitosa também situou sua candidatura dentro do movimento de ampliação da representação negra nos espaços institucionais do Distrito Federal. Ele participou recentemente do lançamento coletivo de candidaturas negras promovido por organizações do movimento negro e entidades sindicais, iniciativa que, segundo os participantes, busca enfrentar a invisibilidade histórica da população negra na política.
Ao encerrar a entrevista, o candidato afirmou que pretende construir um mandato conectado às experiências culturais e comunitárias desenvolvidas ao longo de sua trajetória. Mais do que apresentar novas promessas, Pablo sustentou que deseja levar para a Câmara Legislativa projetos que já executa nas áreas da cultura, esporte, empreendedorismo e diversidade.
“Quem vive a cidade tem raízes nela”, resumiu ao definir a mensagem central de sua campanha, defendendo uma Brasília marcada por maior participação popular, valorização da cultura negra, fortalecimento dos artistas locais e reconhecimento da diversidade como elemento constitutivo da identidade da capital.
Representatividade negra
Ao final da entrevista, o candidato destacou a importância da ampliação da representatividade negra nos espaços de poder e defendeu uma Câmara Legislativa mais diversa e conectada às demandas das periferias e dos movimentos sociais. Feitosa participou recentemente do lançamento coletivo de candidaturas negras no Distrito Federal e considera fundamental combater a invisibilidade histórica da população negra na política institucional.
Com o número 40420, Pablo Feitosa aposta na experiência acumulada na cultura, no empreendedorismo e nos movimentos sociais para conquistar uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Sua campanha busca dialogar especialmente com trabalhadores da cultura, juventude, movimento negro, empreendedores da economia criativa e defensores de políticas de inclusão e diversidade.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
