Ricardo Vale defende novo mandato na CLDF e coloca saúde, educação, cultura e direitos sociais entre prioridades
Em entrevista à TV Comunitária de Brasília, deputado distrital fez balanço do mandato, falou sobre projetos voltados a trabalhadores, mulheres, feirantes e aposentados e apresentou propostas para os próximos quatro anos
Brasília (DF) — O deputado distrital Ricardo Vale (PT), candidato à reeleição para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), defendeu a continuidade de seu mandato com foco no fortalecimento dos serviços públicos, na defesa dos trabalhadores e na ampliação das políticas de saúde, educação, cultura e esporte. Em entrevista ao jornalista Paulo Miranda, no programa Brasília Notícias, da TV Comunitária de Brasília, o parlamentar fez um balanço de sua atuação e apontou os desafios que considera prioritários para o Distrito Federal.
Vale afirmou que chegou a considerar uma candidatura à Câmara dos Deputados, mas decidiu disputar novamente uma cadeira na CLDF após discussões com seu partido e grupo político. Segundo ele, a avaliação foi de que ainda havia trabalho a ser realizado no Legislativo local.
“A gente tem feito um mandato que tem atuado em muitas frentes, em muitas áreas aqui no Distrito Federal”, declarou. O deputado disse que pretende permanecer por mais quatro anos para ampliar a atuação parlamentar.
Críticas à gestão do Distrito Federal
Durante a entrevista, Ricardo Vale fez duras críticas à administração do governador Ibaneis Rocha e apontou problemas nas áreas de saúde, mobilidade, educação e valorização dos servidores públicos.Na avaliação do parlamentar, as eleições de outubro representam uma oportunidade para a população avaliar não apenas o Poder Executivo, mas também a composição da Câmara Legislativa.
Vale também abordou a situação do Banco de Brasília (BRB) e manifestou preocupação com as consequências financeiras das operações envolvendo o Banco Master. As afirmações sobre valores, responsabilidades e eventual impacto financeiro foram apresentadas pelo parlamentar durante a entrevista e não foram acompanhadas, no material fornecido, de manifestação do BRB, do Governo do Distrito Federal ou dos demais citados.
O deputado sustentou que uma eventual necessidade de recursos públicos para enfrentar problemas financeiros do banco poderia afetar investimentos em áreas essenciais. “Quem vai pagar essa conta?”, questionou, relacionando o tema às dificuldades já existentes na saúde, educação, mobilidade, cultura e esporte.
Defesa de trabalhadores, ambulantes e feirantes
Ao apresentar razões para a continuidade do mandato, Ricardo Vale destacou sua atuação em conflitos envolvendo diferentes categorias profissionais e segmentos sociais. Um dos exemplos citados foi o Eixão do Lazer. Segundo o deputado, seu mandato participou da mobilização contra medidas que poderiam comprometer as atividades realizadas no local, incluindo o trabalho de ambulantes e de profissionais ligados à cultura.
Vale afirmou que promoveu audiência e diálogo com o governo para buscar uma solução que permitisse conciliar o funcionamento das atividades econômicas e culturais com as demandas dos moradores da região.
O parlamentar também destacou sua atuação em defesa dos feirantes diante das mudanças propostas para a ocupação dos boxes das feiras públicas. Segundo ele, havia preocupação de que critérios predominantemente econômicos favorecessem empresas com maior capacidade financeira em detrimento de trabalhadores que ocupam esses espaços há décadas. Vale afirmou que o processo foi revisto para incorporar critérios sociais e considerar fatores como o tempo de atuação dos feirantes.
Aposentados e servidores públicos
Outro ponto destacado pelo deputado foi uma iniciativa destinada a evitar descontos que, segundo ele, atingiriam aposentados do Distrito Federal. Vale afirmou que aproximadamente 80 mil aposentados poderiam sofrer descontos de milhares de reais em seus contracheques e que apresentou projeto na Câmara Legislativa para impedir a medida. De acordo com o parlamentar, a proposta foi aprovada e permitiu reverter a situação. O deputado também defendeu maior valorização do funcionalismo público e criticou as condições enfrentadas por diferentes categorias, especialmente professores e profissionais vinculados aos serviços essenciais.
Saúde preventiva como prioridade
A saúde pública ocupou parte significativa da entrevista. Ricardo Vale afirmou que pretende fazer do tema uma das prioridades de eventual novo mandato.
Para o parlamentar, os problemas do setor não estão relacionados exclusivamente à disponibilidade de recursos, mas também à gestão. Ele defendeu uma mudança de enfoque, com maior investimento em prevenção de doenças e promoção da qualidade de vida. Vale citou especialmente a população idosa e argumentou que políticas públicas de esporte, cultura e atividades físicas podem contribuir para evitar doenças e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.
“É preciso fazer uma política de prevenção”, afirmou. O deputado também manifestou preocupação com as filas para consultas e cirurgias. Segundo ele, melhorar a saúde pública será um dos objetivos centrais caso conquiste novo mandato.
Educação, cultura e esporte
Ricardo Vale afirmou que seu mandato tem destinado recursos para escolas públicas e disse pretender ampliar essa atuação. Também destacou a cultura como uma das áreas que precisam de maior apoio do poder público. Segundo o deputado, seu gabinete tem destinado emendas parlamentares para atividades culturais e esportivas, setores que considera importantes tanto para a qualidade de vida quanto para a geração de emprego e renda.
Ao comentar a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, Vale avaliou que Brasília poderá aproveitar o evento para estimular a participação de meninas e jovens no esporte.
Ex-presidente do Sobradinho Esporte Clube, o deputado defendeu ainda o fortalecimento do futebol do Distrito Federal. Para ele, cabe ao poder público incentivar principalmente o esporte amador, enquanto empresas privadas podem exercer papel mais relevante no financiamento do esporte profissional e de alto rendimento.
Lei prevê multa para agressores de mulheres
Entre as iniciativas abordadas na entrevista esteve a legislação que estabelece sanções financeiras contra autores de violência contra mulheres. Segundo Vale, a medida prevê multas que podem variar de R$ 500 a R$ 500 mil, dependendo das circunstâncias e da capacidade econômica do agressor. O deputado argumentou que a punição financeira funciona como instrumento adicional de enfrentamento à violência doméstica.
O parlamentar, no entanto, criticou a aplicação da norma. Segundo ele, apesar de aprovada, sancionada e regulamentada, a legislação ainda não teria resultado em punições financeiras. A afirmação foi feita pelo deputado durante a entrevista e não veio acompanhada, no material fornecido, de posicionamento do GDF sobre sua execução. Vale defendeu que o combate à violência contra a mulher seja acompanhado de políticas permanentes de educação e conscientização capazes de enfrentar o machismo e prevenir agressões.
Falta de equipamentos públicos nas regiões administrativas
A distribuição desigual de equipamentos públicos pelo Distrito Federal também entrou na pauta. Provocado pelo entrevistador sobre a situação de Águas Claras e outras regiões, Ricardo Vale reconheceu a necessidade de maior planejamento. O deputado defendeu um levantamento para identificar quais regiões precisam prioritariamente de escolas, creches, delegacias e outros equipamentos públicos.
“É preciso que haja um planejamento”, afirmou, defendendo um mapeamento das necessidades mais urgentes em cada cidade. Vale deu atenção especial à falta de creches. Para ele, a ausência desses equipamentos tem consequências sociais e econômicas, sobretudo para mulheres que precisam trabalhar, mas não encontram onde deixar seus filhos.
Religiosidade e política
Católico, Ricardo Vale também falou sobre a influência da religião em sua formação familiar. O parlamentar lembrou a atuação social da mãe, que foi ministra da Eucaristia e desenvolvia ações de solidariedade na comunidade. Segundo ele, a experiência familiar contribuiu para consolidar valores ligados à solidariedade e à preocupação com pessoas em situação de vulnerabilidade. Vale, contudo, criticou a utilização de igrejas como espaços de campanha eleitoral. “Religião é religião, política é política”, afirmou, defendendo que padres e pastores não utilizem a fé dos fiéis para direcionar escolhas eleitorais.
Campanha busca ampliar presença nas cidades
Sobre a campanha eleitoral, o deputado informou que pretende organizar comitês em diferentes regiões administrativas. Segundo ele, alguns espaços físicos seriam instalados em cidades como Sobradinho, Planaltina, Taguatinga e Gama, enquanto outras localidades receberiam comitês residenciais.
A estratégia, explicou, busca aproximar apoiadores e facilitar o acesso da população aos materiais e às atividades da campanha. Vale também citou outras frentes de seu mandato, entre elas políticas voltadas às mulheres, proteção animal e população em situação de rua. Para ele, a diversidade dessas pautas reflete a característica de um mandato que procura atuar diante das demandas apresentadas por diferentes setores da sociedade.
Eleições como decisão sobre os rumos do DF
Na parte final da entrevista, Ricardo Vale defendeu as candidaturas de seu campo político para as eleições de 2026 e ressaltou a necessidade de eleger bancadas no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa alinhadas aos respectivos projetos de governo. Ao pedir a renovação de seu mandato, o parlamentar colocou a melhoria dos serviços públicos como eixo central para os próximos quatro anos.
“Vamos mudar essa representação política, vamos melhorar a qualidade de vida das pessoas do Distrito Federal”, afirmou. Para Vale, a participação dos eleitores não deve se limitar ao voto, mas envolver também acompanhamento e debate sobre os rumos da cidade.
A entrevista apresentou, assim, uma candidatura ancorada no balanço das ações do mandato e na promessa de ampliar a atuação em áreas como saúde preventiva, educação pública, cultura, esporte, defesa dos trabalhadores, proteção às mulheres e fortalecimento dos serviços públicos.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
