Erika Kokay defende agenda socioambiental e diz que candidatura ao Senado representa enfrentamento à extrema direita
Em entrevista ao Bate-Papo Ecológico, deputada federal fala sobre preservação ambiental no DF, violência política contra mulheres, defesa do BRB e afirma que pretende levar ao Senado pautas de direitos humanos e diversidade
Brasília — Deputada federal em seu quarto mandato e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Erika Kokay defendeu a construção de uma agenda que associe proteção ambiental, redução das desigualdades, defesa da democracia e garantia de direitos. Em entrevista ao programa Bate-Papo Ecológico, da TV Comunitária de Brasília, a parlamentar também criticou projetos que, em sua avaliação, ameaçam a legislação ambiental e afirmou que a disputa pelo Senado em 2026 representa um enfrentamento político com setores da extrema direita.
A entrevista foi exibida na sexta-feira, 28 de agosto, e abordou a trajetória política de Kokay, os embates no Congresso Nacional, a participação das mulheres na política e conflitos socioambientais do Distrito Federal. A parlamentar também falou sobre sua candidatura ao Senado e a representação que pretende construir caso seja eleita.
Psicóloga e ex-deputada distrital, Kokay lembrou que iniciou sua militância política há cerca de 50 anos na Universidade de Brasília (UnB), durante a ditadura militar. A parlamentar relacionou sua formação política à defesa da democracia, da liberdade e dos direitos sociais e afirmou enxergar o Parlamento como espaço de representação da pluralidade existente na sociedade.
Críticas à atuação do Congresso
Ao analisar os últimos anos no Congresso Nacional, Erika Kokay afirmou que o ambiente político foi marcado pelo crescimento de posições conservadoras e por conflitos que, segundo ela, dificultaram o debate democrático.
A deputada criticou o que classificou como avanço de discursos de ódio, desinformação e negacionismo. Para Kokay, o Parlamento deveria funcionar como espaço de construção de consensos possíveis entre diferentes concepções políticas e projetos de país.
Na área ambiental, a parlamentar criticou propostas que flexibilizam mecanismos de proteção e citou os debates sobre agrotóxicos e licenciamento ambiental. Em sua avaliação, iniciativas dessa natureza representam retrocessos em conquistas históricas relacionadas à preservação ambiental e à proteção das populações tradicionais.
Violência política de gênero
A participação das mulheres nos espaços de poder também ocupou parte importante da entrevista. Erika Kokay afirmou que a violência política de gênero pode ser percebida tanto na baixa representação feminina no Congresso quanto nas agressões sofridas por mulheres durante o exercício dos mandatos.
Segundo a deputada, mulheres representam a maioria da população brasileira, mas permanecem sub-representadas nos espaços de decisão política. Ela defendeu que o enfrentamento à misoginia, ao sexismo e à violência política seja tratado como parte da luta pela ampliação da democracia.
Kokay também relatou episódios de ataques verbais dirigidos a parlamentares e defendeu maior responsabilização para casos de violência política. Para ela, discursos misóginos não podem ser tratados apenas como manifestações de opinião quando estimulam ou legitimam agressões.
A deputada argumentou ainda que identificar as diferentes formas de violência é condição necessária para combatê-las. Em sua avaliação, práticas discriminatórias foram naturalizadas durante muito tempo e precisam ser reconhecidas para que possam ser enfrentadas institucionalmente.
“O sexismo, a misoginia, o machismo não vão dar a última palavra”, afirmou.
Meio ambiente entra no centro do debate sobre Brasília
Ao tratar especificamente do Distrito Federal, a entrevista abordou conflitos envolvendo a Serrinha do Paranoá, o Rio Melchior, o Lago Oeste, o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e o projeto de instalação de uma usina termelétrica.
O apresentador destacou a participação da parlamentar ao lado de organizações e movimentos ambientalistas em algumas dessas mobilizações. Kokay, por sua vez, defendeu maior participação da sociedade na formulação das políticas de ocupação territorial e preservação dos recursos naturais.
A deputada criticou projetos imobiliários em áreas que considera ambientalmente frágeis e defendeu a preservação da Serrinha. Também mencionou a mobilização contra a termelétrica e a preocupação com os possíveis impactos sobre o Rio Melchior.
Segundo Kokay, a participação de organizações ambientais e da comunidade foi decisiva na resistência ao projeto. Ela destacou particularmente o papel do movimento Terra Azul e do Fórum das Águas.
“Água é vida”, resumiu a parlamentar ao defender a preservação dos recursos hídricos do Distrito Federal.
Para Kokay, desenvolvimento econômico e preservação ambiental não devem ser tratados como objetivos incompatíveis. A deputada rejeitou a ideia de que seja necessário ampliar o desmatamento para promover crescimento e defendeu projetos orientados pelo desenvolvimento sustentável. Ao sintetizar sua visão, propôs o que chamou de “país dos três S”: saúde, sustentabilidade e solidariedade.
BRB e função social do banco público
A crise envolvendo o Banco de Brasília também entrou na discussão. Ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, Erika Kokay defendeu a manutenção do BRB como instituição pública e destacou a importância do crédito como instrumento de desenvolvimento econômico e redução das desigualdades.
Segundo a parlamentar, políticas de crédito voltadas às mulheres, aos pequenos empreendedores e às atividades produtivas podem contribuir para geração de renda e autonomia econômica. Ela recordou mobilizações anteriores contra tentativas de privatização do banco e afirmou que a preservação da instituição é estratégica para Brasília.
Durante esse trecho da entrevista, Kokay fez acusações contra o Governo do Distrito Federal e apresentou avaliações sobre operações envolvendo o BRB e o Banco Master. Por se tratar de declarações político-eleitorais, essas afirmações representam a posição da entrevistada e não estão, na transcrição fornecida, acompanhadas de documentação suficiente para sua verificação independente.
Senado como novo desafio
Na parte final do programa, Erika Kokay falou sobre a decisão de disputar uma das vagas do Distrito Federal no Senado. A deputada reconheceu que a eleição representa um desafio maior do que uma nova candidatura à Câmara, mas afirmou considerar a disputa necessária diante da composição política que poderá emergir das urnas.
“É uma eleição muito mais difícil que seria uma reeleição para deputado federal, mas é absolutamente necessário que a gente faça um enfrentamento com a extrema direita”, declarou.
Kokay argumentou que a composição do Senado terá importância estratégica nos próximos anos, inclusive em decisões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal e ao equilíbrio entre os Poderes.
A candidata também associou sua campanha à trajetória construída em Brasília. Recordou o início da militância na Universidade de Brasília, sua atuação sindical e os anos de vida parlamentar e afirmou que pretende levar ao Senado a representação de diferentes segmentos sociais. “Não sou eu que vou estar no Senado, é muita gente”, disse. Segundo Kokay, uma eventual eleição representaria mulheres, ambientalistas, crianças e diferentes grupos que compõem a diversidade da sociedade brasileira.
Defesa de uma Brasília plural
Ao longo da entrevista, a parlamentar buscou relacionar as pautas ambientais às questões sociais. Para Kokay, racismo, misoginia, LGBTfobia, capacitismo e outras formas de discriminação não devem ser analisados isoladamente, porque fazem parte de estruturas que limitam direitos e participação social.
Na visão apresentada pela candidata, Brasília precisa recuperar a ideia de uma cidade construída pela diversidade de brasileiros que vieram de diferentes regiões do país. A deputada afirmou que pretende chegar ao Senado defendendo essa concepção de capital: uma Brasília ligada à democracia, à cultura, à diversidade, à preservação ambiental e aos direitos humanos.
“Brasília é a Brasília dos candangos, é a Brasília que foi construída pelas mãos de brasileiros e brasileiras de todos os cantos do Brasil para ser a capital da esperança”, afirmou.
A entrevista terminou em clima explicitamente eleitoral. O apresentador manifestou apoio à candidatura de Erika Kokay e a outros candidatos do campo político de esquerda. O posicionamento foi declarado abertamente durante o encerramento do programa.
Entre críticas ao cenário político atual e propostas para o futuro, Kokay apresentou a candidatura ao Senado como continuidade de uma trajetória iniciada no movimento estudantil, consolidada no sindicalismo e levada posteriormente ao Legislativo. Na campanha de 2026, a deputada procura colocar no centro dessa trajetória uma combinação de democracia, direitos sociais, igualdade, diversidade e defesa ambiental.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
