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Michel Platini promete levar defesa da população LGBT, negra e PcD à Câmara do DF

 

Michel Platini promete levar defesa da população LGBT, negra e PcD à Câmara do DF

Candidato do PSOL participou do programa Identidade Negra, da TV Comunitária de Brasília, e apresentou propostas para acessibilidade, população em situação de rua, direitos LGBT e defesa do BRB

O candidato a deputado distrital pelo PSOL Michel Platini afirmou que pretende transformar a defesa dos direitos humanos, da população LGBT, das pessoas com deficiência e da população negra em prioridades de seu eventual mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). As propostas foram apresentadas durante entrevista ao programa Identidade Negra, da TV Comunitária de Brasília, conduzido pelo diretor do Sindicato dos Bancários, Josibel Rocha.

Com mais de 20 anos de atuação em movimentos sociais, segundo seu próprio relato, Platini destacou a experiência na defesa dos direitos da comunidade LGBT e das pessoas surdas. Tradutor e intérprete de Libras, ele afirmou ter participado da organização da Parada LGBT de Brasília e de movimentos históricos do segmento no Distrito Federal. Durante a conversa, o candidato também falou sobre o período em que trabalhou como assessor parlamentar de Érika Kokay e citou iniciativas relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência e da população LGBT.

Comissão para pessoas com deficiência

A acessibilidade foi um dos principais temas da entrevista. Platini criticou as condições de mobilidade urbana do Distrito Federal e afirmou que a cidade precisa ser planejada para atender pessoas com diferentes necessidades, em vez de depender de adaptações posteriores.

Entre as propostas apresentadas está a criação de uma comissão permanente de defesa dos direitos das pessoas com deficiência na CLDF. Segundo o candidato, o colegiado poderia acompanhar a execução das políticas públicas e fiscalizar o cumprimento das normas de acessibilidade.

Platini também defendeu que obras públicas e empreendimentos só sejam autorizados quando contemplarem critérios de acessibilidade. “Não pode ter recurso público indo para obra sem acessibilidade”, afirmou durante a entrevista.

Outro projeto defendido pelo candidato é a inclusão da Libras como disciplina obrigatória nas escolas do Distrito Federal, da primeira série ao ensino médio. Para Platini, o contato com a língua desde a infância ajudaria a reduzir barreiras de comunicação e estimular a convivência entre surdos e ouvintes.

Críticas ao transporte público

As condições do metrô e dos ônibus também foram alvo de críticas. Platini e Josibel Rocha relataram dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência para acessar estações do metrô e utilizar o transporte coletivo.

Platini defendeu que os ônibus tenham mais de um espaço destinado a cadeirantes e criticou situações em que pessoas com deficiência não conseguem embarcar por falta de estrutura ou por problemas nos equipamentos de acessibilidade. Para o candidato, a mobilidade deve ser pensada também diante do envelhecimento da população.

Direitos da população LGBT

Na pauta LGBT, Platini afirmou que pretende apresentar propostas para ampliar a proteção social de pessoas em situação de vulnerabilidade. Uma das prioridades mencionadas é a criação de uma estrutura de acolhimento para pessoas LGBT expulsas de casa, problema que, segundo ele, ainda não recebe uma resposta adequada do poder público no Distrito Federal.

O candidato também defendeu políticas de atenção à população trans, incluindo medidas para ampliar o acesso à hormonização. Segundo Platini, a intenção é buscar alternativas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e, se necessário, estabelecer parcerias com instituições de pesquisa e saúde. A violência contra pessoas trans também foi abordada. Platini citou episódios recentes de agressões e afirmou que o Distrito Federal precisa ampliar políticas de proteção e prevenção à violência contra a população LGBTQIA+.

Racismo e população negra

Ao falar sobre o combate ao racismo, Platini associou a questão racial às políticas de assistência social e à situação da população em situação de rua. O candidato afirmou que pretende defender políticas de ampliação do acesso da população negra às universidades, aos institutos federais e à produção de conhecimento.

Platini também defendeu a construção de uma atuação conjunta entre parlamentares negros e aliados dos movimentos sociais dentro da Câmara Legislativa. Segundo ele, a presença de representantes negros, LGBT e de outros grupos historicamente sub-representados nos espaços de poder deve resultar em políticas públicas voltadas para essas populações.

População em situação de rua

A política para pessoas em situação de rua foi outro ponto de divergência entre o candidato e o governo do Distrito Federal. Platini criticou medidas que, segundo sua avaliação, priorizam a retirada de pessoas das ruas em vez de oferecer alternativas de moradia, assistência social e atendimento em saúde mental.

Ele classificou determinadas políticas do governo como uma tentativa de “higienização” das áreas públicas e afirmou ser contrário à criminalização da pobreza. O candidato também defendeu o fortalecimento da rede pública de saúde mental e criticou a utilização de instituições que, segundo ele, não oferecem estrutura adequada para atendimento de pessoas em sofrimento psíquico. As críticas fazem parte da avaliação política apresentada por Platini durante a entrevista.

Defesa do BRB

A situação do Banco de Brasília (BRB) também entrou na pauta. Platini afirmou que pretende defender a instituição e seus trabalhadores caso conquiste uma cadeira na Câmara Legislativa. O candidato se posicionou contra uma eventual privatização do banco e defendeu a busca de alternativas para enfrentar os problemas financeiros da instituição.

Durante a entrevista, ele ressaltou a importância do BRB como banco público e citou sua atuação em serviços de interesse do Distrito Federal. “Por isso a gente quer estar lá na Câmara para defender o nosso banco, não deixar privatizá-lo, buscar uma saída para esse banco”, afirmou.

Estatuto da Dignidade Animal

Além das pautas sociais, Platini apresentou propostas voltadas à proteção animal. Ele afirmou ter elaborado um Estatuto da Dignidade Animal, que pretende apresentar caso seja eleito.Entre as propostas citadas estão a criação de um espaço específico para sepultamento de animais e a regulamentação de licenças para trabalhadores que precisem acompanhar animais domésticos em situações de saúde ou após a morte.

Para o candidato, a legislação precisa acompanhar a relação cada vez mais próxima entre famílias e animais de estimação.

Primeiro discurso em Libras

Ao final da entrevista, Michel Platini afirmou que pretende fazer seu primeiro discurso na Câmara Legislativa em Libras caso seja eleito. A iniciativa, segundo ele, seria uma forma de marcar a chegada da comunidade surda e de outros grupos historicamente marginalizados ao espaço de decisão política.

“Demorou muito a gente chegar ao poder na política”, afirmou. Platini encerrou a participação defendendo maior presença da população negra nos espaços de poder e resumiu sua proposta política com uma frase dirigida ao público do programa: “Vamos botar o nosso povo preto no centro das decisões.”

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília

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