Stédile defende reindustrialização, tarifa zero, proteção ambiental e fortalecimento da comunicação comunitária
Em entrevista aos jornalistas Paulo Miranda e Beto Almeida, pela TV Comunitária de Brasília, dia 28 de setembro, o dirigente do MST apresentou propostas para um novo projeto de desenvolvimento nacional e destacou reforma agrária, tarifa zero, educação integral, produção de alimentos saudáveis e democratização da comunicação
O economista e dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, defendeu a construção de um projeto nacional baseado na reindustrialização, na preservação ambiental, na produção de alimentos saudáveis e no fortalecimento dos meios comunitários de comunicação. As propostas foram apresentadas durante entrevista ao programa Brasília Notícias, da TV Comunitária de Brasília.
Durante a conversa, realizada em meio à reta final da campanha eleitoral, Stédile avaliou o cenário político e defendeu que movimentos sociais, organizações populares, intelectuais e outros setores da sociedade participem da elaboração de propostas concretas para o desenvolvimento do país.
Entre as medidas defendidas pelo dirigente estão a implantação da tarifa zero no transporte público, a ampliação da educação integral e a democratização do acesso ao ensino superior. Na avaliação de Stédile, políticas públicas voltadas às necessidades imediatas da população devem caminhar paralelamente a mudanças estruturais na economia.
A reindustrialização aparece como um dos eixos centrais dessa estratégia. Para Stédile, o Estado deveria ampliar o financiamento às pequenas e médias indústrias, estimulando a produção nacional de bens de consumo, a geração de empregos e a redução da dependência de produtos importados.
No campo, o dirigente afirmou que a proposta de reforma agrária defendida pelo MST incorporou novas dimensões. Além da democratização do acesso à terra, ele destacou a recuperação ambiental e a produção de alimentos como componentes fundamentais de uma nova política agrícola.
Stédile dedicou especial atenção à necessidade de recuperar áreas degradadas e ampliar o plantio de árvores. Segundo ele, uma política nacional de reflorestamento deveria contar com viveiros, produção e distribuição de mudas e planejamento de longo prazo. Na entrevista, citou experiências internacionais de arborização urbana como referências que poderiam contribuir para iniciativas brasileiras.
Ao sintetizar sua proposta, o dirigente apontou três pilares para um novo projeto de desenvolvimento: reindustrialização, defesa da natureza e produção de alimentos saudáveis. Ele também criticou o atual modelo do agronegócio e defendeu maior espaço para a agricultura voltada ao abastecimento alimentar e à agroecologia.
Outro tema de destaque foi a democratização da comunicação. Questionado sobre as dificuldades enfrentadas pelas mídias alternativas, Stédile reconheceu a importância das rádios e televisões comunitárias, especialmente nas periferias urbanas e nas comunidades rurais. Para ele, esses veículos cumprem uma função essencial ao garantir informação e comunicação em territórios que nem sempre encontram espaço na mídia comercial.
O dirigente apoiou a ideia de apresentar ao governo federal propostas para uma política nacional voltada à comunicação comunitária. Ao comentar a trajetória da TV Comunitária de Brasília, que se aproxima dos 30 anos, defendeu a organização de uma rede de emissoras comunitárias com apoio público para equipamentos, produção e distribuição de conteúdo.
A inteligência artificial também entrou no debate. Stédile afirmou que as novas tecnologias podem ampliar a capacidade de comunicação dos movimentos sociais, mas ressaltou a importância das fontes utilizadas pelos sistemas. Como exemplo, citou a Iara, iniciativa de inteligência artificial voltada à reforma agrária e à agroecologia.
No encerramento, Stédile classificou as televisões comunitárias como instrumentos importantes para a democracia, a educação e a formação cultural. Para o dirigente do MST, ampliar o acesso da população a meios de comunicação plurais deve integrar qualquer projeto de desenvolvimento que pretenda combinar soberania, participação popular e redução das desigualdades.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:
