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Vitória de Lula beneficia 27 milhões. Senado aprova redução da jornada de trabalho com 75 votos em dois turnos

Vitória de Lula beneficia 27 milhões. Senado aprova redução da jornada de trabalho com 75 votos favoráveis e somente um voto contrário

Fim da escala 6×1 pode beneficiar quase 27 milhões de trabalhadores e reduzir sobrecarga das mulheres no Brasil. Redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, deve atingir principalmente trabalhadores do comércio, serviços, alimentação e outros setores marcados por baixos salários e longas jornadas

A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, que obriga milhões de brasileiros a trabalhar seis dias para descansar apenas um, poderá representar uma das maiores mudanças nas relações de trabalho do país desde a Constituição de 1988. A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem diminuição dos salários, tem potencial para beneficiar quase 27 milhões de trabalhadores.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), baseado em dados de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima que 26,8 milhões de brasileiros trabalham mais de 40 horas semanais. Desse total, 22 milhões possuem carteira assinada e 4,8 milhões estão na informalidade. Estes últimos não teriam necessariamente direito automático às novas regras, mas poderiam ser beneficiados indiretamente pela redução da jornada de referência no mercado de trabalho.

O debate ganhou força no Congresso Nacional com a proposta de substituir a escala 6×1 pela jornada 5×2, garantindo dois dias de repouso semanal. A mudança também estabelece a manutenção da remuneração, impedindo que os trabalhadores tenham seus salários reduzidos em razão da diminuição das horas trabalhadas.

Comércio, alimentação e serviços concentram os maiores beneficiários

Entre os setores com maior presença da escala 6×1 estão o comércio varejista, supermercados, lojas, hotéis, restaurantes, bares, serviços de atendimento ao público e transporte.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que aproximadamente 14,8 milhões de empregados formais estavam submetidos à escala 6×1 em dezembro de 2025.

A incidência proporcional é especialmente elevada no transporte aéreo, com 53,2% dos empregados nessa escala; alojamento, com 52%; alimentação, com 47,1%; e comércio, com 42,2%.

A mudança poderá proporcionar mais tempo para descanso, convivência familiar, estudos e qualificação profissional. Também exigirá que empresas reorganizem turnos e equipes para manter suas atividades, especialmente nos estabelecimentos que funcionam diariamente.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a redução de 44 para 40 horas elevaria, em média, o custo da mão de obra em aproximadamente 7,8%, embora o impacto sobre os custos totais das empresas seja menor. Pequenos negócios e atividades intensivas em trabalho poderão necessitar de medidas específicas de adaptação.

Mulheres de baixa renda estão entre as mais afetadas pelas longas jornadas

As mulheres trabalhadoras constituem um dos grupos para os quais a mudança pode produzir importantes efeitos sociais. Além do emprego remunerado, milhões delas continuam responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas e do cuidado de crianças, idosos e familiares dependentes.

Segundo informações apresentadas pelo Ministério das Mulheres, as trabalhadoras com jornadas extensas e condições mais precárias de emprego estão frequentemente concentradas nas periferias urbanas, recebem salários menores e enfrentam longos deslocamentos entre casa e trabalho.

Nesse grupo estão operadoras de caixa, balconistas, vendedoras, atendentes de supermercados, trabalhadoras de restaurantes, hotéis, serviços de limpeza e outras profissionais que precisam conciliar o emprego com responsabilidades familiares.

Para mães solo e mulheres responsáveis pelo sustento da família, um segundo dia de descanso semanal poderá representar uma oportunidade de maior convivência com os filhos, acompanhamento escolar, cuidados com a saúde e acesso à formação profissional.

A mudança, entretanto, não elimina automaticamente a desigualdade na divisão do trabalho doméstico. Especialistas e representantes do Ministério das Mulheres defendem que a redução da jornada seja acompanhada de políticas públicas de cuidados e de maior participação dos homens nas responsabilidades familiares.

Menos horas de trabalho, sem perda de salário

A manutenção dos salários é um dos pontos centrais da proposta. Com a jornada reduzida de 44 para 40 horas semanais, o trabalhador manteria sua remuneração mensal e passaria a receber proporcionalmente mais por hora trabalhada.

Para os defensores da mudança, a redução pode contribuir para melhorar a saúde física e mental, diminuir o esgotamento profissional e ampliar as possibilidades de qualificação e participação social.

O desafio será compatibilizar esses benefícios com a reorganização das atividades econômicas, os custos empresariais e as necessidades de contratação, especialmente nas pequenas empresas.

Mais do que alterar a escala de trabalho, o fim da jornada 6×1 coloca em discussão a distribuição do tempo, da renda e das responsabilidades de cuidado na sociedade brasileira. Para milhões de trabalhadores, especialmente mulheres de baixa renda, a mudança poderá significar não apenas um dia adicional de descanso, mas melhores condições para conciliar trabalho, família, saúde e vida pessoal.

Quem votou a favor

Alan Rick (Republicanos-AC)

Alessandro Vieira (MDB-SE)

Ana Paula Lobato (PSB-MA)

Angelo Coronel (Republicanos-BA)

Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)

Beto Faro (PT-PA)

Camilo Santana (PT-CE)

Carlos Fávaro (PSD-MT)

Carlos Portinho (PL-RJ)

Carlos Viana (PSD-MG)

Chico Rodrigues (PSB-RR)

Cid Gomes (PSB-CE)

Cleitinho (Republicanos-MG)

Confúcio Moura (MDB-RO)

Damares Alves (Republicanos-DF)

Daniella Ribeiro (PP-PB)

Dr. Hiran (PP-RR)

Dra. Eudócia (PSDB-AL)

Eduardo Braga (MDB-AM)

Eduardo Gomes (PL-TO)

Efraim Filho (PL-PB)

Eliziane Gama (PSD-MA)

Esperidião Amin (PP-SC)

Fabiano Contarato (PT-ES)

Fernando Dueire (PSD-PE)

Flávio Arns (PSB-PR)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Giordano (Podemos-SP)

Humberto Costa (PT-PE)

Irajá (PSD-TO)

Ivete da Silveira (MDB-SC)

Izalci Lucas (PL-DF)

Jader Barbalho (MDB-PA)

Jaime Bagattoli (PL-RO)

Jaques Wagner (PT-BA)

Jayme Campos (União-MT)

Jorge Kajuru (PSB-GO)

Jorge Seif (PL-SC)

Jussara Lima (PSD-PI)

Laércio Oliveira (PP-SE)

Leany Lemos (PSB-DF)

Lucas Barreto (PSD-AP)

Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Magno Malta (PL-ES)

Mara Gabrilli (PSD-SP)

Marcelo Castro (MDB-PI)

Marcos do Val (Avante-ES)

Marcos Rogério (PL-RO)

Nelsinho Trad (PSD-MS)

Omar Aziz (PSD-AM)

Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)

Otto Alencar (PSD-BA)

Paulo Paim (PT-RS)

Plínio Valério (PSDB-AM)

Professora Dorinha Seabra (União-TO)

Randolfe Rodrigues (PT-AP)

Renan Calheiros (MDB-AL)

Renan Filho (MDB-AL)

Renzo Braz (PP-MG)

Roberta Acioly (Republicanos-RR)

Rogério Carvalho (PT-SE)

Romário (Sem partido)

Sargento Reginauro (PSDB-CE)

Sérgio Petecão (PSD-AC)

Sergio Moro (PL-PR)

Soraya Thronicke (PSB-MS)

Styvenson Valentim (Podemos-RN)

Teresa Leitão (PT-PE)

Tereza Cristina (PP-MS)

Vanderlan Cardoso (PSD-GO)

Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)

Wellington Fagundes (PL-MT)

Weverton (PDT-MA)

Wilder Morais (PL-GO)

Zenaide Maia (PSD-RN)

Zequinha Marinho (Podemos-PA)

 

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