Soberania digital é essencial para garantir a democracia e reduzir dependência tecnológica do Brasil, afirma James Görgen
Em entrevista ao programa Vozes pela Democracia, do FNDC, jornalista defende regulação das big techs, desenvolvimento de plataformas nacionais e criação de um Ministério de Assuntos Digitais.
A defesa da soberania digital como condição indispensável à democracia brasileira foi o tema central do programa Vozes pela Democracia, exibido em 30 de outubro de 2026, com apresentação do jornalista Souza Júnior e participação do pesquisador e jornalista James Görgen, especialista em economia política da comunicação.
Promovido pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o debate teve como tema “Democracia em rede, soberania em disputa” e abordou os desafios impostos pelo domínio das grandes empresas internacionais de tecnologia sobre a infraestrutura digital, os dados e a circulação de informações.
Segundo Görgen, as chamadas big techs ampliaram seu poder econômico e político ao controlar não apenas redes sociais e aplicativos, mas também serviços de computação em nuvem, centros de processamento de dados e cabos submarinos.
O pesquisador alertou que essa concentração tecnológica representa riscos à autonomia dos países, especialmente daqueles que dependem de empresas estrangeiras para armazenar informações e operar serviços digitais estratégicos.
Durante a entrevista, Görgen criticou a atuação da Meta no processo eleitoral brasileiro de 2026, apontando o que considera tratamento desigual de conteúdos políticos nas plataformas da empresa. As alegações foram apresentadas pelo entrevistado e não foram verificadas independentemente no programa.
Para enfrentar esse cenário, o especialista defendeu que o Brasil avance além da moderação de conteúdos e estabeleça políticas públicas de desenvolvimento tecnológico, regulação econômica e transparência dos algoritmos.
Entre suas propostas estão a criação de um Ministério de Assuntos Digitais e de um Fundo Nacional para a Soberania Digital, destinados a coordenar investimentos e integrar iniciativas atualmente distribuídas entre diferentes órgãos governamentais.
Görgen também defendeu uma política de industrialização digital capaz de estimular a produção nacional de semicondutores, plataformas, aplicativos e serviços tecnológicos.
Na avaliação do pesquisador, o Brasil reúne condições para desenvolver seu próprio ecossistema digital, aproveitando a capacidade científica, os profissionais especializados e os instrumentos da política industrial brasileira.
Outro ponto destacado foi a necessidade de proteger os dados produzidos pela população e garantir maior controle nacional sobre data centers e serviços de nuvem.
O jornalista também relacionou a soberania tecnológica à exploração dos minerais críticos e das terras raras, considerados estratégicos para a indústria eletrônica e as novas tecnologias.
Durante o debate, Souza Júnior ressaltou a importância das mídias comunitárias, populares e independentes na democratização da informação e defendeu políticas de distribuição mais equilibrada das verbas públicas de publicidade.
Görgen concordou com a necessidade de fortalecer esses veículos, mas advertiu que a democratização da comunicação também depende de mudanças estruturais na propriedade e no controle das tecnologias digitais.
Autor do livro Notas da Floresta Digital, o pesquisador afirmou que o Brasil precisa transformar a soberania digital em uma política estratégica de Estado.
O programa Vozes pela Democracia é uma produção do FNDC, com apresentação de Souza Júnior e produção da Atitude Popular, retransmitida por emissoras comunitárias e plataformas digitais em todo o país.
Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília
